abolicionismo 

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Cassius Marcellus Clay trabalhou pela abolição da escravidão, apesar de …
Library of Congress, Washington, D.C.
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Isabel, princesa imperial do Brasil, também conhecida como Isabel, a Redentora, assinou em …
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O abolicionismo foi um movimento iniciado no final do século XVIII pelas pessoas que se opunham à escravidão e que se mobilizaram para abolir essa prática — ou seja, acabar com ela. Os integrantes do movimento se tornaram conhecidos como abolicionistas.

O abolicionismo foi um movimento iniciado no final do século XVIII pelas pessoas que se opunham à escravidão e que se mobilizaram para abolir essa prática — ou seja, acabar com ela. Os integrantes do movimento se tornaram conhecidos como abolicionistas.

Os europeus começaram a escravizar os africanos no final do século XV. Depois de chegar à América, os europeus estabeleceram colônias. Numa primeira etapa, capturaram índios e os tornaram escravos. Nos séculos seguintes, graças em especial à condenação da escravidão de indígenas pelos padres católicos nas colônias espanholas e no Brasil, os índios foram sendo deixados de lado no trabalho escravo. No entanto, muitos africanos passaram a ser trazidos de navio para as colônias de toda a América, a fim de trabalhar nas plantações de café, algodão e engenhos de açúcar, principalmente. Eles eram comprados em portos da África como mercadoria e vendidos na América.

Até o século XVII houve raros protestos contra a escravidão, com exceção dos esforços dos padres jesuítas no Brasil e de outros frades nas colônias espanholas, além de alguns habitantes das colônias inglesas que no século XVII condenaram a escravidão por motivos religiosos. Aos poucos, porém, cada vez mais pessoas foram se opondo à ideia de considerar outros seres humanos como propriedade privada.

Esforços antiescravagistas pelo mundo

A primeira organização oficial a lutar pela abolição da escravatura foi a Sociedade Abolicionista, fundada em 1787 na Grã-Bretanha. Em 1807, esse país decidiu abolir o comércio de escravos em suas colônias. Até 1833, todos os escravos das colônias britânicas do hemisfério ocidental haviam sido libertados. Outros países da Europa logo seguiram o exemplo. A França proibiu o comércio dos escravos em 1819, e em 1848 a escravidão foi abolida também nas colônias francesas.

Com os movimentos de emancipação nas Américas do Norte e do Sul, a escravidão foi sendo abolida aos poucos. No México, a escravidão foi abolida em 1810; no Chile, foi aprovada em 1811 a chamada lei do ventre livre (que dava liberdade aos filhos de escravas que nascessem após essa data).

Nos Estados Unidos

Além do Brasil, os Estados Unidos foram o principal centro escravagista do continente americano. O comércio de escravos foi oficialmente abolido em 1807, mas o contrabando de escravos continuou até a Guerra de Secessão, em 1865. Com o crescimento das plantações de algodão no Sul, a demanda por mão de obra escrava aumentou. Os estados sulistas então apoiaram a escravidão. Por outro lado, em 1804, todos os estados ao norte de Maryland já haviam abolido a escravidão. O Norte se tornou o centro do movimento abolicionista nos Estados Unidos.

Entretanto, os abolicionistas americanos nem sempre concordaram sobre a maneira de erradicar a escravidão. Alguns queriam que o governo promulgasse leis. Outros tentaram ajudar os escravos a se libertar e criaram uma rede de ajuda secreta para auxiliar os escravos a chegar a lugares seguros no norte dos Estados Unidos ou no Canadá.

O abolicionismo ganhou força à medida que um número cada vez maior de pessoas soube dos males da escravidão e da crueldade dos caçadores de escravos que traziam os fugitivos para seus donos. A cabana do Pai Tomás (1852), romance de Harriet Beecher Stowe, descreve de maneira vibrante como os escravos eram maltratados. Esse livro se tornou extremamente popular.

Em novembro de 1860, Abraham Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos, opondo-se à expansão da escravidão. O Sul então se sentiu ameaçado. Nos três meses seguintes, um grupo de estados sulistas separou-se dos Estados Unidos e formou a Confederação, o que provocou a Guerra de Secessão (1861-1865). Durante os combates, em 1863, Lincoln promulgou a Proclamação de Emancipação, que libertou todos os escravos dos estados confederados. Em 1865, a Confederação foi derrotada. A escravidão foi então abolida nos Estados Unidos pela 13a Emenda Constitucional.

No Brasil

A grande figura do abolicionismo no Brasil foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888, como deputado, foi o principal representante do movimento, fundando a Sociedade Antiescravista Brasileira.

Um dos primeiros passos para a Em 28 de setembro de 1871, foi aprovada a Lei do Ventre Livre promovida pelo visconde do Rio Branco, membro do partido conservador. A lei também é conhecida como Lei Rio Branco.

Outra figura importante foi José do Patrocínio, um escritor e jornalista abolicionista e republicano. Ele enfrentou grandes dificuldades devido à sua origem social — filho de uma escrava alforriada e de um padre — e atuou ativamente pela abolição definitiva da escravidão no Brasil. Foi redator do jornal Gazeta de Notícias, onde iniciou sua campanha pró-abolição da escravatura — ao lado, justamente, de Joaquim Nabuco e de outros abolicionistas. Patrocínio ajudava muitos negros a fugir ou a comprar a alforria (liberdade). Em 1883 fundou a Confederação Abolicionista, que reunia todos os clubes abolicionistas do país, e redigiu e assinou um manifesto em defesa de sua causa.

O romance A escrava Isaura (1874), de Bernardo Guimarães (1825-84), aborda a escravidão por meio da personagem do título, filha de um fazendeiro e de uma escrava. Essa obra fez sucesso na época, e mais ainda cem anos depois, ao virar telenovela apresentada em quase todo o mundo.

A escravidão finalmente acabou na América do Sul em 13 de maio de 1888, quando o governo imperial do Brasil se rendeu à pressão dos movimentos abolicionistas e a princesa Isabel (filha do imperador dom Pedro II) assinou a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no país.