Heitor Villa-Lobos 

Photograph
Heitor Villa-Lobos, em 1952.
H. Roger-Viollet
Projetos na Área de Pesquisa

Villa Lobos foi um importante compositor brasileiro, além de instrumentista, regente e professor de música. Durante sua vida, criou cerca de mil obras. Cirandas, choros, sinfonias, música de câmara, óperas e outros gêneros musicais — em tudo o que compôs, imprimiu uma marca de brasilidade.

Villa Lobos foi um importante compositor brasileiro, além de instrumentista, regente e professor de música. Durante sua vida, criou cerca de mil obras. Cirandas, choros, sinfonias, música de câmara, óperas e outros gêneros musicais — em tudo o que compôs, imprimiu uma marca de brasilidade.

Infância musical

Heitor Villa Lobos nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeiras, em 1887. Na infância, era carinhosamente chamado de Tuhu. Era de uma família humilde de origem espanhola. O pai, Raul, trabalhava na Biblioteca Nacional e escrevia livros didáticos. Músico amador, ele era um apaixonado por violoncelo. A mãe, Noêmia, era filha de um compositor de música de baile, mas queria que o filho fosse médico.

Tuhu passou os tempos de menino fascinado pelas músicas tocadas também por sua tia Zizinha, que era pianista. Cresceu numa casa em que saraus de música eram frequentes. Com 5 anos de idade, o menino começou a aprender violoncelo com o pai, que morreu quando ele tinha 12 anos. Ainda na infância, também Tuhu aprendeu clarinete.

Conhecendo o Brasil

Na juventude, Villa-Lobos vendeu a valiosa biblioteca do pai para viajar pelo interior do país. Foi nesse período que tomou contato com diferentes instrumentos brasileiros, com o improviso dos músicos repentistas do Nordeste e com as tradicionais cantigas de roda. Assim, foi conhecendo o Brasil e as expressões artísticas naturais do povo, com elementos indígenas e folclóricos. Tudo isso contribuiu para que suas composições tivessem traços marcadamente brasileiros. Mas os críticos da época achavam que suas obras eram ousadas e “modernas” demais. Villa-Lobos estava à frente de seu tempo.

Durante a Semana de Arte Moderna de 1922, as composições de Villa-Lobos foram marcantes na programação. Contam que entrou no palco de casaca e chinelos, por causa de uma crise de ácido úrico que o impediu de usar sapatos. O público achou que aquilo era uma provocação. Villa-Lobos foi vaiado em alguns momentos.

Reconhecimento do trabalho

Villa-Lobos recebeu o auxílio de um mecenas (pessoa que apoia financeiramente os artistas), o carioca Carlos Guinle. Com isso passou uma temporada na Europa, de 1927 a 1930. Na volta, realizou uma turnê por 66 cidades brasileiras apresentando seu trabalho.

Algumas de suas composições de destaque são Cair da tarde, Evocação, Miudinho, Melodia sentimental, Quadrilha, O canto do uirapuru e Bachianas brasileiras (que inclui a música chamada “Trenzinho caipira”, a qual imita o movimento e os ruídos de uma locomotiva com os instrumentos de uma orquestra). A melodia do “Trezinho” recebeu letra do poeta brasileiro Ferreira Gullar.

Villa-Lobos compôs muitas obras para piano, instrumento que só aprendeu a tocar quando era adulto. A maioria dessas obras foi feita para crianças, como Brinquedo de roda, Petizada, Histórias da Carochinha e Cirandinhas. Também revolucionou a educação musical de crianças nas décadas de 1930 e 1940, principalmente com um projeto de canto coral (ou orfeônico).

Heitor Villa-Lobos obteve reconhecimento nacional e internacional por sua obra. Entre outros, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Nova York. Fundou a Academia Brasileira de Música, da qual foi o primeiro presidente. Villa-Lobos morreu no dia 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.