A Guerra dos Mascates (1710-1711) ocorreu na capitania de Pernambuco, na época em que o Brasil era colônia de Portugal. O conflito resultou da rivalidade entre a aristocracia rural — os senhores de engenho de Olinda — e os comerciantes portugueses de Recife, chamados de mascates pelos aristocratas.

A burguesia entra em cena

Com a evolução do capitalismo mundial, a velha aristocracia europeia foi perdendo espaço para uma nova camada social: a burguesia. Nos países colonizados pela Europa ou sob sua influência, o processo se repetiu. Esse foi o caso do Brasil.

Na capitania de Pernambuco, a burguesia comercial se desenvolveu no povoado do Recife e, com o tempo, passou a reivindicar participação política. Na época, o Recife era subordinado a Olinda, cuja câmara municipal esteve dominada pela aristocracia açucareira durante cerca de duzentos anos.

Decadência da aristocracia

O domínio holandês de Pernambuco (1630-1654) transformou Recife, de mero porto de Olinda, em grande centro urbano e comercial de açúcar. Com a expulsão dos holandeses, porém, formou-se uma nova burguesia de mercadores, vindos na maioria do norte de Portugal. Eles se dedicavam ao pequeno comércio fixo ou eram caixeiros (vendedores ambulantes) — daí o apelido “mascate”, que significa “mercador ambulante”. Muitos deles chegaram a enriquecer, adquirindo engenhos e escravos.

No final do século XVII, o setor açucareiro entrou em crise, devido à concorrência da produção de cana-de-açucar nas Antilhas e à expulsão dos holandeses, que tinham investido na economia. Como consequência, muitos senhores de engenho passaram a depender economicamente dos mercadores portugueses, de quem tomavam altos empréstimos para tocar seus engenhos em Olinda. A aristocracia pernambucana se endividava com o dinheiro da burguesia.

Com o poder econômico nas mãos, esses mercadores passaram a reivindicar também o poder político, para participar das principais decisões locais, como a definição dos preços das mercadorias e dos impostos. Tudo isso era decidido dentro da Câmara Municipal de Olinda, dominada pelos senhores de engenho. Assim que os mercadores começaram a cobiçar os cargos da câmara, o conflito se intensificou, culminando na luta armada.

A luta e suas consequências

Os comerciantes pressionaram o governo português para que Recife fosse elevada à condição de vila, independente de Olinda. Assim, eles também teriam poder político para cobrar o dinheiro que os senhores de engenho lhes deviam. A coroa portuguesa atendeu o pedido dos comerciantes e, em 1709, Recife transformou-se em vila.

A notícia não agradou aos senhores de engenho. Afinal, era um pesadelo se submeter aos seus credores (emprestadores). Não tardou para a luta armada começar. Uma confederação de índios e vários negros livres entraram na luta ao lado dos mascates. Os senhores de engenho, por seu lado, chegaram a discutir a formação de um governo independente de Portugal. Após dois anos de disputa equilibrada, os mascates venceram e a autonomia de Recife foi mantida.

Descontentes, os senhores de engenho começaram a resistir às ordens vindas de Portugal, o que foi um prenúncio para outros conflitos na região, como a Revolução Pernambucana, em 1817, e a Confederação do Equador, em 1824. A vitória dos mascates, por seu lado, representou a afirmação de um novo grupo econômico e a decadência da economia açucareira.

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