Manuel Antônio de Almeida 

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Retrato do escritor brasileiro Manuel Antônio de Almeida (1831-1861).
Arquivo ABL
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Ilustraçao do Palácio do Catete (hoje o Museu da República) e uma cena do …
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Manuel Antônio de Almeida escreveu apenas um livro, mas tornou-se um dos principais autores do romance urbano no Brasil.

Manuel Antônio de Almeida escreveu apenas um livro, mas tornou-se um dos principais autores do romance urbano no Brasil.

Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 1831. Aos 10 anos, perdeu o pai. Enquanto estudava medicina, trabalhava no jornal para se sustentar. Foi revisor e redator do Correio Mercantil. Formou-se médico, mas nunca exerceu a profissão.

Aos 21 anos, Almeida publicou Memórias de um sargento de milícias no Correio Mercantil, em folhetim (um capítulo a cada número do jornal), de junho de 1852 a julho de 1853, sob o pseudônimo de “Um Brasileiro”. O final de cada capítulo deixava um suspense para o leitor se interessar pela continuação da história. No ano seguinte a obra foi publicada em livro, mas o nome verdadeiro do autor só apareceu na terceira edição, em 1863.

Memórias de um sargento de milícias descreve a gente simples que vivia no Rio de Janeiro, na época de dom João VI, de forma direta, saborosa e bem-humorada. O texto é irônico e divertido, e os personagens são as pessoas comuns, como o barbeiro, a parteira, o major, o que tornou a história mais próxima do leitor. É o que se chama uma “crônica de costumes”.

Ao contrário dos autores românticos desse período, Manuel Antônio de Almeida mostra uma visão bem próxima da realidade. Em vez de retratar personagens aristocráticos, descreve os tipos que viviam nas ruas e incorpora sua linguagem. Destaca os problemas sociais e mostra uma visão menos idealizada do amor e da realidade. Por isso, é considerado precursor do Realismo — estilo literário que se destacou no Brasil com o escritor Machado de Assis, considerado pela maioria dos estudiosos da literatura o principal escritor brasileiro.

Em 1858, Manuel Antônio de Almeida foi nomeado administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu Machado de Assis (1839-1908), que trabalhava como aprendiz de tipógrafo. Em 1861, quando se preparava para entrar em campanha como candidato a deputado do Rio de Janeiro, morreu no naufrágio do navio Hermes, próximo à cidade de Macaé. É o patrono da cadeira número 28 da Academia Brasileira de Letras.