Chamado de “Boca do Inferno”, ou de “Boca de Brasa”, o rebelde Gregório de Matos é visto como o fundador da literatura brasileira, bem como seu maior satírico, seu primeiro grande poeta e humorista. Tinha um espírito libertário e crítico.

Como viveu o poeta

Gregório de Matos e Guerra era seu nome completo. Nasceu em Salvador, na Bahia, em 23 de dezembro de 1636 (ou, segundo algumas fontes, em março de 1623), filho do português Gregório de Matos, proprietário de terras e engenhos, e de Maria da Guerra. Era irmão do padre Eusébio de Matos.

Estudou humanidades no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1661, formou-se em direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e casou-se com Micaela de Andrade. Juiz muito bem estabelecido em Lisboa, Gregório de Matos teria caído em desgraça por fazer versos satíricos sobre a corte portuguesa.

Em 1683, voltou à Bahia. Às vezes, era o advogado dos pobres, sem cobrar nada. Trocou os cargos recebidos do arcebispo pela vida boêmia, cantando versos ao som da viola. Na época colonial, a imprensa era proibida no Brasil pela corte portuguesa. Assim, seus poemas passavam de mão em mão através de manuscritos, o que dificulta conhecer melhor sua vida e sua obra.

A poesia de Gregório de Matos, cheia de humor, manifestava sentimentos populares de resistência aos exploradores, aos hipócritas e aos aproveitadores. Por isso, escandalizava e desagradava aos poderosos. Em 1685, Gregório foi denunciado à Inquisição. Em 1694, foi ameaçado de morte pelos filhos do governador, que o exilou em Angola.

Em 1695, permitiram-lhe viver em Recife, onde morreu, no dia 26 de novembro, vítima da febre contraída na África.

Obras

Gregório de Matos criou poesia lírica (amorosa, retomando o estilo do Renascimento), satírica, graciosa, religiosa e erótica. Era barroco — seu texto era cheio de adornos e preciosidades, contradições e ambiguidades — e uniu o sagrado e o profano, “carnavalizando” a poética brasileira.

Suas Obras só começaram a ser impressas em 1923, pela Academia Brasileira de Letras (da qual é patrono da cadeira número 16). São seis volumes, nos quais foram reunidas suas poesias sob os títulos Sacra (vol. I), Lírica (vol. II), Graciosa (vol. III), Satírica (vols. IV e V) e Última (vol. VI, com poemas variados).

Translate this page

Choose a language from the menu above to view a computer-translated version of this page. Please note: Text within images is not translated, some features may not work properly after translation, and the translation may not accurately convey the intended meaning. Britannica does not review the converted text.

After translating an article, all tools except font up/font down will be disabled. To re-enable the tools or to convert back to English, click "view original" on the Google Translate toolbar.