Francisca Edviges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi importante pianista, compositora e maestrina — a primeira grande personalidade feminina da música brasileira. Entre seus sucessos está “Ó abre alas” (1899), a primeira marchinha de Carnaval da história.

Como viveu a compositora

Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 1847. Seu pai era general do exército e sua mãe uma mulata de família humilde, neta de escravos. Não eram casados, por isso Chiquinha era, como se dizia na época, uma filha ilegítima. Isso era malvisto pela sociedade.

A menina teve educação apurada, em boa escola, e com professor particular de música. Ao mesmo tempo, frequentava os ambientes de cultura negra, com rodas de lundu, de umbigada, herança cultural de seu lado materno e que sua mãe fazia questão que cultivasse. Cresceu em ambiente musical e desde pequena já mostrou que tinha talento para a música. Fez sua primeira composição quando tinha 11 anos: “Canção dos pastores”, uma cantiga de Natal.

Chiquinha foi uma mulher de vanguarda no século XIX, quando as mulheres se limitavam ao ambiente doméstico. Ela era irreverente. Casou-se obrigada, quando tinha 16 anos, com um oficial da Marinha. Com um filho, separou-se do marido, o que era um escândalo na época. Depois casou-se de novo e teve duas filhas, e separou-se novamente. Por desafiar os padrões familiares de seu tempo, foi bastante criticada.

Sozinha, garantiu seu sustento como professora de piano por muito tempo. Como não tinha dinheiro para se vestir com o rigor das mulheres daquele tempo, ela confeccionava seus próprios vestidos e trocava os caros chapéus, tão em voga, por lenços de seda. Era uma moça faceira, como diziam na época.

Chiquinha frequentava as rodas de música boêmias, o que não era aceito pela sociedade. Sempre pioneira, ajudou a introduzir a música popular nos salões elegantes e foi a primeira mulher a reger uma orquestra. Também participou ativamente do movimento de abolição da escravatura no Brasil.

Obras

A obra de Chiquinha Gonzaga abrange variados gêneros: valsas, polcas, tangos, maxixes, modinhas e outros. Quando tinha 30 anos, em 1877, é que efetivamente começou a vida como compositora. Primeiro foi a polca “Atraente”, criada de improviso. Depois vieram “Corta-jaca”, “Lua branca” e “A corte na roça”, entre centenas de outras composições.

Já era figura famosa na música popular, hoje chamada de música de salão, quando criou despretensiosamente, para o cordão Rosa de Ouro, a marchinha “Ó abre alas” (1899), que se tornou como que um hino do Carnaval brasileiro. Foi numa época em que surgiam os primeiros blocos e cordões carnavalescos nas ruas, que misturavam brancos humildes, negros e mulatos.

No teatro, estreou em 1911 sua aclamada opereta “Forrobodó”. Nessa época tinha se casado novamente, com um músico jovem, 36 anos mais novo que ela — mais novo até que seus próprios filhos. Chiquinha Gonzaga morreu em 28 de fevereiro de 1935, com 88 anos.

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