Os primeiros povos da América já viviam no continente milhares de anos antes da chegada dos exploradores europeus. Esses povos são conhecidos como índios, nativos americanos ou indígenas. No Canadá também são chamados de Primeiras Nações. Muitos desses povos ainda vivem no continente.

Povos árticos, como os esquimós (inuítes) e os aleútes, viveram (e ainda vivem) nas áreas mais longínquas do norte da América do Norte. Muitos outros povos viveram na região em que hoje ficam o Canadá e os Estados Unidos. Os astecas, os maias, os caraíbas e os incas viveram no México, na América Central (no continente e nas Antilhas) e na América do Sul (na região dos Andes).

No Brasil, diferentes nações indígenas se espalhavam pelo território do país. Os portugueses mantiveram maior contato com os tupis-guaranis, que habitavam a faixa litorânea.

Primeiros povos da América

Os primeiros povos da América provavelmente vieram da Ásia para o Alasca. Os cientistas acreditam que isso ocorreu entre 60 mil e 20 mil anos atrás. Durante esse período, possivelmente havia terra firme onde hoje se encontra o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte. Por volta de 10000 a.C., esses povos se espalharam pelas Américas do Norte, Central e do Sul. Alguns dos primeiros povos da América do Norte caçava grandes animais, como o mastodonte, já extinto. Outros pescavam e juntavam sementes e plantas silvestres. Com o tempo, alguns povos começaram a se dedicar à agricultura.

Povos da América do Norte

Os povos da América do Norte formavam mais de 240 grupos ou nações. Eles falavam línguas diferentes, mas seu modo de vida era semelhante.

Os chipewyans e os crees viviam na região ao sul do Ártico, onde hoje estão o Canadá e o Alasca. Eles dependiam da rena, do alce e dos castores para se alimentar, além de confeccionar tendas e roupas com as peles dos animais.

Entre os nativos do leste da América do Norte estavam os iroqueses, no norte, e os creeks, no sul. Eles usavam cascas e galhos de árvores para construir casas, armas, ferramentas e canoas. Suas roupas eram confeccionadas com peles de veado e de outros animais. Eles caçavam, pescavam e colhiam plantas e frutos, além de plantar milho, abóbora, feijão e tabaco.

Entre os povos das Grandes Planícies do centro da América do Norte se destacavam os cheienes e os sioux. Nos pastos naturais dessa região viviam enormes rebanhos de animais, como alces, cervos, antílopes e bisões. Os nativos obtinham dos bisões quase tudo de que precisavam para viver. Eles comiam sua carne, faziam roupas com sua pele e construíam ferramentas usando seus ossos.

Os índios pueblos e navajos viviam na região árida do sudoeste dos Estados Unidos. Eles aprenderam a cultivar grãos usando pouquíssima água. Alguns construíam suas casas com pedras e adobe, um tipo de barro. Outros viviam em moradias mais simples.

Muitos grupos de índios habitavam a costa oeste dos Estados Unidos, vivendo da caça e da pesca. Os chumashs construíam casas em forma de cúpula. Já as moradias dos miwoks tinham uma parte que ficava embaixo da terra.

Os atuais estados de Nevada e de Utah, no sudoeste árido do país, foram o refúgio de grupos como os shoshones.

Ao norte dessa região viviam os nez-percés, os cabeças-chatas (flatheads) e outros grupos. Eles caçavam e pescavam. No inverno, viviam em aldeias; no verão, acampavam em tendas.

Na costa noroeste, uma área que se estende entre a atual Califórnia e o Alasca, viviam os tlingits e os kwakiutls, entre outros povos. Eles pescavam no mar e nos rios. Alguns povos caçavam baleias. Esses grupos construíam casas grandes e canoas de madeira resistentes.

No sul do México (na América do Norte), bem como na Guatemala, em Honduras e em Belize (na América Central), viveu uma grande civilização, a dos maias, um povo pré-colombiano.

Povos pré-colombianos

Os habitantes da América Central e da região dos Andes que já ocupavam essas áreas antes da chegada de Cristóvão Colombo (e de outros europeus) são chamados de povos pré-colombianos. O nome “pré-colombiano” significa “antes de Colombo”.

