Acre 

Map/Still

Encyclopædia Britannica, Inc.
Photograph
Apesar das dificuldades provocadas pela distância em relação aos grandes …
Evaristo Sa—AFP/Getty Images
Projetos na Área de Pesquisa

O Acre (sigla: AC) é um dos 27 estados do Brasil. Localizado no extremo oeste da região Norte do país, o Acre tem 152.581 km2 de área. Sua população é de 732.793 habitantes (censo de 2010). A capital do Acre é Rio Branco. O nome Acre surgiu quando os primeiros exploradores da região escreveram de forma errada a palavra “Aquiri”, que era o nome dado ao lugar pelos índios.

O Acre (sigla: AC) é um dos 27 estados do Brasil. Localizado no extremo oeste da região Norte do país, o Acre tem 152.581 km2 de área. Sua população é de 732.793 habitantes (censo de 2010). A capital do Acre é Rio Branco. O nome Acre surgiu quando os primeiros exploradores da região escreveram de forma errada a palavra “Aquiri”, que era o nome dado ao lugar pelos índios.

População

A população acriana é formada principalmente por índios e nordestinos, povo que formou-se a partir do índio, do branco europeu — sobretudo o português — e do africano. Também tem forte presença de sírio-libaneses, que chegaram como comerciantes. Os nordestinos, principalmente cearenses, vieram para o estado em grande número entre 1880 e 1913, durante o chamado Ciclo da Borracha. Com o declínio da exploração da borracha, eles buscaram os centros urbanos e acabaram se concentrando nas poucas cidades do estado. Em 2009, quase metade da população vivia na capital, Rio Branco; cerca de 30% habitam ao longo dos rios, trabalhando na extração de borracha, madeira e castanha-do-pará.

Geografia

O Acre faz fronteira com os estados do Amazonas e de Rondônia e com dois países, Peru e Bolívia. Seu relevo é baixo: cerca de 63% da superfície do estado têm entre 200 e 300 metros de altitude. As maiores altitudes (609 metros) ficam no extremo oeste, na serra da Contamana ou do Divisor.

O clima é equatorial, quente e muito úmido. As médias mensais de temperatura variam entre 24°C e 27°C. Entre os meses de maio e setembro, ventos frios provocam um fenômeno chamado friagem. Ele é resultado do avanço de uma frente polar, e pode fazer os termômetros registrarem menos de 15°C por alguns dias. Dois importantes afluentes do rio Amazonas nascem no estado: os rios Juruá e Purus. Além deles, estão ainda entre os principais rios acrianos o Tarauacá, o Envira, o Iaco e o Acre, todos eles navegáveis apenas nas cheias. A estação seca se estende por junho, julho e agosto.

Flora e fauna

Photograph
A seringueira é nativa da bacia do rio Amazonas e produz o látex (ou caucho), …
© Stuart Taylor/Shutterstock.com

O estado do Acre é coberto pela floresta Amazônica, uma mata equatorial fechada, formada basicamente por árvores de grande porte, que crescem muito próximas umas das outras. Entre as muitas árvores da região estão a seringueira, a copaíba, a castanheira e a gigantesca sumaúma, que chega a 50 metros de altura. Também podem ser encontradas nas áreas florestais do estado vitórias-régias de até 1,80 metro de diâmetro.

Fica no Acre uma das regiões mais ricas em biodiversidade no mundo: o Alto Juruá. Vivem ali 616 espécies de aves, cinquenta de répteis, trezentas de aranhas, 140 de sapos, dezesseis de macacos e 1.620 tipos de borboletas.

Economia

A economia do Acre é baseada principalmente na exploração de seus recursos naturais. Borracha, castanha-do-pará e madeira são os principais produtos. Mas também há a produção de óleos de plantas, plantas medicinais, frutas e artesanato com sementes, em projetos de exploração sustentável. O recurso mais importante ainda é a borracha, que começou a ser explorada em meados do século XIX. No fim desse século, com a instalação das primeiras indústrias de borracha nos Estados Unidos e na Europa, cresceu o interesse pelo látex do Brasil, então único produtor mundial. Isso provocou um forte surto de desenvolvimento no estado, que atraiu uma grande população, sobretudo de nordestinos, que viviam um período de seca.

No início do século XX, os ingleses levaram sementes de seringueiras do Brasil para a Ásia. Com um cultivo mais eficiente, a Malásia passou a dominar a produção mundial de borracha e os seringais acrianos foram abandonados. Durante a Segunda Guerra Mundial, a região viveu um segundo ciclo da borracha. Com os seringais asiáticos dominados pelos japoneses, foi a Amazônia que acabou suprindo as necessidades dos países aliados. Mas, ao fim da guerra, novamente a extração da borracha foi abandonada.

No final do século XX, a atividade começou a se recuperar, porque o governo passou a apoiar os seringueiros. Para que isso acontecesse, teve papel importante o trabalho do seringueiro, sindicalista e ativista ambiental Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes. Por sua luta pelos direitos dos seringueiros, que incomodava os fazendeiros da região, ele foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri.

História

A região do atual estado do Acre pertencia quase toda à Bolívia. Mas desde meados do século XIX grande parte da população da região já era de seringueiros brasileiros. Em 1899, os bolivianos tentaram expulsar os brasileiros da região. Eles se revoltaram e houve vários confrontos na fronteira. Essa movimentação ficou conhecida como Questão do Acre. A disputa foi resolvida definitivamente em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis pelo barão do Rio Branco.

Assim, no início do século XX, o Brasil tomou posse definitiva da região em troca do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas, de algumas terras fronteiriças do estado de Mato Grosso e da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Por ter causado a morte de 6 mil trabalhadores, essa estrada ficou conhecida como Ferrovia do Diabo. Ela começou a ser construída em 1907 e o último trecho foi inaugurado em 1912. Todo o esforço foi em vão, pois quando a estrada ficou pronta o preço do látex no comércio mundial era tão baixo que não compensava mais explorá-lo.

Após o Tratado de Petrópolis, o Acre foi integrado ao Brasil como território e dividido em três departamentos, que foram unificados em 1920. Em 15 de junho de 1962, o território foi elevado à categoria de estado.

Seus limites geográficos passaram por uma modificação em 2008, quando o Acre venceu uma questão judicial de fronteira com o estado do Amazonas. Assim, mais 1,2 milhão de hectares foram anexados ao estado. O mapa do Acre lembra a figura de uma borboleta com as asas coloridas abertas.