O Ciclo do Café foi um período da história do Brasil durante o qual a produção cafeeira teve grande importância para o desenvolvimento econômico do país. Muitas cidades passaram por grandes transformações, como a construção de estradas de ferro, a industrialização e a chegada de imigrantes europeus. O Ciclo do Café se estendeu aproximadamente do início do século XIX até o ano de 1930.

Expansão do café no Brasil

O café foi levado à Guiana Francesa pelas mãos dos holandeses e, de lá, chegou ao Brasil por volta de 1720. No país, começou a ser cultivado primeiramente no Pará. Em seguida, foi para o Maranhão, depois para o Rio de Janeiro, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e pela parte fluminense do vale do Paraíba. O cultivo do café se estendeu também para Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e, sobretudo, São Paulo.

Auge

No auge do Ciclo do Café, o Brasil teve domínio sobre a oferta mundial do produto, conseguindo facilmente controlar seus preços. Com isso, obtinha grandes lucros com a venda dos grãos.

A produção de café no Brasil se intensificou por volta de 1820. Entre as décadas de 1830 e 1840, ele ficou em primeiro lugar entre os produtos exportados pelo país.

O transporte de mercadorias nessa época era realizado com a ajuda de burros e carroças. Calcula-se que eram levados aos portos fluminenses de Parati e Angra dos Reis cerca de 100 mil sacas do café produzido no vale do Paraíba, e anualmente chegavam ao porto de Santos cerca de 200 mil animais carregados com mercadorias, dentre elas o café. O surgimento das ferrovias agilizou as exportações do produto. A primeira ferrovia do Brasil foi inaugurada em 1854, no Rio de Janeiro. A primeira ferrovia de São Paulo entrou em funcionamento em 1867 — nesse estado, a construção das estradas de ferro está diretamente relacionada ao cultivo do café. Também por incentivo da produção cafeeira, os portos do Rio de Janeiro e de Santos passaram por grandes reformas na época.

Durante boa parte do Ciclo do Café, a mão de obra utilizada nas lavouras e no transporte foi a dos escravos. Com a proibição do tráfico negreiro para o Brasil em 1850 e a consequente abolição da escravatura no país em 1888, os fazendeiros precisaram encontrar outro tipo de mão de obra. O governo passou então a incentivar a vinda de imigrantes europeus, particularmente italianos.

A região de São Paulo era a mais propícia para o cultivo do café. São Paulo se tornou na época um dos estados mais ricos, e ali surgiram importantes fazendas cafeeiras.

Declínio

A crise que contribuiu para o fim do Ciclo do Café se iniciou por volta de 1893. A produção brasileira continuava grande, porém a demanda internacional pelo produto havia diminuído. Isso reduziu as exportações e provocou uma queda no preço do café.

Em 1906, os três maiores produtores nacionais — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — reuniram-se para tentar encontrar uma solução. Dessa reunião, surgiu um acordo chamado Convênio de Taubaté. O documento determinava que o governo compraria a produção excedente dos grãos, para que os fazendeiros não sofressem prejuízo, e que os estados produtores desencorajariam a expansão e a criação de lavouras de café.

A medida teve um efeito positivo, e o café passou por um período de revalorização. Em 1929, porém, com a quebra da Bolsa de Nova York, houve outra grande queda no preço do produto. A instabilidade provocada pela crise econômica internacional teve consequências políticas no Brasil, contribuindo para a ocorrência da Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder.

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