Os maias formavam uma civilização avançada, organizada em cidades-estado. Eles tinham uma escrita hieroglífica e uma agricultura bem desenvolvida. Além dos maias, houve mais duas culturas importantes na época: os incas e os astecas.

Os astecas viviam no México. Ao chegar à região, encontraram os toltecas e se misturaram a eles. Sua grande atividade era o comércio, que realizavam com produtos luxuosos negociados com outros povos da América do Norte e com os da América Central.

Os incas, a mais avançada dessas três civilizações, viviam nos planaltos andinos, ocupando a região que corresponde ao Equador, à Colômbia, à Venezuela, ao Peru, à Bolívia e ao Chile. Dedicavam-se à agricultura e ao pastoreio e viviam em aldeias. Resistiram à invasão e ao domínio espanhol durante quarenta anos. Seu último imperador foi Tupac Amaru, que morreu em 1572. Com ele, terminou o Império Inca.

Povos indígenas do Brasil

A primeira classificação dos povos indígenas nativos do Brasil estabeleceu quatro grupos ou nações, considerando os idiomas falados: os tupis-guaranis, os jês ou tapuias, os aruaques ou maipurés e os caraíbas ou caribes. Calcula-se que aproximadamente 5 milhões de índios viviam no Brasil quando os portugueses chegaram.

Os portugueses tiveram mais contato com os tupis-guaranis, que viviam no litoral. Todo o interior do vasto território brasileiro permaneceu inexplorado. Até o século XX existiam povos indígenas que nunca haviam tido contato com o homem branco.

Os tupis-guaranis viviam em aldeias populosas, que tinham de 500 a 750 habitantes. Praticavam a caça, a pesca e a coleta de raízes e frutos, além da agricultura.

O Brasil tem cerca de 220 povos indígenas, de diferentes grupos étnicos. São cerca de 180 as línguas faladas por eles. No Brasil, no dia 19 de abril se comemora o Dia do Índio.

É importante a influência dos índios na cultura brasileira. O idioma português falado no Brasil incorporou muitas palavras indígenas. A forte expressão artística dos diversos povos, com domínio do uso da cor, é uma riqueza valorizada pelos brasileiros. Na culinária, a mandioca, a pipoca, o mingau, a tapioca, o pirão e o beiju são de origem indígena, assim como o hábito do banho diário. Nos cuidados com a saúde, os brasileiros aprenderam com os índios a usar os remédios naturais das plantas, em forma de chás, xaropes e compressas. Na música, nos cantos, no uso da rede, no artesanato e em muitas outras coisas, a cultura brasileira mostra sinais da presença indígena.

Os índios e os europeus

O navegador italiano Cristóvão Colombo foi o primeiro europeu a chegar à América, em 1492. Os europeus chamaram os habitantes que encontraram na região de “índios” porque pensavam que tinham desembarcado na Índia (na Ásia).

Os europeus trouxeram legumes, frutas e animais. O cavalo provocou grande mudança na vida dos nativos. Grupos montados a cavalo podiam viajar longas distâncias e caçar mais facilmente do que a pé. Os nativos receberam muito bem outros produtos, como espelhos, facas e ferramentas de metal.

Mas os europeus também trouxeram doenças, como o sarampo e a varíola. Muitos nativos não resistiram a essas doenças porque nunca haviam sido expostos a elas. Eles não tinham anticorpos contra as doenças trazidas da Europa. Por isso, muitos povos foram rapidamente dizimados.

No século XVII, um grupo de refugiados religiosos imigrou da Inglaterra para o leste da América do Norte. Eles ocuparam as terras indígenas. Para os índios, a terra era uma propriedade coletiva, de uso geral. Mas os colonos ingleses tinham outra visão. Para eles, cada indivíduo tinha sua própria terra. E, assim, foram tomando as terras dos nativos.

A mesma coisa ocorreu em outras regiões da América. Os espanhóis dominaram os astecas, os incas e vários outros povos nativos. Os portugueses unificaram o território brasileiro, dominando e escravizando os povos indígenas.

