Ernesto Nazaré foi um compositor e pianista brasileiro. É considerado o maior compositor do gênero de música que na época se chamava “tango brasileiro”, mas que na verdade era bem mais parecido com o chorinho, pouco tendo a ver com o tango propriamente dito. Conta-se que, para disfarçar o uso dos ritmos populares brasileiros em suas músicas, colocava em suas partituras nomes como “tango” ou “polca”, na época considerados mais aceitáveis pelas classes que podiam pagar pela música. No entanto, Nazaré foi um dos grandes inovadores do chorinho, que está na base do samba e de outros gêneros bastante ritmados da música popular brasileira.

Infância

Ernesto Júlio de Nazaré nasceu no dia 20 de março de 1863, no Rio de Janeiro. Aprendeu piano ainda pequeno com a mãe, que morreu quando ele tinha 10 anos. Continuou o aprendizado musical e, com 14 anos, fez sua primeira composição, uma polca-lundu chamada Você bem sabe. Nessa época estudava no colégio Belmonte, onde era colega do poeta Olavo Bilac.

Logo Ernesto passou a dividir o tempo entre dar aulas de piano e compor. Em 1886, com 23 anos, casou-se com Teodora Amélia de Meireles e compôs para ela a valsa Dora.

A formação musical de Ernesto Nazaré foi erudita, mas ele gostava de mesclar estilos, compondo e tocando polcas, maxixes e choro, que eram as músicas populares tocadas nos bailes da época. Ele tinha as mãos muito grandes e com isso tinha facilidade em alcançar, no piano, acordes acima de uma oitava (mais de oito notas). Por isso, suas composições são difíceis de executar por pianistas que tenham as mãos pequenas.

Em 1893, compôs “Brejeiro”, música considerada um marco do tango brasileiro. Por essa época, ele já fazia sucesso como pianista da sala de cinema Odeon, apresentando-se nos intervalos das sessões. Muitas pessoas iam ao cinema apenas para ouvi-lo tocar.

Pouco depois, Ernesto foi trabalhar em uma loja que vendia partituras e instrumentos musicais, a famosa Casa Carlos Gomes. Ali ele se apresentava ao piano, tocando as músicas escolhidas pelos clientes. Entre muitas das partituras vendidas na loja, estavam aquelas de músicas que tinham sido compostas por ele.

Em 1910 gravou o tango “Odeon” (na verdade, mais chorinho que tango), em homenagem à sala de cinema em que se apresentava e fez muito sucesso. Essa obra recebeu, cerca de cinquenta anos mais tarde, letra escrita por Vinícius de Moraes e gravada pela cantora Nara Leão.

Reconhecimento

Há artistas que só alcançam sucesso e são reconhecidos depois de sua morte. Isso não aconteceu com Ernesto Nazaré. A carreira dele deu certo. Suas músicas eram bastante executadas, o músico era considerado um grande e importante pianista, seu talento era reconhecido. Nazaré passou o ano de 1926 praticamente inteiro em São Paulo e nas cidades do interior paulista, fazendo apresentações. O escritor e musicólogo Mário de Andrade fez uma palestra sobre a obra de Nazaré na Sociedade de Cultura Artística de São Paulo.

No entanto, ele tinha contraído sífilis, uma doença grave para a qual ainda não havia remédio eficaz, e o primeiro problema causado pela doença foi a surdez. Foi abalado, também, pela morte de uma de suas filhas, seguida pela de sua mulher, em 1929.

Ainda assim, Nazaré continuava a compor. O chorinho “Apanhei-te cavaquinho” tornou-se um dos mais conhecidos e é tocado até hoje nas rodas de choro. O tango brasileiro “Escovando”, gravado em 1930, também foi sucesso. Em 1932, viajou muito pelo sul do Brasil, apresentando suas composições. Mas tocava debruçado sobre o piano, para conseguir se ouvir.

Seu estado de saúde foi se agravando, até que ele passou a ter perturbações mentais. Em 1933, foi internado para tratamento e depois transferido para a Colônia Juliano Moreira, de onde fugiu um ano depois. Foi encontrado, após alguns dias, afogado em uma represa perto da casa de saúde, em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro. Tinha 70 anos. A morte de Ernesto Nazaré ocorreu no dia 4 de fevereiro de 1934. O artista deixou uma obra extensa: 211 composições dos mais variados estilos, com sua marca inconfundível, entre o erudito e o popular. Músicos nacionais e internacionais gravaram suas composições, que até hoje são executadas.

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