Ana Maria Machado é autora de mais de cem obras para crianças e jovens. Ocupa a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2003 e é uma das mais premiadas escritoras de livros de literatura infantil do Brasil. Entre os inúmeros prêmios que recebeu está o Hans Christian Andersen, considerado o equivalente ao Nobel na área da literatura infanto-juvenil, que lhe foi dado em 2000 e que é concedido a cada dois anos na Dinamarca. Além disso, recebeu pelo conjunto de sua obra, em 2001, o Prêmio Machado de Assis, o mais importante da ABL.

Sonho e realidade

Ana Maria Machado nasceu no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, no dia 24 de dezembro de 1941. Quando criança, não sonhava em ser escritora; queria era ser artista de cinema. Mas achava mesmo que ia ser professora.

Gostava de pintar e dedicou-se muitos anos a isso, fazendo cursos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MoMA de Nova York. Também estudou Letras na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Foi professora em colégios e faculdades.

Foi presa em 1969 pelo regime militar que controlava o Brasil. Solta, saiu do país, indo primeiro para Paris e depois para Londres. Trabalhou para a revista Elle em Paris, onde também deu aulas de língua portuguesa na Universidade Sorbonne. Foi lá que concluiu sua tese de doutorado em linguística e semiologia. Trabalhou também no Serviço Brasileiro da emissora BBC de Londres.

Memória e imaginação

Quando foi para a Europa, Ana Maria Machado já tinha escrito algumas histórias infantis para a revista Recreio, para crianças, e continuou colaborando com essa publicação. Voltou para o Brasil em 1972 e começou a trabalhar como jornalista em diversos veículos de comunicação, como os jornais Correio da Manhã, O Globo e Jornal do Brasil e a Rádio JB, além de colaborar com revistas e semanários.

Seu primeiro livro, publicado em 1976, foi para adultos (Recado do nome). Em 1977, com 36 anos, publicou o primeiro livro infantil, Bento que bento é o frade. Nesse mesmo ano ganhou seu primeiro prêmio, o João de Barro, com o livro História meio ao contrário. Nesse livro, a protagonista Nita contesta a tradicional brincadeira “fazer tudo o que seu mestre mandar” entre os amigos. E essa seria uma marca de Ana Maria Machado: um tom sempre questionador.

Em 1979 publicou Raul da ferrugem azul, que mostra as marcas deixadas pela violência do cotidiano. Em 1980, ganhou o Prêmio Casa de las Américas, concedido em Cuba. Achou que era hora de deixar o jornalismo e de se dedicar apenas a escrever suas histórias. Vieram então muitos livros mais.

Em Bisa Bia, bisa Bel (1982), uma de suas obras mais famosas, uma menina chamada Bel conta uma história que entrelaça passado, presente e futuro. A narrativa parece uma conversa informal (um bate-papo) da protagonista, Bel, com um leitor cúmplice. Ao encontrar certo dia uma fotografia antiga da bisavó Beatriz nas coisas da mãe, a menina passa a levar o retrato da bisa Bia para todos os lugares, até que a foto fica colada, “igualzinho a uma tatuagem”, na garota.

Em Gente, bicho, planta (1984), já despertava a conscientização ecológica. Em O menino que espiava pra dentro (1983), extrapolou os limites entre real e imaginário no mundo infantil. E, em Menina bonita do laço de fita (1986), questionou o preconceito na sociedade.

Cada escritor segue diferentes caminhos no processo de criação de suas histórias. Ana Maria Machado diz que memória e imaginação são o começo para escrever suas histórias. Presta atenção no que vê, reflete a respeito e deixa a cabeça solta para ir inventando outras coisas. Assim, todas as suas histórias têm coisas verdadeiras e coisas inventadas.

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