Chico Buarque é um compositor e escritor brasileiro. Suas canções evocam a crítica social, o amor, a sensualidade, o lirismo, a nostalgia e o erotismo. Ele é considerado, também, com as letras de suas músicas, um dos melhores intérpretes da alma feminina.

Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de junho de 1944, filho do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e de Maria Amélia Cesário Alvim. Quando tinha dois anos, a família toda mudou-se para São Paulo, pois seu pai foi convidado a dirigir o Museu do Ipiranga. Sete anos depois mudaram-se para a Itália, porque Sérgio Buarque de Hollanda foi dar aulas na Universidade de Roma.

Escolha da profissão

Chico tinha um sonho: ser jogador de futebol. Não imaginava que viria a se tornar músico, compositor. Na adolescência, já de volta a São Paulo, resolveu fazer um teste no clube Juventus, para disputar um lugar no time. Por sua aparência franzina — era magrinho — sequer foi chamado para entrar no campo.

Em 1963, Chico acabou prestando vestibular para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Passou, mas ficou lá só dois anos. Abandonou a arquitetura para se dedicar à música.

Ganhou projeção participando de festivais de música popular brasileira promovidos por emissoras de televisão. Em 1965, lançou o primeiro compacto, um disco de vinil com duas músicas: “Sonho de um carnaval” e “Pedro pedreiro”.

O sucesso veio em 1966, quando Chico venceu o II Festival de MPB da TV Record, em São Paulo. Concorreu com a música “A banda”, interpretada por Nara Leão. Dividiu o primeiro lugar com “Disparada”, de Théo de Barros e Geraldo Vandré. No mesmo ano lançou o disco Chico Buarque de Hollanda, com doze músicas.

Produção musical

Chico Buarque teve papel ativo na crítica à ditadura implantada pelo movimento militar de 1964 e na luta pela redemocratização do Brasil. Em 1970, tempo de repressão e censura, Chico gravou um compacto duplo (disco de vinil com duas músicas de cada lado) que continha a música “Apesar de você”. O disco foi rapidamente proibido pelos militares. Os primeiros versos dizem: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.

Em 1971, Chico Buarque lançou Construção, considerado pelos críticos um de seus melhores discos. Nele há músicas líricas, como “Olha, Maria” e “Valsinha”. E há também duras críticas sociais. A faixa que dá nome ao disco denuncia a indiferença da sociedade pelo trabalhador braçal, que morre no meio da rua “atrapalhando o trânsito”. Lançado em plena ditadura militar, Construção inclui ainda uma canção sobre o exílio, o “Samba de Orly”, que Chico Buarque compôs em parceria com Vinícius de Moraes e Toquinho: “Vai, meu irmão / Pega esse avião”. A música teve alguns versos vetados pela censura.

Em outras músicas de seu vasto repertório, como “Atrás da porta”, “Com açúcar, com afeto”, “Olhos nos olhos”, “Folhetim”, “O meu amor”, “Teresinha”, é a natureza feminina que fala.

Chico Buarque lançou ainda os discos Meus caros amigos (1976), Vida (1980), Francisco (1987), Paratodos (1993), As cidades (1998) e Carioca (2006), entre muitos outros.

No teatro

Ainda na década de 1960, aproximou-se do teatro, compondo músicas e escrevendo peças. Em 1965, fez as músicas para a montagem de Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, no Tuca (Teatro da Universidade Católica), em São Paulo. No final de 1967, Chico escreveu Roda viva, peça que foi montada pelo diretor José Celso Martinez Correa, com todos os vanguardismos que caracterizavam esse artista do teatro. Chocou, provocou reações iradas e violentas, e acabou sendo censurada pelo regime militar. Nunca mais foi encenada.

O governo militar foi colocando obstáculos ao trabalho de Chico. Com o clima de repressão implantado no país, ele decidiu se mudar para Roma, na Itália, onde viveu entre 1969 e 1970. Estava casado com a atriz Marieta Severo; com ela viveu trinta anos e teve três filhas. Ao voltar, adotou durante por algum tempo o pseudônimo Julinho da Adelaide para assinar algumas de suas composições, a fim de driblar a censura.

Além de Roda viva, Chico também escreveu as peças de teatro Calabar, Gota d’água (vencedora do Prêmio Molière de teatro em 1978) e Ópera do malandro (1978), todas musicadas também por ele. Criou uma versão do musical infantil italiano Os saltimbancos e compôs, em parceria com Edu Lobo, as músicas para o balé O grande circo místico, em 1982.

Na literatura e no cinema

Chico compôs trilhas sonoras para vários filmes, entre os quais Bye bye Brasil, Dona Flor e seus dois maridos e Vai trabalhar, vagabundo.

Fazenda modelo, Chapeuzinho amarelo (seu primeiro livro para crianças) e A bordo do Rui Barbosa foram os primeiros livros que publicou. Em 1992 lançou seu primeiro romance, Estorvo, e ganhou com ele o Prêmio Jabuti de literatura, em 1991. Seu segundo romance, Benjamim, foi lançado em 1995. Budapeste, o terceiro romance, lhe rendeu novo prêmio Jabuti, o de 2003. Em 2009, publicou Leite derramado, que foi aclamado pelos críticos como uma grande obra da ficção brasileira.

Em 1998, Chico Buarque foi homenageado pela escola de samba da Mangueira com o enredo do desfile de Carnaval no Rio de Janeiro. A escola foi a campeã desse ano.

A história de Benjamim foi levada ao cinema em 2004 pela diretora Monique Gardenberg. Em 2009, o diretor Walter Carvalho lançou o filme baseado em Budapeste.

Com a camisa 9

O sonho de ser craque de futebol acabou revivendo por linhas tortas. Chico Buarque montou seu próprio time, o Politheama (que significa “muitos espetáculos”), com equipe variável conforme a disponibilidade dos amigos. E tem seu próprio campo, o Centro Recreativo Vinícius de Moraes, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro. É lá que, em geral, costuma jogar três vezes por semana. Ele joga com a camisa 9, de seu ídolo no time do Santos, entre 1955 e 1963, o centroavante Pagão.

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