Fernando Henrique Cardoso, sociólogo brasileiro e político, liderou a oposição da esquerda do Brasil à ditadura militar do país entre os anos 1960 e 1970. De 1995 a 2003 foi presidente do Brasil, sendo o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito para um segundo mandato de quatro anos.

Infância e estudos

Fernando Henrique Cardoso nasceu em 18 de junho de 1931, no Rio de Janeiro. Em 1961, ganhou seu doutorado pela Universidade de São Paulo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em seguida, ele viajou a Paris para fazer um curso de pós-graduação no departamento de sociologia industrial e concluiu o curso em 1963.

Vida acadêmica

Em 1964 o Brasil passou por um golpe de estado militar e Cardoso foi exilado para o Chile por não concordar com o regime ditatorial. Lá, ele foi professor de sociologia do desenvolvimento no Instituto Latino-Americano de Planejamento Econômico e Social, em Santiago, até 1967. Logo depois, ele retornou à França para trabalhar como professor de teoria sociológica na Universidade de Paris-Nanterre por um ano. Em 1968, Cardoso voltou ao Brasil e foi contratado pela Universidade de São Paulo como professor de ciência política. Após apenas um ano, ele e muitos outros intelectuais importantes foram forçados a se aposentar e foram proibidos de realizar trabalhos universitários em qualquer lugar no Brasil.

Porém, o governo militar permitiu que Cardoso e outros intelectuais formassem o Instituto de Investigação Aplicada. Com o apoio da igreja Católica, este instituto publicou o livro São Paulo: crescimento e pobreza, que descreveu como as políticas do governo militar contribuiram para a pobreza extrema no Brasil. Com o tempo, o regime militar começou a permitir graduais reformas democráticas, e Cardoso tornou-se muito envolvido no projeto para restabelecer a democracia no Brasil, que ele achava essencial para incluir o grande número de pessoas desfavorecidas no processo político.

Carreira política

De 1972 a 1981 Cardoso alternou sua estada no Brasil com sua carreira de professor visitante em várias universidades estrangeiras, incluindo a Universidade de Stanford e a Universidade da Califórnia (EUA), a Universidade de Cambridge (Reino Unido), e a Universidade de Paris (França). Em 1979, ele co-escreveu Dependência e desenvolvimento na América Latina, que ganhou a atenção e respeito internacionais. Sua perspectiva liberal gradualmente ganhou uma grande base de apoio no Brasil e em 1978 ele foi indicado como candidato ao Senado. Ele ficou em segundo lugar na corrida, o que lhe permitiu tornar-se senador em 1983. Cardoso ganhou o respeito generalizado como senador, servindo como o líder da maioria no Congresso Nacional em 1985-86.

Os anos 1980 e início de 1990 foram um tempo economicamente turbulento para o Brasil. Entre 1980 e 1995, havia cinco moedas diferentes no país, cinco congelamentos de preços e salários, e mais do que uma dúzia de ministros da Fazenda. Um desses ministros era Cardoso, que atuou nessa posição no governo do presidente Itamar Franco.

O Plano Real e a Presidência

Como a economia continuava em crise, em 1 de julho de 1994, Fernando Henrique Cardoso introduziu uma nova moeda, o real, como parte de seu programa de estabilização econômica conhecido como Plano Real. O real substituiu o cruzeiro real. Em setembro de 1994, o plano de Cardoso conseguiu limitar a inflação e pela primeira vez em 15 anos os brasileiros de baixa e média renda foram capazes de economizar dinheiro. O sucesso econômico favoreceu Cardoso na eleição presidencial de 1994. Durante sua administração, ele enfatizou a privatização, o aumento do investimento estrangeiro e o financiamento dos serviços educativos e sociais. Em 1998, Cardoso foi o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito para um segundo mandato de quatro anos. Por esta altura, porém, o Brasil estava enfrentando graves problemas financeiros, e Cardoso foi forçado a cortar gastos e elevar os impostos.

Depois da Presidência, Cardoso continuou escrevendo e participando de importantes instituções acadêmicas internacionais. Foi presidente da Associação Internacional de Sociologia (1982-1986), recebeu o título de Doutor Honoris Causa de mais de 20 universidades e foi membro honorário estrangeiro da American Academy of Arts and Sciences, nos Estados Unidos. Ele faz parte também do grupo de líderes internacionais “The Elders” (“Os anciãos”, em português), criado pelo ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, para promover a paz, a democracia e a justiça.

Em 10 de setembro de 2013, Cardoso tomou posse na cadeira número 36 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Ele foi casado com a antropóloga Ruth Corrêa Leite Cardoso (19 set. 1930–24 jun. 2008) e tem três filhos.

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