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Manuel Bandeira 

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Manuel Bandeira (1886-1968) é considerado um dos principais escritores modernistas no Brasil.
Arquivo ABL
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Manuel Bandeira é considerado um dos maiores poetas brasileiros. Destacou-se também como cronista, professor, crítico literário e tradutor. Em 1940 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ocupou a cadeira número 24).

Manuel Bandeira é considerado um dos maiores poetas brasileiros. Destacou-se também como cronista, professor, crítico literário e tradutor. Em 1940 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ocupou a cadeira número 24).

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em 1886, na cidade de Recife, no estado de Pernambuco. Ainda jovem, Bandeira abandonou o curso de arquitetura depois de descobrir que sofria de tuberculose, uma doença grave que ataca principalmente os pulmões. A partir de então, passou a vida inteira achando que poderia morrer a qualquer momento, mas faleceu aos 82 anos de idade.

Publicou seu primeiro livro, A cinza das horas (1917), aos 31 anos, mas desde os 10 anos de idade já brincava de fazer versos. Entre os livros de poesia mais importantes de Bandeira estão Carnaval (1919), Ritmo dissoluto (1924), Libertinagem (1930), Estrela da manhã (1936), Lira dos cinquent’anos (1940), Mafuá do malungo (1948) e Estrela da tarde (1963). Também publicou livros de crônicas poéticas.

A poesia de Bandeira é marcada pela linguagem coloquial e trata de assuntos do cotidiano. Mas também aborda temas densos e sérios, como família, angústia, solidão e morte — este último bastante presente em sua obra. Em seu famoso poema “Pneumotórax”, os versos falam sobre “a vida inteira do que podia ter sido e não foi”.

Bandeira é considerado um dos principais escritores modernistas no Brasil. O modernismo foi um movimento em que os artistas queriam expressar a realidade, os costumes e o modo de ser dos brasileiros de forma mais direta e atual.

Esse movimento culminou na Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Bandeira não participou diretamente do evento, mas seu poema “Os sapos” foi lido pelo escritor Ronald de Carvalho. Nele, Bandeira critica os poetas parnasianos, cujos versos se caracterizam por muitas regras e rimas.

Manuel Bandeira alcançou fama e reconhecimento no Brasil e no exterior com o livro Libertinagem, de 1930. Um dos poemas desse livro é “Evocação do Recife”, em que o poeta rememora sua terra natal e faz uma homenagem à cultura popular. O livro também traz o poema “Vou-me embora pra Pasárgada”. Nele, o poeta fala sobre um paraíso imaginário, onde é possível ser amigo do rei.

Em “Porquinho-da-índia”, Bandeira relembra a infância. Escreve sobre as brincadeiras tradicionais em “Na rua do sabão”. Em “Berimbau”, traz criaturas e seres do imaginário popular. Em “Meninos carvoeiros”, conta histórias de outras infâncias, nem sempre felizes.

Bandeira permaneceu solteiro. Costumava escrever versos para presentear filhos de amigos em datas especiais. Eram poemas curtos, divertidos e carinhosos. Muitos deles foram publicados no livro Mafuá do malungo. A palavra “mafuá”, de origem africana, significa “parque de diversões”, “festa”; “malungo”, também africana, quer dizer “amigo”, “camarada”.

Bandeira morreu em 1968 na cidade do Rio de Janeiro.