Anita Malfatti foi uma das mais importantes pintoras brasileiras. Sua obra é considerada uma importante semente da eclosão da Semana de Arte Moderna de 1922, que impulsionou o movimento modernista no Brasil.

Juventude

Anita nasceu em 2 de dezembro de 1889, em São Paulo. Sua mãe era Eleonora Elizabeth Krug, nascida nos Estados Unidos mas de família alemã radicada na cidade de Campinas; seu pai, Samuel Malfatti, era um engenheiro italiano que, depois de passar pela Argentina, se radicou também em Campinas.

Anita tinha uma atrofia congênita no braço e deformações na mão direita, por isso sempre escondia essa mão com um lenço. Assim, desenvolveu suas aptidões de escrita e de desenho com a mão esquerda. Sua mãe, que pintava e desenhava, incentivou a filha nos primeiros contatos com as artes.

Alemanha e Estados Unidos

O pai de Anita morreu pouco depois de ela ter conquistado seu diploma de normalista (professora) aos 17 anos. Anita começou a dar aulas para ajudar a mãe a pagar as despesas de casa. Seu tio e padrinho Jorge Krug financiou uma viagem para a Alemanha, a fim de que desenvolvesse o talento para a pintura. Era o ano de 1910, ano marcante para a arte moderna alemã. Lá, ela conheceu movimentos de vanguarda como o expressionismo e o cubismo e teve aulas de pintura com importantes artistas e professores. Com a proximidade da Primeira Guerra Mundial, decidiu voltar ao Brasil.

Então, novamente seu tio financiou sua ida, dessa vez para os Estados Unidos, onde conheceu o trabalho experimental de muitos outros artistas. Ficou lá por dois anos.

Esses movimentos e essas experimentações influenciaram bastante a obra da pintora. Seus quadros eram marcados por pinceladas largas e cores que fugiam do naturalismo (por exemplo, a cor do cabelo de uma mulher poderia ser verde, e não marrom), além da deformação das figuras.

Exposição de 1917

Em 1917, incentivada pelo pintor Di Cavalcanti, Anita fez uma importante exposição individual em São Paulo. Não foi numa galeria de arte, mas num sobrado do centro da cidade. No local estavam 53 obras da pintora, telas que depois ficaram famosas, como O homem amarelo, Mulher de cabelos verdes, A boba e Uma estudante.

O evento chamou a atenção de artistas e de intelectuais como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, que encabeçaram o movimento modernista no Brasil. Também ajudou a fazer germinar o projeto da Semana de Arte Moderna de 1922.

Mas os quadros de Anita Malfatti foram duramente criticados pelo público e pela imprensa. Naquela época, as pessoas não estavam acostumadas com pinturas pouco realistas e acadêmicas. Tudo tinha que ser uma “cópia” perfeita da natureza e da realidade. Ver seus trabalhos, que expressavam sua alma, tão incompreendidos e criticados a entristeceu grandemente. O escritor paulista Monteiro Lobato, que na época escrevia no jornal O Estado de S. Paulo, criticou duramente a exposição de Anita.

Paris e Diadema

Na Semana de 1922, o maior espaço para uma exposição artística foi reservado a ela. Alguns de seus trabalhos foram disputados por compradores. Em 1923, com 33 anos, Anita viajou para Paris, com uma bolsa de estudos. Viveu lá por cinco anos. Quando voltou, o ambiente artístico era outro, com novos movimentos e artistas muito variados. Em 1929, Anita fez uma exposição individual de seus trabalhos com o que tinha produzido e aprendido na França. Em seguida decidiu dedicar-se mais ao magistério (dar aulas).

Em 1945, depois da morte da mãe e de seu maior amigo, Mário de Andrade, realizou mais uma exposição individual. O que expôs então mostrava uma nova fase de sua vida artística. Anita dedicava-se a observar e pintar o povo brasileiro, seus usos e costumes. Definia, então, seu trabalho como arte popular brasileira. Vivia reclusa em uma chácara em Diadema, no estado de São Paulo e morreu no dia 6 de novembro de 1964, com 75 anos.

Translate this page

Choose a language from the menu above to view a computer-translated version of this page. Please note: Text within images is not translated, some features may not work properly after translation, and the translation may not accurately convey the intended meaning. Britannica does not review the converted text.

After translating an article, all tools except font up/font down will be disabled. To re-enable the tools or to convert back to English, click "view original" on the Google Translate toolbar.