Antônio Francisco Lisboa foi um escultor e arquiteto brasileiro que viveu entre os séculos XVIII e XIX. O artista se tornou conhecido como Aleijadinho devido a uma doença degenerativa que o atacou quando ele tinha cerca de 40 anos de idade.

Suas esculturas, bem como as igrejas que projetou e decorou, podem ser vistas nas cidades históricas de Ouro Preto, São João del Rei, Congonhas (então chamada Congonhas do Campo) e Sabará, além de outras localidades mineiras.

Estilo

Aleijadinho é considerado o mais importante artista plástico do período colonial brasileiro. O estilo de suas obras está relacionado ao barroco e ao rococó. Os principais materiais utilizados por ele eram a madeira e a pedra-sabão.

Alguns estudiosos dividem sua obra em duas fases: antes da doença e após a doença. A primeira fase seria caracterizada por figuras mais serenas e equilibradas; a segunda, por obras mais intensas e expressionistas.

Vida e obra

Sabe-se que Lisboa nasceu em Vila Rica (atual Ouro Preto), no estado de Minas Gerais, embora o ano ainda seja duvidoso: 1730 ou, segundo pesquisas mais recentes, 1737. Antônio era filho do mestre de obras português Manuel Francisco Lisboa, um dos primeiros a projetar construções em Minas Gerais, e de uma escrava de nome Isabel. Seu tio, Antônio Francisco Pombal, era um famoso entalhador de Vila Rica. Aleijadinho cursou apenas os primeiros anos escolares. Acredita-se que tenha começado a aprender a profissão ainda criança, trabalhando com o pai e com o tio.

Segundo alguns de seus biógrafos, antes da doença, Antônio era um homem alegre e extrovertido. Em 1777 foi diagnosticada a enfermidade que transformou seu corpo e sua personalidade (até hoje os estudiosos divergem sobre qual seria essa doença). Os pés e as mãos do artista se deformaram. Com o avanço da enfermidade, ele perdeu os dedos e quase todos os dentes. Seu rosto também se deformou.

Conta-se que se locomovia de joelhos, utilizando proteções de couro, ou era carregado. Para esculpir, amarrava os instrumentos aos punhos. Antônio se tornou amargo e raivoso. Passou a evitar o contato com a maioria das pessoas e a usar casacos longos para esconder o corpo.

Mesmo com todas essas dificuldades, ele produziu um grande número de trabalhos artísticos, dentre eles várias obras-primas. Suas esculturas mais famosas são doze profetas bíblicos esculpidos em pedra-sabão — Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Jonas, Joel, Abdias, Habacuc, Amós e Naum — e 66 imagens de madeira que compõem a via-sacra de Jesus. Esses dois conjuntos de esculturas estão no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.

Os profetas foram esculpidos em tamanho natural e ficam em frente ao santuário. A obra levou cinco anos para ficar pronta e é objeto de diversas leituras e interpretações. Muitos estudiosos atribuem diferentes significados à posição, aos gestos e às demais características dos profetas.

Junto ao santuário, Aleijadinho projetou seis capelas, três de cada lado, denominadas Os passos da Paixão de Cristo (1796–99). Em cada capela, um conjunto de esculturas representa as estações (etapas) da via-sacra de Jesus: a Santa Ceia, o Horto das Oliveiras, a Prisão de Cristo, a Flagelação e a Coroação de Espinhos, a Subida ao Calvário e a Crucificação.

Como arquiteto, Aleijadinho realizou, entre outras obras, a primorosa fachada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Na mesma cidade está a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, projetada e construída por seu pai. Nela hoje fica o Museu Aleijadinho, no qual estão guardados objetos históricos e os restos mortais do artista.

Aleijadinho morreu em 1814, na mesma cidade em que nasceu. Apesar de sua grande produção, o artista morreu pobre, e sua obra ficou esquecida durante muitos anos. No início do século XX, seu trabalho foi redescoberto e ganhou destaque. Em 1985, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incluiu os doze profetas de Congonhas na lista de patrimônios culturais da humanidade — bens de grande valor que devem ser preservados.

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