A Amazônia é uma região tão grande que, se fosse um país, seria o sexto maior do mundo. Ela abrange, no Brasil, os cinco estados da região Norte, a maior parte do Maranhão, o norte de Mato Grosso e cinco municípios de Goiás. Na América do Sul, ocupa grande parte de vários outros países além do Brasil: Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Sua área total é de 7,5 milhões de km2 e a população é de 38.700.000 habitantes (estimativa de 2010).

Geografia

A Amazônia ocupa 59,1 por cento do território do Brasil, abrangendo 775 municípios, onde vivem 24 milhões de pessoas (censo de 2010). Essa extensa área é formada pela bacia do rio Amazonas — a maior do planeta, composta por 25.000 quilômetros de rios navegáveis — e pela floresta Amazônica — a maior do mundo. É nela que se encontram também as montanhas mais altas do Brasil: o pico da Neblina (o mais elevado do país, com 3.014 metros), o pico 31 de Março (2.992 metros), ambos no estado do Amazonas, e o monte Roraima (2.875 metros), no estado de Roraima.

Os rios amazônicos são longos e largos, com grande volume de água. Os riachos, que nascem na mata e deságuam em rios, são chamados de igarapés, ou furos — pois são como um furo na mata.

O clima é equatorial — quente e úmido, com poucas variações de temperatura (a média é superior a 25°C). No sudoeste da Amazônia, contudo, ocorre entre maio e agosto o fenômeno da friagem, em que frentes frias vindas do Sul fazem a temperatura baixar repentinamente. No Acre, alguns dias por ano chegam a registrar 15°C ou menos. Existem apenas duas estações definidas: a seca (ou melhor, menos chuvosa) e a chuvosa, que são chamadas respectivamente de verão e inverno.

A estação das chuvas é a mais longa: em geral, vai de outubro a abril. Nesse período, extensas áreas de várzea ficam cobertas pela água dos rios. As matas e os campos inundados são chamados de igapós. Os animais se abrigam no alto das árvores ou correm para locais mais altos, não alagados. Nos meses menos chuvosos (de maio a setembro), os rios baixam: é então que os animais e a vegetação podem ser observados.

Flora

Na floresta Amazônica se encontra a maior biodiversidade do planeta: 20 por cento das espécies animais e vegetais conhecidas estão lá.

A flora é tão variada que em 1 hectare (10.000 metros quadrados) de terra podem ser encontradas de quarenta a trezentas espécies de árvores diferentes. Essa riqueza vegetal fantástica inclui um terço de toda a madeira tropical do mundo (mogno, ipê, cedro, jatobá), castanheiras (as árvores da castanha-do-pará), seringueiras (as árvores da borracha) e flores aquáticas como a vitória-régia. A Amazônia contém uma imensa área verde — cerca de 3.650.000 quilômetros quadrados de matas contínuas, a maior floresta tropical do planeta. Essa área regula não apenas o clima local, mas também o de regiões situadas a milhares de quilômetros de distância.

Fauna

A onça-pintada, ou jaguar, é o mamífero mais representativo da floresta, ao lado de pássaros, antas, capivaras, caititus, macacos, veados, cobras e jacarés. É na Amazônia que se encontra uma das maiores concentrações de aves do mundo, a maior quantidade e variedade de borboletas e o maior e mais extraordinário conjunto de insetos da Terra. Entre as aves, destacam-se araras, papagaios, tucanos, harpias e urubus-reis (que têm a cabeça colorida).

Nos rios e igarapés vivem 3 mil espécies de peixes. Uma delas é o pirarucu, que chega a medir 8 metros e é o maior peixe de escamas de água doce do mundo. Existem também peixes carnívoros, como o poraquê (ou peixe-elétrico) e a piranha. Um cardume de piranhas pode devorar um boi inteiro, ou mais. Diversos animais vivem nos rios: boto, jacaré, tartaruga-do-amazonas (a maior tartaruga de água doce do mundo), ariranha (a maior lontra do mundo) e capivara (o maior roedor do mundo). Na água também vivem as sucuris, cobras de até 9 metros que se enrolam na vítima, trituram seus ossos e depois a engolem. O peixe-boi, um raro mamífero aquático, chega a pesar 700 quilos, mas é herbívoro e dócil. É muito procurado pela carne, banha e couro.

População

A maioria da população é cabocla, mestiça de índios e brancos. Apesar de restarem apenas cerca de 400 mil índios na Amazônia (estimativa de 2009), a cultura indígena é marcante. Está presente na culinária — pratos com farinha de mandioca, peixe e açaí —, na tradição de dormir em rede, no conhecimento dos rios e da floresta, na medicina das plantas, na forma de caçar e pescar, no artesanato feito de folhas de palmeira etc. Grande parte da população vive na zona rural, em casas construídas nas margens dos rios sobre palafitas, que as protegem das inundações dos rios. Muitas vezes, porém, a cheia é tão forte que invade as casas, mesmo elevadas. O principal meio de transporte é a canoa, usada para pescar, e a gaiola, barco grande e fechado que transporta pessoas e mercadorias.

Economia

No final do século XVII, foi descoberta a borracha (ou látex) na Amazônia. Devido a seu emprego na indústria nacional e internacional como matéria-prima para diversos produtos — desde borrachas escolares e elásticos até luvas, botas e pneus —, a borracha tornou-se a principal fonte de renda da região. Habitantes de vários estados do Brasil e de outros países latino-americanos, como a Bolívia e o Peru, migraram para a floresta Amazônica, onde se tornaram seringueiros. O trabalho do seringueiro consiste em fazer incisões (cortes) no tronco da seringueira e recolher o látex que escorre dali.

