A Confederação do Equador foi um movimento político, revolucionário e emancipacionista que ocorreu no Nordeste do Brasil durante o período imperial, em 1824. Começou como uma reação à Constituição outorgada por dom Pedro I no mesmo ano, que mantinha o Brasil a um governo centralizador e dava margem a grande submissão aos portugueses.

Iniciado em Pernambuco, o movimento se alastrou rapidamente para outras províncias da região, como a Paraíba, o Ceará e o Rio Grande do Norte. Ficou conhecido por esse nome, Confederação do Equador, devido à proximidade da região do conflito com a linha do equador.

Do final do século XVII até o início do século XIX (um periodo também conhecido como “era das revoluções”) ocorreram na Europa profundas mudanças políticas, econômicas e culturais. Essas mudanças foram sentidas em outras partes do mundo, e também no Brasil. Em um contexto mais amplo, a Confederação do Equador foi um reflexo dessas mudanças.

Abaixo o autoritarismo!

No início do século XIX, a província de Pernambuco estava dividida entre os que apoiavam o domínio dos portugueses no Brasil e os que desejavam vê-los fora do poder. Ou seja, entre o açúcar e o algodão. É que os donos dos engenhos de açúcar, por exemplo, apoiavam os portugueses, pois sentiam que as ideias liberais abolicionistas ameaçavam suas propriedades. Já a aristocracia ligada ao algodão desejava ver-se livre da influência portuguesa predominante, pois queria autonomia para suas transações econômicas, a partir da abertura dos portos.

Foi nesse cenário dividido que os ideais abolicionistas e republicanos se difundiram e diversas revoltas eclodiram na região. Dois movimentos marcantes influenciaram as províncias rebeldes da Confederação do Equador: a Revolução Pernambucana de 1817 e o Movimento Constitucionalista de 1821, que levou à declaração da Independência do Brasil, em 1822.

Todas as províncias eram subordinadas ao Rio de Janeiro, polo de poder da época, sede do império, e desejavam mais autonomia em relação ao governo do imperador dom Pedro I. Porém, ainda em 1822, o imperador lançara medidas ainda mais centralizadoras, com o auxílio da Constituição de 1824. Além disso, mesmo com a independência, os portugueses continuavam a ter muito poder nas decisões das províncias nordestinas. Em Pernambuco, formou-se um governo provisório fiel ao imperador, a Junta dos Matutos, que em 1824 foi deposta. Dom Pedro I nomeou Francisco Pais Barreto para assumir o governo da província, mas Manuel Carvalho Pais de Andrade já havia sido eleito localmente pelos representantes do comércio, da agricultura e do clero. Esse foi o ponto inicial do conflito entre a província de Pernambuco e o governo imperial.

Ascensão e queda dos confederados

Os pernambucanos recusaram-se a aceitar Pais Barreto como governador e, em resposta, dom Pedro I mandou forças navais, que bloquearam o porto de Recife. Pais de Andrade lançou um manifesto abolicionista e o movimento conquistou as camadas populares. O bloqueio naval foi suspenso e as reivindicações logo ganharam o apoio de províncias vizinhas (Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba), que viviam situação semelhante à de Pernambuco. Surgiu assim a Confederação do Equador, com Pais de Andrade na chefia de um governo independente na região.

A severa repressão do governo central não tardou. A província de Pernambuco acabou perdendo parte de seu território (a antiga comarca do rio São Francisco) para a província da Bahia. Vários líderes da rebelião, como frei Caneca, foram enforcados ou fuzilados, enquanto outros, como Cipriano Barata, acabaram presos. Assim terminava um movimento importante da história do Brasil, cuja bandeira, representada por um ramo de algodão e uma cana-de-açúcar, carregava o lema “Religião, Independência, União e Liberdade”.

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