Johann Moritz Rugendas 

Photograph
Ilustração de família indígena do Sudeste do Brasil, feita em 1887 pelo …
A.K.G., Berlin/SuperStock
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Johann Moritz Rugendas foi um pintor e desenhista alemão que viveu muitos anos no Brasil e retratou as paisagens e o povo brasileiros da primeira metade do século XIX.

Johann Moritz Rugendas foi um pintor e desenhista alemão que viveu muitos anos no Brasil e retratou as paisagens e o povo brasileiros da primeira metade do século XIX.

Ele nasceu em Augsburgo, na Alemanha, no dia 29 de março de 1802. Era de uma família de pintores e gravadores e foi seu pai quem o ensinou a desenhar e pintar. Depois, continuou os estudos na Academia de Belas-Artes de Munique.

Rugendas chegou ao Brasil em 1821, com 18 anos de idade, contratado como desenhista da expedição científica organizada pelo naturalista e diplomata russo Georg Heinrich von Langsdorff, o barão de Langsdorff.

A Expedição Langsdorff

No século XIX, diversas expedições artísticas e científicas percorreram o território brasileiro.

O objetivo era conhecer, registrar e catalogar a geografia, os recursos minerais, a fauna, a flora, a população e os costumes do Brasil. Para isso, as expedições contavam com botânicos, zoólogos, astrônomos e desenhistas, além de guias, caçadores e escravos.

Uma dessas expedições foi a Missão Austríaca (1817-1820), da qual participaram o médico e botânico Johann Baptist von Spix e o zoólogo Carl Friedrich Philipp von Martius, ambos alemães.

Outra importante expedição foi a do barão de Langsdorff. Em 1821, o barão, que era cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro, obteve financiamento do czar (imperador) russo para organizar uma viagem científica pelo interior do Brasil.

A expedição de Langsdorff se estendeu de 1824 a 1829, percorrendo Minas Gerais, São Paulo, a região Centro-Oeste e a Amazônia. Além de Rugendas, contou com a participação dos artistas Aimé-Adrien Taunay (filho de Nicolas Taunay, que participara da Missão Artística Francesa no Brasil) e Hercule Florence.

Produção artística

Depois de alguns meses de viagem, Rugendas desentendeu-se com Langsdorff e decidiu abandonar a expedição. Continuou a viagem por sua própria conta até 1825.

Rugendas produziu desenhos e aquarelas, retratando paisagens, cenas cotidianas, costumes e a diversidade da população brasileira, sempre fazendo anotações sobre o que encontrava. Compôs assim um importante documento sobre o Brasil do início do século XIX.

Reunida sob o título Viagem pitoresca através do Brasil, a obra de Rugendas foi publicada na França em 1835 e no Brasil mais de um século depois, em 1940.

Entre 1831 e 1834, Rugendas percorreu o México. Nessa fase, começou a utilizar a pintura a óleo, tendo produzido cerca de quinhentos desenhos e mais de trezentas pinturas a óleo de grande valor como obra de arte e como registro histórico de uma época.

Em sua trajetória artística, Rugendas recebeu grande influência do naturalista alemão Alexander Humboldt. Para Humboldt, a pintura deveria retratar ao mesmo tempo todos os aspectos de uma paisagem: topografia, flora, fauna e população.

Nas pinturas que fez no México, Rugendas aplicou essa diretriz: fazia um registro inicial da paisagem e depois, em seu ateliê, acrescentava a figura humana e a vegetação do lugar.

Rugendas viveu também no Chile (1834-1842), onde publicou o Álbum de trajes chilenos (1838). Percorreu ainda a Argentina, o Peru, a Bolívia e o Uruguai.

Em 1846, com 40 anos de idade, voltou definitivamente para a Europa, depois de uma breve temporada de um ano no Rio de Janeiro, durante a qual retratou membros da família imperial. Rugendas morreu em Weilheim, na Alemanha, no dia 29 de maio de 1858.