A riqueza gerada pela borracha trouxe um luxo que contrastava com a vida rude da selva. Em Belém, foi construído o Teatro da Paz. Em Manaus, foi erguido o Teatro Amazonas — réplica do teatro da Ópera de Paris —, onde eram representadas óperas e peças de companhias estrangeiras. Belém se urbanizou rapidamente. Enriquecidos, os donos dos seringais construíram belos palacetes na cidade. Em 1871, foi fundado o Museu Paraense Emílio Goeldi, um dos principais centros de estudo da natureza e de pesquisas arqueológicas do Brasil.

No entanto, no fim do século XIX, sementes de seringueira foram levadas pelos ingleses e plantadas em suas colônias do sul da Ásia, dando origem a seringais organizados muito mais produtivos do que a coleta na floresta. A borracha amazônica deixou de ser comprada e a maioria dos seringais brasileiros foi abandonada. Outras riquezas surgiram, como a castanha-do-pará e o pau-rosa (madeira aromática usada em móveis e perfumes), mas nenhuma delas pôde se comparar com a força econômica gerada pela borracha.

A Amazônia tem minas de diamante e cristal, além de reservas de ferro, manganês, bauxita, alumínio, linhita, sal-gema, petróleo e gás. A indústria produz tecidos de juta, minerais, madeira serrada, borracha, cimento e bebidas. Em 1967, foi criada a Zona Franca — uma área de livre comércio — em Manaus, para desenvolver a Amazônia ocidental. Ela se tornou um centro comercial e industrial que abriga cerca de quinhentas fábricas nacionais e multinacionais.

História

Em 1494, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, que dividia a América do Sul entre os dois países. Por esse tratado, a região amazônica pertencia à Espanha. No entanto, por meio de expedições como a do bandeirante Raposo Tavares (entre 1648 e 1651) e a de exploração científica liderada por Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792), Portugal conseguiu expandir as fronteiras do Brasil e conquistou grande parte da Amazônia. A primeira dessas expedições, no entanto, foi a do português Pedro Teixeira, que, em 1636, partiu de Belém do Pará com quarenta barcos e milhares de homens (quase todos indígenas), percorrendo o rio Amazonas em direção ao interior. Ao fim da jornada, atravessou os Andes e chegou, dois anos depois, à cidade de Quito, no Equador. Depois, fez a viagem em sentido inverso e retornou a Belém em 1639, após ter tomado posse de grande parte da Amazônia para Portugal e por consequência, posteriormente, para o Brasil.

Devido à distância e à dificuldade de transporte, a Amazônia permaneceu isolada até a proclamação da República, em 1889. Mesmo assim, os povos indígenas que lá viviam já haviam sido praticamente exterminados nas tentativas de escravização e nos massacres promovidos por colonos. Apesar disso, a Amazônia teve grande participação dos índios na formação da população, na cultura e na economia. No Brasil, é a região em que a cultura indígena é mais marcante.

A floresta Amazônica sempre despertou o interesse e a cobiça de outros países. Por esse motivo, desde o século XVIII, a região recebeu diversas expedições científicas europeias, como a de Alexandre von Humboldt, de 1799 a 1804. Em seguida, vieram os cientistas Spix, Von Martius e Coudreau. O explorador e naturalista Henry Walter Bates começou a explorar a Amazônia em 1848. Quando Bates voltou para a Inglaterra em 1859, levou consigo exemplares de 14 mil espécies (principalmente insetos), das quais mais da metade eram novas para a ciência. No século XX, houve uma proposta de internacionalizar a Amazônia, de modo que ela não pertencesse mais às nações em que se encontra, e sim a todos os países do mundo. Mas essa proposta não foi aceita. Atualmente, o mundo todo se acha voltado para a preservação da Amazônia.

Ameaças à floresta

A sobrevivência da floresta Amazônica é ameaçada pelo desmatamento promovido pelo ser humano, por meio de queimadas e cortes de árvores. A floresta dá lugar ao crescimento das cidades e das atividades extrativistas, agropecuárias e industriais. Sem controle, essas atividades podem acabar com a mata. A solução mais debatida para tentar conter o desmatamento é o desenvolvimento sustentável.

Desenvolvimento sustentável

Desenvolvimento sustentável é aquele que permite que a riqueza da região permaneça para as gerações futuras. Para se conseguir isso, deve-se seguir o ciclo da floresta, que permite recompor os recursos que retiramos dela. As formas de trabalho que respeitam os recursos da natureza são chamadas de manejo florestal.

O manejo florestal garante a produção de madeira a longo prazo. Como a madeira não é desperdiçada, a produtividade aumenta. As árvores menores não são derrubadas, e mudas devem ser plantadas no local das árvores cortadas. Com isso, a maior parte da diversidade vegetal se mantém e o impacto sobre os animais é menor

A sustentabilidade melhora a vida das populações que vivem da floresta — mais de 20 milhões de índios, ribeirinhos, seringueiros e pequenos produtores —, sem agredir a natureza. Além disso, contribui para evitar mudanças ecológicas e climáticas.

Viver da floresta

Os ribeirinhos estão aprendendo a lucrar com a selva sem a destruir. Os galhos que caem das árvores e os tocos de madeira são transformados em utensílios e brinquedos; as sementes se tornam bijuterias, como colares e brincos; e das sobras de açaí se faz artesanato. Para manter o solo produtivo, o plantio da mandioca tem sido alternado com o de árvores frutíferas. Esses são apenas alguns exemplos, mas as possibilidades são muitas.

Cientistas do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7) têm se dedicado a pesquisas nessa área. Difundir o desenvolvimento sustentável em larga escala é fundamental, pois cerca de 17 por cento da floresta já foram destruídos, segundo dados de 2009.

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