Chico Mendes foi o primeiro grande defensor da Amazônia e dos povos que vivem e trabalham na região. Era seringueiro no estado do Acre e se tornou líder dos trabalhadores locais. Ficou conhecido mundialmente por sua luta por melhores condições de vida para os que trabalham na extração da borracha na selva brasileira. Essa luta foi a causa da sua morte.

Infância e juventude

Francisco Alves Mendes Filho — seu nome completo — nasceu em Xapuri, no Acre, no dia 15 de dezembro de 1944. Quando tinha 8 anos, acompanhava o pai no trabalho de extração de borracha nos seringais. Com 11 anos, já trabalhava e ajudava a família com seu pequeno salário.

Em 1956, Chico Mendes conheceu um homem que teve forte influência na sua formação: Euclides Fernandes Távora. Ele tinha participado da Intentona Comunista em 1935 — uma tentativa de golpe contra o governo do presidente Getúlio Vargas —, junto com o líder comunista Luís Carlos Prestes. Fugindo da polícia, Távora acabou se refugiando na região em que Chico vivia.

O contato do menino com o foragido político ajudou Chico a entender a sua época. A través do rádio e jornais, Távora ensinou a Chico sobre o comunismo e diversos assuntos sobre o Brasil. Foi nessas conversas com Távora que Chico começou a perceber o trabalho desumano dos seringueiros e começou sua luta por eles.

Primeiros movimentos

Em 1974, chegava ao distante Acre a repercussão do movimento sindical de São Paulo. Chico Mendes acompanhava o que acontecia com os trabalhadores de outros setores e em outras regiões do país. E começou a buscar apoio para que ocorressem mudanças no lugar em que vivia.

Sob o comando de Chico, a luta dos seringueiros pela conservação da floresta e do modo de vida da população local durou mais de uma década. Eles queriam que houvesse uma negociação com os criadores de gado que devastavam a floresta para fazer pastagens. Os seringueiros queriam que o desmatamento parasse e fossem formadas reservas extrativistas, onde se realizasse a exploração consciente dos recursos naturais da floresta Amazônica.

No final da década de 1970, Chico foi eleito vereador e ajudou a fundar o primeiro sindicato do Acre, atraindo a atenção da imprensa nacional e a inimizade de fazendeiros da região. Com a ajuda da Igreja Católica, o movimento dos seringueiros crescia e era cada vez mais respeitado pela população.

Em 1985, ele organizou o I Encontro Nacional de Seringueiros e, com declarações fortes, chamou a atenção dos jornalistas internacionais, passando a ser reconhecido como um ambientalista respeitável. Nessa época, recebeu a visita de membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi homenageado com o Prêmio Global 500, dado às pessoas que se destacam na luta pela preservação do meio ambiente.

Perseguição e assassinato

A força do movimento e a constante evidência de Chico Mendes incomodavam cada vez mais aqueles que viviam da exploração irregular e predatória da Amazônia.

No final da década de 1980, os conflitos de terra eram constantes. Chico passou a receber ameaças de morte. Contou isso à polícia, ao prefeito e aos jornais, citando inclusive os nomes das pessoas que o ameaçavam, mas de nada adiantou.

No dia 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi baleado à porta de sua casa, em Xapuri, a cidade onde nascera, na presença da mulher e dos filhos.

A pressão de organizações não governamentais (ONGs) e da opinião pública mundial foi fundamental para que os autores do crime fossem punidos. Em 1990, a Justiça condenou a dezenove anos de prisão os fazendeiros responsáveis pelo assassinato de Chico Mendes.

As reservas extrativistas, pelas quais Chico Mendes lutou, foram criadas. Até 2009, havia 21 delas em atividade na Amazônia.

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