O dramaturgo e romancista brasileiro Ariano Suassuna foi o principal precursor do Movimento Armorial no Nordeste, que estava formado por um grupo de intelectuais e folcloristas dedicados à descoberta e recriação das expressões populares tradicionais nordestinas. Como professor de estética e teoria de teatro, Suassuna se envolveu no ofício de escrever peças e dirigir grupos teatrais. Ele é autor do Auto da Compadecida, considerado uma obra-prima da literatura brasileira.

Como viveu o escritor

Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 16 de junho de 1927. Cresceu na Fazenda Acauhan, no sertão. Durante a Revolução de 1930, seu pai foi assassinado por motivos políticos e a família mudou-se a Taperoá, onde morou até 1937. Estudou a secundária em Pernambuco, e formou-se em direito em 1950. Durante os anos de faculdade, Suassuna fundou com outros intelectuais o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP) e o Movimento de Cultura Popular (MCP) no Recife. Por um breve período, Suassuna combinou sua carreira de advogado com a de dramaturgo.

Obras

Suassuna restaurou o auto religioso medieval — uma forma de teatro ao ar livre, com peças em forma de verso, alusivas a algum aspecto do mistério da Santíssima Eucaristia. Suassuna explorou e adaptou o auto ao teatro contemporâneo em obras como o Auto de João da Cruz (1950) e o Auto da Compadecida (1955) (que o lançou à fama), entre outros. Se bem os autos de Suassuna mantêm o tom religioso dos autos medievais, o dramaturgo lhes confere um tom picaresco e transgressor com personagens populares nordestinos, muitos inspirados nos folhetos de cordel: o malandro, o sertanejo mentiroso (como João Grilo), o cangaceiro (como Severino de Aracaju), os capangas etc.

Para obras como Uma mulher vestida de sol (1947) e Cantam as harpas de Sião (1948), Suassuna inspirou-se na tradição estabelecida pelo poeta e dramaturgo português Gil Vicente (do século XVI), que incluía canções tradicionais, contos de cavalaria e peças medievais dialogadas. Sempre explorando as tradições populares, Suassuna utilizou as técnicas de teatro de marionetes em obras como A pena e a lei (1959) e usou amplamente a poesia popular e as formas musicais nordestinas.

Em 1960 fundou o Teatro Popular do Nordeste, onde apresentou A farsa da boa preguiça e A caseira e a Catarina (1962).

Seguindo os princípios do Movimento Armorial, ele dedicou-se também à prosa de ficção, com obras de destaque como o Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta (1971), que foi traduzida em vários idiomas, e História do rei degolado nas caatingas do sertão/Ao sol da Onça Caetana (1976). Em 1997 escreveu A história de amor de Romeu e Julieta.

Suassuna combinou sua carreira de escritor prolífico com a docência (ele foi professor na Universidade Federal de Pernambuco até 1994) e foi Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco (1994-1998). Ele tem sido um incansável difusor da cultura popular brasileira e raízes nordestinas e, para muitos de seus projetos, tem trabalhado em conjunto com músicos e outros artistas.

Suassuna ocupou a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL). O dramaturgo morreu em 23 de julho de 2014 de uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana, em Recife, Pernambuco. Ele foi casado, teve seis filhos e 15 netos.

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