As histórias de As mil e uma noites são uma coletânea de contos populares orientais, com origens nas culturas indiana, egípcia, persa, chinesa e árabe. Essas histórias não têm um autor único, nem é possível afirmar em qual época exatamente foram criadas. As narrativas foram sendo inventadas e contadas ao longo de muitos séculos, por inúmeros narradores anônimos, que reuniam multidões nas ruas, nos mercados (chamados suks) e ao redor das fogueiras, à noite, curiosas por ouvir aventuras cheias de gênios, feitiçarias, metamorfoses, tapetes e outros objetos mágicos, palácios com passagens secretas, intrigas e paixões desenfreadas.

Registradas em antigos manuscritos e compiladas em livro no século XIII, as histórias viajaram pelo Oriente, espalhando-se por muitos povos, principalmente nas conversas de mercadores. Contam que na Pérsia, onde hoje é o país chamado Irã, o romance entre o rei Xariar (Chahriar ou Shariar) e a bela Xerazade (ou Sherazad, Shahrazad, Xahrazad) tornou-se o fio condutor que desfia as muitas aventuras vividas por diversos heróis, como Aladim e sua lâmpada mágica, o marinheiro Simbá e Ali Babá e seu fabuloso tesouro.

Habilidosa contadora de histórias, Xerazade é filha do grão-vizir, tipo de primeiro-ministro do sultão (rei) Xariar. O sultão, após descobrir a infidelidade de sua esposa com um escravo, decide colocar em ação um plano cruel: casar-se toda noite com uma jovem e, ao amanhecer, entregar a moça à morte, para nunca mais correr o risco de ser traído. Diversas mulheres do reino tinham encarado esse triste destino, até que chega a vez da bela Xerazade.

Mas a heroína também tem seu plano para ludibriar a ira do sultão. Sábia, a moça passa a narrar histórias intrigantes que, antes do desfecho, são interrompidas ao raiar do dia. Assim, o sultão não podia entregar Xerazade aos carrascos — e, noite após noite, ela continua desenrolando o fio dessas narrativas tão envolventes. Na milésima primeira noite, Xerazade apresenta ao sultão os filhos que tiveram nesse tempo. Já apaixonado por Xerazade e por suas histórias, o rei põe fim a seu plano, e a moça escapa da morte. A criatividade e a imaginação venceram.

Foi só no início do século XVIII, em 1704, que o francês Antoine Galland traduziu as aventuras narradas por Xerazade diretamente de manuscritos árabes e, a partir de então, elas se espalharam pelo Ocidente. O livro ficou muito popular e influenciou o jeito de inventar histórias nas culturas ocidentais. Diversos escritores inspiraram-se nas narrativas de As mil e uma noites: Marcel Proust, Machado de Assis, Edgar Allan Poe e Jorge Luis Borges, entre muitos outros.

Algumas aventuras duram dezenas de noites; outras são narradas ao longo de três ou quatro apenas. No total, não há mais do que 250 histórias.

O nome do livro, As mil e uma noites, significa uma história sem fim. A coletânea é um verdadeiro labirinto de narrativas: um conto desemboca em outro, que desfia parte de um terceiro, e assim por diante, numa estrutura cíclica. E por que mil e uma noites? Segundo o estudioso Mamede Mustafa Jarouche, que traduziu pela primeira vez as histórias de As mil e uma noites diretamente do árabe para o português no Brasil, os árabes acreditavam que números redondos (dez, cem, mil, por exemplo) davam azar.

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