Carlos Drummond de Andrade foi um dos mais importantes nomes da poesia brasileira. Foi também habilidoso prosador, além de atuar como jornalista.

Como viveu o poeta

Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902, em Itabira do Mato Dentro, cidade famosa pelo minério de ferro, no estado de Minas Gerais. Foi o nono filho de uma família de fazendeiros. Estudou em escolas tradicionais e, na adolescência, em 1919, foi expulso de um colégio de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, por “insubordinação mental”.

No poema “Infância”, de seu livro de estreia Alguma poesia (1930), ele conta que lia sozinho entre mangueiras a longa história de Robinson Crusoe, personagem criado pelo escritor inglês Daniel Defoe.

Formou-se em farmácia em Ouro Preto, em Minas Gerais, mas nunca exerceu a profissão. Em 1926, publicou na Revista de Antropofagia um de seus poemas mais famosos: “No meio do caminho”. Os versos, que repetiam muitas vezes “no meio do caminho tinha uma pedra”, causaram um escândalo literário na época.

Enveredando pelo jornalismo, Drummond escreveu para o Diário de Minas, o Minas Gerais, o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil. Também trabalhou em funções públicas, como assessor de Gustavo Capanema, que foi secretário em Minas Gerais e ministro da Educação e Saúde Pública. Por conta disso é que, em 1934, Drummond mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

Em 1945 deixou a chefia de gabinete de Capanema e aceitou o convite do líder comunista Luís Carlos Prestes para dirigir o jornal Tribuna Popular. Por discordar da orientação do jornal, largou o cargo no mesmo ano e foi trabalhar no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Tornou-se, anos depois, chefe da seção de História, na divisão de Estudos e Tombamento.

O poeta foi casado com Dolores Dutra de Moraes. Teve um filho homem, que morreu pouco tempo depois de nascer, e uma filha, Maria Julieta, sua principal confidente.

Marcas do poeta

Integrante do “grupo mineiro” do movimento modernista, Drummond criou A revista, em 1930. A publicação teve vida curta, mas assumiu um papel importante no modernismo. No mesmo ano, lançou o livro Alguma poesia, que já mostrava as marcas do cotidiano, do humor e dos versos livres (sem rimas).

O autobiográfico “Poema de sete faces”, que faz parte do livro de estreia, é famoso pelos versos “[...] Vai, Carlos! Ser gauche na vida”. Outro poema bastante popular de Drummond é “José”, publicado em Poesias (1942). Os versos falam de um indivíduo, representado por José, que se vê sem saída diante das angústias do mundo.

Em 1934, ano em que se mudou para o Rio de Janeiro, onde viveu até os últimos dias de sua vida, Drummond publicou Brejo das almas. Assim como o livro Sentimento do mundo (1940), a obra mostra o impasse do poeta diante da vida. A rosa do povo (1945), que traz uma poesia politicamente engajada, e Claro enigma (1951), que trata do absurdo do mundo, são considerados por críticos os pontos mais altos de sua obra.

Drummond também escreveu livros em prosa, como Contos de aprendiz (1951), Fala, amendoeira (1957) e A bolsa e a vida (1962), entre outros.

Obsessões poéticas

Na poesia de Drummond, alguns temas sempre aparecem. Ele fala constantemente da figura do pai, da infância, da morte e de sua cidade natal, Itabira. Também escreveu sobre o próprio fazer poético, que “inunda” sua “vida inteira”.

Em entrevista que concedeu pouco antes de morrer, Drummond disse que sua motivação para escrever poesia era “tentar resolver, através de versos, problemas existenciais internos. São problemas de angústia, incompreensão e inadaptação ao mundo”.

Tímido, Drummond era uma personalidade avessa a aparecer na imprensa e em eventos literários. Negou vários convites para ocupar uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras, onde dizia que havia bons e maus escritores. Recebeu muitos prêmios, nacionais e internacionais, e recusou alguns também, por motivos de consciência.

Em fevereiro de 1987 foi homenageado pela escola de samba da Mangueira no Carnaval carioca, com o enredo “No reino das palavras”. Em 5 de agosto, sua filha Maria Julieta morreu. Carlos Drummond de Andrade não suportou a morte da filha e morreu sete dias depois dela, em 12 de agosto de 1987.

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