Lima Barreto 

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Lima Barreto foi um jornalista e escritor brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Viveu num período de grandes mudanças no Brasil e denunciou, em seus escritos, as injustiças, a corrupção e o preconceito.

Lima Barreto foi um jornalista e escritor brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Viveu num período de grandes mudanças no Brasil e denunciou, em seus escritos, as injustiças, a corrupção e o preconceito.

Como viveu o escritor

Afonso Henriques de Lima Barreto era filho do tipógrafo João Henriques de Lima Barreto e da professora Amália Augusta, ambos mulatos de origem humilde. Eles valorizavam a educação e a cultura, mas tiveram vida difícil.

Amália Augusta morreu em 1888, quando Lima Barreto tinha 7 anos. No mesmo ano, a escravidão foi abolida no Brasil, na data de seu aniversário: 13 de maio. No ano seguinte, 1889, o Brasil deixou de ser monarquia e se tornou república.

Para os escravos libertos e para a população mais pobre, essas mudanças não significaram uma vida melhor. Muitos ex-escravos não conseguiam trabalho, porque os empregadores preferiam os imigrantes. Eles não tinham estudos nem recursos. A maioria das pessoas não conseguia um lote de terra para construir uma casa e plantar o que comer, porque a maior parte das terras pertencia a um pequeno grupo de proprietários.

João Henriques, pai do futuro escritor, passou a sofrer de transtornos mentais. Assim, Lima Barreto, que estava na faculdade cursando engenharia, precisou abandonar os estudos para trabalhar e sustentar os irmãos mais novos.

Tornou-se funcionário público e foi trabalhar no Ministério da Guerra. Trabalhou também na redação de vários jornais do Rio de Janeiro, como Correio da Manhã, Jornal do Comércio, Gazeta da Tarde e Correio da Noite, além das revistas Careta, Hoje e Fon-Fon! Fazia reportagens, crônicas e artigos. Além disso, escrevia também romances e contos.

Em todos os seus textos, jornalísticos ou literários, Lima Barreto criticava os políticos desonestos e mostrava as injustiças e as desigualdades sociais. Denunciava também a discriminação racial, de que ele próprio era vítima, por ser mulato e neto de escravos.

Obras

O romance mais famoso de Lima Barreto é Triste fim de Policarpo Quaresma, publicado em 1915. O protagonista é um funcionário público fanático pelo Brasil. Ele acredita que o Brasil é o melhor em tudo, e chega a propor ao Congresso Nacional que o tupi-guarani passe a ser a língua oficial do país. É ridicularizado e enfrenta muitas dificuldades e desilusões.

O romance é escrito numa linguagem direta e próxima da fala cotidiana, com humor e ironia. É considerado o principal exemplo do pré-modernismo brasileiro, um período literário em que os escritores começavam a experimentar novas linguagens e a escrever sobre novos temas.

Lima Barreto escreveu também os romances Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909), Numa e a ninfa (1915), Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919) e Clara dos Anjos (1948). Seus artigos e crônicas foram reunidos em Os bruzundangas, Feiras e mafuás, Vida urbana e Marginália, entre outras coletâneas.

Escreveu muitos contos, como “A nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”. Deixou suas memórias em Diário íntimo (1953) e O cemitério dos vivos (1953), que ficou inacabado.

Lima Barreto produziu dezessete livros, mas grande parte deles foi publicada apenas depois de sua morte. Embora tenha trabalhado muito, viveu com muitas dificuldades, por falta de dinheiro. E morreu pobre, no Rio de Janeiro, no dia 1° de novembro de 1922. Tinha 41 anos.

Hoje, é considerado um dos maiores escritores brasileiros e seus livros são traduzidos para vários idiomas.