Dilma Vana Rousseff é a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil. Foi eleita no dia 31 de outubro de 2010 e empossada no cargo em 1o de janeiro de 2011, para um mandato de quatro anos. Em 26 de outubro de 2014 ela foi reeleita para um segundo mandato. É formada em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Infância e juventude

Dilma Roussef nasceu no dia 14 de dezembro de 1947, na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. Seu pai, Pétar Russév, nasceu na Bulgária mas naturalizou-se brasileiro com o nome Pedro Rousseff. Era um empreendedor, com negócios no ramo imobiliário. Sua mãe, Dilma Jane Silva, foi professora. O casal formou uma família de classe média, com três filhos: Igor, Dilma e Zana.

Dilma estudou em boas escolas na capital mineira. Fez a pré-escola no Isabela Hendrix, depois foi para o tradicional Colégio Sion, de orientação católica. Quando tinha 14 anos, seu pai morreu. Em 1964, Dilma passou para o segundo grau no Colégio Estadual Central, que hoje é a Escola Estadual Governador Mílton Campos.

Militância política

Sua entrada na escola pública coincidiu com a tomada do poder pelo movimento militar de 1964, que implantou um regime autoritário no Brasil. Nesse período, Dilma despertou para as questões políticas e sociais, passando a participar do movimento estudantil e adotando as ideias socialistas. Entrou então para a Organização Revolucionária Marxista — Política Operária (Polop).

Em 1967, prestou vestibular para economia na Universidade Federal de Minas Gerais e casou-se com o jornalista Cláudio Galeno Linhares. O casamento, no entanto, durou pouco.

Como o Brasil vivia sob um regime autoritário, as organizações políticas eram proibidas e atuavam de forma clandestina. A lei durante a ditadura também proibia reuniões e aglomerações. As pessoas que se opunham ao governo eram perseguidas e presas.

Muitas pessoas que faziam parte de organizações políticas de combate ao regime viviam na clandestinidade, isto é, adotavam um novo nome e viviam em endereços que às vezes nem as famílias conheciam.

A clandestinidade

Em 1969, Dilma filiou-se a outra organização política clandestina, chamada Colina (Comando da Libertação Nacional), e abandonou o curso na universidade. Vivendo no Rio de Janeiro, com outra identidade, conheceu o segundo marido (com quem esteve casada 30 anos), o gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, também militante da mesma organização.

Dilma assumiu diferentes nomes durante esse período: Stela, Luísa, Maria Lúcia, Marina, Patrícia e Wanda. Acabou sendo presa em 1970, em São Paulo, pela Operação Bandeirante, uma organização paramilitar de repressão política, com práticas violentas, que funcionava à margem da lei. Dilma foi torturada por essa organização e depois em um órgão oficial, o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), para onde foi transferida.

Foi então condenada a seis anos e um mês de prisão, tendo seus direitos políticos cassados por dez anos. Entre outras sanções, Dilma não podia votar nem ser votada durante esse período, isto é, seus direitos como cidadã foram suspendidos. Ela recorreu da sentença e conseguiu redução da pena em julgamento no Superior Tribunal Militar. Foi solta no final de 1972.

Dilma mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde Carlos Araújo estava preso. Carlos foi solto em 1974, e dois anos depois o casal teve uma filha, Paula.

Dilma formou-se em 1977 no curso de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalhava como estagiária na Fundação de Economia e Estatística, um órgão público, mas acabou sendo exonerada por questões políticas.

Funções públicas

Em 1985, com o fim do regime de governo implantado em 1964, Dilma Rousseff encontrou espaço na política gaúcha, primeiro como secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre (1985-1988) e depois como secretária estadual de Minas e Energia (1999-2002). Nesse meio-tempo foi também presidente da Fundação de Economia e Estatística. Era filiada ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), partido que ajudou a fundar, mas em 2001 entrou para o PT (Partido dos Trabalhadores).

Em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, Dilma colaborou na formulação da política de energia do país. Admirado com o desempenho de Dilma na pasta de Energia no Rio Grande do Sul, Lula chamou-a para assumir o cargo de ministra de Minas e Energia em 2003. Ficou no cargo de 2003 a junho de 2005, quando foi escolhida pelo presidente para ocupar o principal cargo no poder executivo abaixo da Presidência da República: a chefia da Casa Civil.

Respeitada por seus conhecimentos técnicos e pela capacidade gerencial, Dilma Rousseff se tornou responsável pelo principal programa do segundo mandato de Lula, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que era uma série de obras de infraestrutura.

A escolha de Lula

Lula escolheu Dilma como candidata à sua sucessão e, embora ela nunca tivesse se candidatado a nenhum cargo público, conseguiu o apoio do PT como candidata do partido. No início de 2009, essa disposição foi ameaçada pela notícia de que ela estava com câncer linfático. Dilma fez tratamento médico, recuperou-se e disputou as eleições presidenciais. Ganhou no segundo turno da votação, realizado em 31 de outubro de 2010, competindo com José Serra, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Ele era um político da mesma geração e também teve uma importante participação política na oposição à ditadura.

Primeiro mandato e reeleição

Durante o primeiro mandato, Dilma definiu como alguns de seus objetivos a manutenção da estabilidade econômica, a erradicação da pobreza e a criação de empregos.

Ao longo de 2011, o governo de Dilma enfrentou investigações sobre várias denúncias de corrupção. Ao mesmo tempo, a economia brasileira desacelerou.

O cenário político do Brasil foi transformado por massivos protestos de rua que começaram em São Paulo em junho de 2013 e se espalharam por todo o país. A maioria dos manifestantes era formada por membros da classe média, cada vez mais preocupada com a corrupção, com o pobre desempenho econômico do país e com a baixa qualidade dos serviços públicos. Também havia muita insatisfação com os gastos do governo em obras para a Copa do Mundo, que o país sediou em 2014, e para os Jogos Olímpicos de Verão (programados para 2016).

A próxima eleição presidencial aconteceria em outubro de 2014. Embora a economia brasileira tivesse entrado em recessão no início do ano, a presidente ainda parecia estar em vantagem, até que surgiu um forte candidato opositor: Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Porém, Campos morreu em um acidente de avião em agosto e foi substituído por Marina Silva. Dilma respondeu de forma agressiva a esse desafio e terminou o primeiro turno das eleições com cerca de 42 por cento dos votos (Silva obteve apenas 21 por cento). No segundo turno, Dilma enfrentou Aécio Neves, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do apoio de Marina Silva, Neves perdeu para Dilma, que obteve mais de 51 por cento dos votos e foi reeleita.

O segundo mandato começou de maneira desastrosa. Em 2015, a economia continuou a piorar, e um novo escândalo, envolvendo a Petrobras, o PT e o pagamento de propinas, teve enorme repercussão. Dilma foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras durante um período que coincide com o do pagamento das supostas propinas, mas as investigações a isentaram de qualquer responsabilidade pelos crimes. Muitos brasileiros, porém, duvidaram de sua inocência e realizaram manifestações nas ruas, pedindo o impeachment de Dilma.

Em 12 de maio de 2016, o Senado brasileiro aprovou por votação a abertura do processo de impeachment contra a presidente. Ela foi afastada temporariamente do cargo, assumindo seu vice, Michel Temer. Em 31 de agosto de 2016, o Senado votou pelo afastamento permanente de Dilma. Diversos analistas políticos questionaram a legitimidade do processo de impeachment e alegaram ter ocorrido um golpe, devido, entre outros fatores, à fragilidade das acusações contra a presidente.

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