A Balaiada foi uma rebelião que ocorreu no Brasil de 1838 a 1841, nas províncias do Maranhão e do Piauí. Naquela época, o Brasil não tinha estados como hoje, e sim províncias.

Disputas políticas

O período de 1831 a 1840 foi muito agitado no Brasil. Ocorreram revoltas em várias províncias.

O Brasil era governado por regentes. Isso porque o imperador dom Pedro I tinha abdicado do trono em 1831 e voltado para Portugal. Em seu lugar deixou o filho de apenas 5 anos de idade, Pedro de Alcântara. Como o herdeiro do trono ainda não tinha idade para ser coroado, os regentes governavam em seu lugar. Apenas em 18 de julho de 1841 dom Pedro II foi coroado imperador, com 15 anos de idade.

Os regentes tomavam as principais decisões políticas do Brasil. Além disso, também nomeavam os presidentes das províncias — que hoje correspondem aos governadores dos estados. Esse período ficou conhecido como Regência.

Essa situação agravou a disputa política que já existia no Brasil entre os liberais e os conservadores. Em geral, os liberais desejavam que as províncias tivessem mais poder para tomar decisões políticas e econômicas; os conservadores acreditavam que o governo regencial deveria controlar essas decisões. Nas províncias, a disputa provocava tensões, com violências e fraudes políticas.

As camadas populares estavam excluídas do poder. Além disso, a maioria da população vivia na pobreza. Faltavam alimentos e as condições de moradia eram precárias.

Toda essa situação provocou muitas revoltas, e a Balaiada foi uma delas.

A revolta

A Balaiada começou com disputas políticas entre grupos da elite maranhense, mas acabou se transformando em uma reação popular contra as injustiças sociais. Envolveu pessoas pobres do campo, indígenas e negros escravizados.

Um dos líderes da revolta, Francisco dos Anjos Ferreira, vivia da fabricação de balaios (cestos feitos de palha trançada). Por isso, os rebelados foram chamados de balaios, e o movimento ficou conhecido como Balaiada.

A revolta começou em 1838, no vilarejo de Vila da Manga, no Maranhão. O vaqueiro Raimundo Gomes invadiu a cadeia local com um grupo armado e libertou seus companheiros que haviam sido presos injustamente.

A rebelião foi se espalhando, e começaram a ocorrer vários movimentos. Um deles foi liderado pelo ex-escravo conhecido como Cosme Bento. Ele reuniu um grupo de 3 mil escravos fugidos e formou um quilombo. Calcula-se que cerca de 11 mil pessoas se rebelaram no Maranhão e de 6 mil a 8 mil no Piauí.

Em 1839, os balaios cercaram e invadiram a Vila de Caxias, segunda cidade mais importante do Maranhão, e chegaram a formar um governo provisório ali. Durante algum tempo, tiveram o apoio dos liberais — ou “bem-te-vis”, como eram chamados no Maranhão. Esse apelido se originou do jornal liberal e republicano Bem-Te-Vi. Logo, porém, os bem-te-vis abandonaram o movimento.

A rendição

O governo regencial reprimiu a Balaiada com violência. Mandou para a região o coronel Luís Alves de Lima e Silva, que depois viria a receber o título de duque de Caxias, com 8 mil homens fortemente armados.

Os balaios foram derrotados e se renderam em 1841. Muitos rebelados foram mortos em batalha. Cosme Bento ainda resistiu durante alguns meses, mas acabou sendo capturado e enforcado.

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