Em 1864, teve início um dos acontecimentos mais marcantes do Brasil Império, no período do Segundo Reinado: a Guerra do Paraguai. Travado por mais de cinco anos, o conflito envolveu, de um lado, o Brasil, a Argentina e o Uruguai, e, do outro, o Paraguai. Na América espanhola, o conflito, que terminou em 1870, ficou conhecido como Guerra da Tríplice Aliança.

Os antecedentes da guerra

Com a independência da América espanhola, o Vice-Reinado do Prata deu origem, após vários conflitos internos, a quatro nações: Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

O governo imperial brasileiro observava a formação dos países vizinhos com atenção. E tinha uma preocupação especial com a Argentina, pois temia que o país vizinho pudesse tentar anexar a província do Rio Grande do Sul. O Brasil também tinha interesses no Uruguai e tentava manter sua influência na região. Já com o Paraguai, os problemas se davam por conta de questões de fronteira e pela necessidade brasileira de garantir livre a navegação no rio Paraguai, principal rota de acesso a Mato Grosso.

Em 1862, Bartolomeu Mitre assumiu o governo argentino e iniciou uma política de aproximação com o Brasil. Temeroso das consequências que essa união poderia trazer ao Paraguai e à região do rio da Prata, o presidente paraguaio Francisco Solano López resolveu tomar a iniciativa de invadir a província brasileira de Mato Grosso, em dezembro de 1864.

A Argentina, firmando-se no direito de manter-se neutra no conflito, não permitiu que tropas paraguaias atravessassem seu território para invadir uma parte do Brasil. Isso levou Solano López a declarar guerra à Argentina, em março de 1865. Na sequência, o Uruguai, governado por Venâncio Flores, aliado do governo imperial brasileiro, solidarizou-se com os países atacados. Em 1° de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

Os eventos da guerra

Entre 1864 e 1865, o Paraguai iniciou três frentes de batalha: Mato Grosso e Rio Grande do Sul, no Brasil, e Corrientes, na Argentina.

A ofensiva do Paraguai

A primeira frente paraguaia invadiu Mato Grosso, na tentativa de desviar a atenção do governo brasileiro para o norte do Paraguai. Quase ao mesmo tempo, outras frentes partiam para o sul, invadindo Corrientes, na Argentina, e o Rio Grande do Sul, no Brasil.

A reação do Brasil

A reação brasileira começou em 1865. Uma expedição de quase 3 mil homens partiu de Minas Gerais, chegando a Coxim, no sul do país, em dezembro do mesmo ano. Ao encontrar a cidade abandonada pelo inimigo, a expedição decidiu avançar. Os brasileiros entraram em território paraguaio, chegando a Laguna em abril de 1867. Perseguidos pela cavalaria paraguaia, foram obrigados a recuar. Essa ação ficou conhecida como Retirada da Laguna. Em abril de 1868, os paraguaios saíram de Mato Grosso, transferindo suas tropas para o sul do Paraguai.

Despreparo militar

Econômica e demograficamente, os países da Tríplice Aliança eram muito mais fortes do que o Paraguai. Por isso, Brasil, Argentina e Uruguai acreditavam que poderiam derrotar Solano López facilmente. O início do conflito armado, no entanto, mostrou que o Paraguai era o país mais bem preparado para o confronto. Alguns historiadores calculam que, no início da guerra, o Brasil tinha 18 mil soldados, a Argentina, 8 mil, e o Uruguai, mil. Já o Paraguai contava com um efetivo de 64 mil homens, além de uma reserva de 28 mil veteranos.

Com o passar dos anos, a situação se inverteu, com a predominância militar passando para os brasileiros. Além de ter alcançado a superioridade naval, nos combate em rios, o Brasil acabou por mobilizar mais de 200 mil soldados. Para isso, senhores de escravos cederam vários cativos para lutar como soldados. Uma lei de 1866 libertou os “escravos da Nação” (como eram chamados os escravos que servissem no Exército).

O recuo paraguaio

O contra-ataque dos aliados foi enfraquecendo o exército de Solano López. Em 1866, parte do Paraguai foi invadida pelas tropas comandadas por Bartolomeu Mitre.

Em 1867 e 1868, o exército brasileiro também avançou em solo paraguaio, liderado por Manuel Luís Osório e por Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias. Em 1869, a Tríplice Aliança tomou Assunção, capital do Paraguai. Solano López foi morto por soldados brasileiros em 1° de março de 1870, o que encerrou definitivamente o conflito.

Consequências da guerra

O Paraguai foi totalmente arrasado na guerra. Perdeu parte de seu território para o Brasil e para a Argentina. Pesquisadores calculam que a população paraguaia passou de 406 mil habitantes em 1864 para 231 mil em 1872 — ou seja, teria morrido quase metade dos habitantes do país. Grande parte dos sobreviventes eram velhos, mulheres e crianças.

O Brasil saiu da guerra como vencedor, mas ainda mais endividado com a Inglaterra, financiadora do confronto. Por outro lado, o exército brasileiro tornou-se uma instituição nova e forte na vida nacional.

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