Di Cavalcanti é o artista plástico brasileiro que ficou conhecido como “o pintor das mulatas”, embora tenha também retratado muitos outros temas populares e cenas da vida carioca e brasileira.

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo era seu nome completo. Ele nasceu na capital do país, que era o Rio de Janeiro, no dia 6 de setembro de 1897. Aos 11 anos, começou a ter aulas de pintura. Em 1914, quando tinha 17 anos, começou a publicar caricaturas políticas na revista Fon-Fon!. Em 1916, começou a o curso de direito e participou do Salão dos Humoristas com uma série de desenhos sobre a Balada do cárcere, do escritor inglês Oscar Wilde.

Transferiu-se para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo (1917-1922), e suas pinturas começaram a mostrar a influência do impressionismo e da art nouveau (“arte nova”), que estavam em voga na França. Em 1918, entrou para um grupo liderado pelos escritores Oswald de Andrade e Mário de Andrade — que, apesar do mesmo sobrenome, não tinham nenhum parentesco. Esse grupo criou o movimento modernista brasileiro, inaugurado pela Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Di Cavalcanti desenhou os cartazes e os convites da mostra.

Em 1923 foi para Paris, onde conheceu os pintores cubistas Picasso e Braque, que o influenciaram. Na Itália, no mesmo ano, ele incorporou às suas formas brasileiras de pintar a influências dos artistas clássicos Ticiano, Leonardo da Vinci e Michelangelo. Também expôs nas principais capitais europeias.

De volta ao Brasil, em 1925, Di Cavalcanti colaborou, como desenhista, com o Teatro de Brinquedo (1927), entrou para o Partido Comunista Brasileiro (1928) e criou os primeiros painéis modernos do país. Nesses painéis, unem-se ao cubismo e ao surrealismo as curvas e o detalhismo do barroco, bem como a vivacidade das cores tropicais, em temas brasileiros populares, como o Carnaval.

Em 1932, fundou em São Paulo o Clube dos Artistas Modernos, ao lado de Flávio de Carvalho, e em 1933 publicou o álbum A realidade brasileira, satirizando o militarismo. Foi preso duas vezes, acusado de getulista (partidário de Getúlio Vargas; em 1932, em São Paulo) e de comunista (1935, no Rio). Resolveu voltar para Paris, onde viveu de 1937 a 1940 e incorporou à sua arte as formas e temas sociais dos três grandes muralistas (pintores de grandes murais feitos em paredes e fachadas de prédios) mexicanos: Rivera, Siqueiros e Orozco.

Di Cavalcanti doou 550 desenhos, feitos desde a década de1920, ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP), em 1952. Ao lado de Alfredo Volpi, “o pintor das bandeirinhas”, recebeu o I Prêmio de Pintura da Segunda Bienal de São Paulo (1953). Escreveu as suas memórias nos livros Viagem da minha vida (1955) e Reminiscências líricas de um perfeito carioca (1964).

O pintor ganhou também o I Prêmio na Mostra Internacional de Arte Sacra, em Trieste, na Itália (1956), e na Bienal Interamericana do México (1960). Desenhou em 1958 as tapeçarias do Palácio da Alvorada para a inauguração de Brasília — a nova capital do país, fundada em 1960.

Di Cavalcanti morreu em 26 de outubro de 1976. Um ano depois de sua morte, o filme Di, de Glauber Rocha, ganhou o Prêmio Especial do Júri, no Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França (1977).

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