São Jorge 

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São Jorge e o dragão.
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São Jorge foi um dos primeiros mártires cristãos. Durante a Idade Média, tornou-se um símbolo do valor militar e da abnegação. A vida e os feitos de São Jorge não tem confirmação histórica, mas as lendas sobre ele como santo guerreiro, datadas do século VI, tornaram-se populares e cada vez mais extravagantes.

São Jorge foi um dos primeiros mártires cristãos. Durante a Idade Média, tornou-se um símbolo do valor militar e da abnegação. A vida e os feitos de São Jorge não tem confirmação histórica, mas as lendas sobre ele como santo guerreiro, datadas do século VI, tornaram-se populares e cada vez mais extravagantes.

Diz a lenda que Jorge nasceu na região da Capadócia, onde hoje é a Turquia, e que ainda criança perdeu o pai e foi com a mãe para a Palestina. Recebeu uma boa educação e entrou para o exército romano. Quando tinha 23 anos virou tribuno militar, residindo na corte imperial, em Nicomédia (na atual Turquia). Ficou tocado ao ver a forma como os cristãos eram tratados e resolveu doar para os pobres todos os seus bens e a fortuna que a mãe havia lhe deixado.

Manifestou-se contrário a uma decisão do imperador Diocleciano (que pretendia aniquilar o cristianismo) e disse serem falsos todos os deuses adorados nos templos de então. Foi preso e torturado para renegar sua fé e, como não conseguiram que fizesse isso, acabou sendo condenado à morte. Foi decapitado no dia 23 de abril de 303 (data estimada).

Na arte, o santo é frequentemente retratado como um jovem vestindo uma armadura de cavaleiro, com a cruz vermelha estampada. Também é quase sempre representado matando um dragão com sua longa lança. Uma das lendas principais sobre São Jorge conta que ele matou um dragão feroz que aterrorizava a Capadócia.

Santo padroeiro de países

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra. Acredita-se que foram os cruzados que, no século VIII, voltando da Terra Santa, popularizaram seu culto (diz-se que foi visto ajudando os francos na batalha de Antioquia, em 1098). Ele provavelmente foi reconhecido como patrono da Inglaterra pelo rei Eduardo III, em 1330. Também foi adotado como patrono de várias outras potências medievais, como Portugal, Gênova e Veneza.

Com o fim da era da cavalaria e o surgimento da Reforma protestante, o culto a São Jorge definhou. Sua festa, comemorada no dia 23 de abril, foi ganhando menor importância no calendário da Igreja da Inglaterra. Na década de 1960, a Igreja Católica deixou de confirmar sua condição de santo, por não haver prova de sua existência real. No entanto, como muitos fiéis continuaram a venerá-lo como um dos santos mais populares do catolicismo, a Igreja declarou que seu culto seria opcional nos lugares onde já era tradicionalmente venerado. Foi reabilitado em 2000, pelo papa João Paulo II.

Em Portugal e no Brasil

Acredita-se que foram os cruzados ingleses, que ajudaram o rei dom Afonso Henriques a conquistar Lisboa, em 1147, que implantaram a devoção a São Jorge em Portugal. Mas foi apenas no reinado de dom João I, devoto do santo, que São Jorge passou a patrono de Portugal. Em 1387, sua imagem a cavalo era presença obrigatória na procissão de Corpus Christi, tradição que passou para o Brasil.

Aqui, seu culto, que já era popular, tornou-se ainda mais disseminado depois que os escravos africanos associaram sua imagem à de alguns de seus orixás. Na umbanda, São Jorge é Ogum; no candomblé, é Oxóssi, um orixá guerreiro, associado à Lua — crença ligada à tradição popular de que as manchas que aparecem na Lua representam o milagroso santo com seu cavalo e sua espada e até o dragão.