Vítor Brecheret 

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Localizado no Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo, o Monumento às Bandeiras …
© Eli Coory/Fotolia
Projetos na Área de Pesquisa

Vittorio Breheret, que adotou o nome Vítor Brecheret, foi um escultor italiano naturalizado brasileiro. Nasceu em 1894 na pequena localidade de Farnese de Castro, em Viterbo, na Itália.

Vittorio Breheret, que adotou o nome Vítor Brecheret, foi um escultor italiano naturalizado brasileiro. Nasceu em 1894 na pequena localidade de Farnese de Castro, em Viterbo, na Itália.

Como viveu o escultor

Sua família emigrou para o Brasil quando ele ainda era criança. Na adolescência, aprendeu desenho, modelagem e entalhe no Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo, onde começou seu aprendizado artístico. Mais tarde, estudou arte em Roma, onde desenvolveu os conhecimentos de escultura em barro, gesso, pedra e mármore. A partir daí, passou a dividir sua carreira entre o Brasil e a Europa.

Em Roma, frequentou estúdios de escultores europeus e conheceu diversas tendências e estilos de vanguarda nas décadas de 1910 e 1920.

Viveu também em Paris, na França, onde permaneceu por cerca de quinze anos. Brecheret expôs em importantes salões de arte, como o Salão dos Independentes, em 1929, e recebeu diversos prêmios.

Esculturas

Vítor Brecheret pode ser considerado o escultor por excelência da cidade de São Paulo. Várias de suas obras podem ser vistas em praças, parques e cemitérios da cidade.

Seus trabalhos mais conhecidos são o Monumento às bandeiras (granito, 1936-1953), o Monumento a Caxias (bronze, 1941-1960), o Fauno (granito, 1942), Depois do banho (bronze, 1945) e Ídolo (1921).

Brecheret experimentou diversos estilos que conheceu na Europa, como o construtivismo, o expressionismo e o cubismo, recriando-os de forma pessoal.

Na fase mais madura da carreira, produziu obras em terracota (argila cozida), inspirado na cultura indígena brasileira. Índio e a suaçuapara (terracota, 1951) é uma escultura deste período.

Homenagem às bandeiras

O Monumento às bandeiras, esculpido em granito, tem 12 metros de altura, 50 metros de extensão e 15 metros de largura. Composto de quarenta grandes figuras esculpidas num só grupo, e encomendado pelo governo do estado, o monumento é hoje um dos marcos da cidade de São Paulo.

Brecheret levou cerca de trinta anos para concluir esse trabalho, porque o projeto foi interrompido várias vezes por questões administrativas.

Instalada ao lado do Parque do Ibirapuera, a obra representa uma expedição bandeirante. Um grupo composto de indígenas, negros, portugueses e mamelucos puxa uma canoa, como a que os bandeirantes usavam nas monções para chegar ao interior pelos rios. À frente vão duas figuras a cavalo: uma delas representa o colonizador português; a outra, um guia indígena.

A escultura foi instalada no sentido em que partiam as bandeiras para o interior. Um mapa de Afonso Taunay, também esculpido no granito, mostra o roteiro das expedições. Ao lado, placas com poemas de Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo homenageiam as bandeiras.

O modernismo e a terracota

Vítor Brecheret foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, ao lado de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Menotti del Picchia. Esse evento cultural, apresentado no Teatro Municipal de São Paulo, lançou uma proposta de renovação da linguagem artística. Brecheret representou o modernismo na escultura, expondo vinte esculturas no Teatro Municipal.

Em 1951, ele ganhou o I Prêmio Nacional de Escultura da Bienal de São Paulo com a obra Índio e a suaçuapara, em terracota. Era a valorização de sua busca do que considerava legitimamente brasileiro.

Vítor Brecheret morreu em São Paulo, em 1955.