Muitas guerras aconteceram entre os colonos europeus e os indígenas. Os colonizadores venceram os confrontos decisivos e estabeleceram os países que hoje existem no continente americano.

Terras e reservas indígenas

Nos Estados Unidos

Em 2010, a população indígena dos Estados Unidos era de aproximadamente 2,9 milhões (esse número inclui os esquimós e outros povos do Ártico). Eles representam cerca de 1 por cento da população do país. Um terceiro mora próximo às reservas ou nessas áreas demarcadas pelo governo. Além deles, cerca de 2,3 milhão de norte-americanos têm algum ancestral indígena.

Os nativos continuam lutando pelo respeito à sua história e à sua cultura. Nos Estados Unidos, muitos movem ações contra o governo para reivindicar as terras tomadas de seus ancestrais.

Diversos índios do oeste dos Estados Unidos foram viver nas reservas criadas pelo governo. Mas as reservas eram pequenas ou ficavam em local diferente daquele em que o povo vivia. Suas condições eram de pobreza. Muitos povos ficaram desenraizados e foram abandonando suas tradições culturais. Com isso, perderam suas referências.

Em 1934, o governo começou a mudar o tratamento dado aos índios. Foi aprovada uma lei que concedeu aos povos indígenas mais poder sobre suas terras. Mesmo assim, muitos nativos têm motivos para discordar do tratamento que o governo lhes dá, por isso continuam a fazer novas reivindicações.

No Brasil

Em 1961 foi criado o Parque Nacional do Xingu, hoje chamado Parque Indígena do Xingu. Seus idealizadores foram os irmãos Cláudio e Orlando Vilas-Boas. Vivem no parque aproximadamente 6.150 índios (dados da Fundação Nacional de Saúde, Funasa, de 2009) de catorze etnias diferentes, ligadas aos troncos linguísticos tupi e macro-jê. O parque ocupa uma área de 2.600 hectares, no estado de Mato Grosso, entre o planalto Central e a floresta Amazônica.

Terras indígenas e reservas indígenas não são a mesma coisa. Em 1973 foi aprovado o Estatuto do Índio. Ele estabeleceu três categorias de terras indígenas: terras ocupadas tradicionalmente, terras reservadas e terras de domínio dos índios.

As terras reservadas se subdividem em: reserva indígena propriamente dita, colônia agrícola indígena (com população mista, indígena e não indígena), território federal indígena (com um terço da população formado por índios) e parque indígena (inspirado no Parque Indígena do Xingu).

A Constituição brasileira de 1988 avançou bastante na questão indígena. Reconheceu os índios como primeiros habitantes do país, com direito a usufruto exclusivo das riquezas, do solo, dos rios e dos lagos existentes em suas terras. Mas eles não têm a posse delas, o que significa que não podem vendê-las nem deixar que sejam exploradas por quem não seja índio. O processo de demarcação dessas terras é complicado, porque mexe com os interesses de outros grupos populacionais. Muitos agricultores implantaram fazendas em locais considerados terras indígenas. Por exemplo, os índios potiguara de Monte Mor, na Paraíba, lutaram pela demarcação de suas terras depois de mais de dez anos de conflitos com fazendeiros e usineiros. Finalmente, em 2007, o governo federal assegurou-lhes 7.487 hectares de terras naquela região. No Mato Grosso do Sul, conflitos violentos vêm ocorrendo entre o povo guarani-kaiowá e produtores rurais, em função da demarcação e retomada de terras indígenas atualmente ocupadas por fazendas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) registra 462 terras indígenas regularizadas, que correspondem a 12,2 por cento do território brasileiro (dados do início de 2017). A população indígena brasileira é de 896.917 habitantes (censo de 2010).

Translate this page

Choose a language from the menu above to view a computer-translated version of this page. Please note: Text within images is not translated, some features may not work properly after translation, and the translation may not accurately convey the intended meaning. Britannica does not review the converted text.

After translating an article, all tools except font up/font down will be disabled. To re-enable the tools or to convert back to English, click "view original" on the Google Translate toolbar.