Elis Regina 

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A cantora brasileira Elis Regina no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, …
Agencia Estado/AP
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Elis Regina foi uma das mais importantes cantoras brasileiras. Interpretou músicas de compositores consagrados, mas também foi responsável pelo lançamento de muitos compositores estreantes, como Renato Teixeira, Milton Nascimento, Aldir Blanc e Belchior, entre outros. Ela fazia questão de abrir espaço para os novos talentos.

Elis Regina foi uma das mais importantes cantoras brasileiras. Interpretou músicas de compositores consagrados, mas também foi responsável pelo lançamento de muitos compositores estreantes, como Renato Teixeira, Milton Nascimento, Aldir Blanc e Belchior, entre outros. Ela fazia questão de abrir espaço para os novos talentos.

Infância

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Quando tinha apenas 11 anos, destacou-se no programa de uma rádio local chamado Clube do Guri.

A beleza e a força de sua voz despertaram a atenção dos diretores de uma gravadora, e ela gravou seu primeiro disco, Dá sorte e sonhando, com 16 anos de idade.

Em 1961, a jovem cantora gravou seu primeiro LP (era esse o nome dos discos feitos em vinil que continham várias canções): Viva a brotolândia. Pouco depois, trocou Porto Alegre pelo Rio de Janeiro, porque era ali que surgiam as melhores oportunidades de trabalho para os músicos. Era também no Rio que se encontrava grande parte dos talentos musicais do Brasil.

Já em 1965, ela e o cantor Jair Rodrigues apresentavam um programa de grande sucesso na televisão chamado O fino da bossa. O programa tornou-a ainda mais conhecida e admirada. Sua carreira prosperou.

Sucesso

“Dois pra lá, dois pra cá” e “O bêbado e o equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, são duas músicas que marcaram época e ficaram inegavelmente ligadas à interpretação de Elis. “O bêbado e o equilibrista” virou uma espécie de hino do período de abertura política no Brasil, no final da ditadura militar.

Mas a voz de Elis não encantava apenas brasileiros. Um dos seus discos mais famosos no exterior foi gravado com Tom Jobim e se chama Elis e Tom (1974). Ela também causou enorme sensação quando se apresentou no Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça, em 1979.

A essa altura, realizava cada vez mais shows no Brasil. O mais famoso deles, Falso brilhante, ficou cerca de um ano em cartaz e é considerado um dos espetáculos mais bem sucedidos da história da música brasileira. Outros espetáculos, como Saudades do Brasil e Trem Azul também foram sucesso de crítica e público. Todos eles foram gravados em disco.

Suas músicas tocavam nas rádios de todo o país e seus discos iam sendo mais e mais vendidos. Isso aconteceu não só com discos originados de shows como também com outros, lançados na década anterior, como Ela (1971) e Elis (1973).

Além disso, participava de discos de outros artistas, entre eles um do sambista Adoniran Barbosa e o álbum para crianças A arca de Nóe (composto de canções de Vinícius de Moraes), com vários intérpretes. Com isso, comprovava sua facilidade para cantar qualquer tipo de música. Elis não era apenas muitíssimo afinada; ela era uma grande intérprete. Tinha o poder de adequar-se aos estilos musicais porque tinha total domínio sobre sua voz.

Ao mesmo tempo em que colhia os frutos de uma carreira em ascensão, Elis se dedicava à família. Casou-se duas vezes, teve três filhos (os músicos João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano e a cantora Maria Rita).

Nas várias entrevistas que deu à imprensa, revelou sua insegurança e a dificuldade de lidar com o peso do sucesso. Às vezes, demonstrava instabilidade psicológica. Morreu no dia 19 de janeiro de 1982, em seu apartamento em São Paulo (para onde tinha se mudado vários anos antes), em consequência da mistura de uma bebida com uma droga. Tinha 36 anos e sua morte causou grande impacto. Estava no auge da carreira quando isso ocorreu. Foi certamente uma das estrelas mais brilhantes do Brasil.