João Cabral de Melo Neto foi um dos mais importantes poetas brasileiros. Paralelamente ao ofício da poesia, seguiu carreira de diplomata, morando em diferentes países. Muitas viagens, muitas mudanças, muitos poemas, muitos prêmios e homenagens. Uma personalidade contida, racional; um espírito inquieto, atormentado, produtivo — tudo isso representa João Cabral.

Infância

O poeta nasceu em Recife, no estado de Pernambuco, no dia 9 de janeiro de 1920, em uma família bastante tradicional e rica. Foi o segundo de seis filhos e era primo do sociólogo Gilberto Freyre e do poeta Manuel Bandeira. Passou os primeiros anos de vida entre engenhos de açúcar da família nos municípios de São Lourenço da Mata e Moreno, no interior pernambucano.

Cresceu brincando no mato, cavalgando entre os canaviais e lendo folhetos de cordéis comprados pelos funcionários da fazenda nas feiras da cidade. Marcado pela infância interiorana, dizem que ele nunca se habituou totalmente à vida nas grandes cidades.

O contato com os empregados do engenho na infância e, depois, com a miséria dos retirantes da seca na capital de Pernambuco, a cidade de Recife, repercutiu em sua obra. Sua linguagem é seca, precisa, cortante; sua poesia é agreste e sofisticada.

Geração de 45

Estreou no mundo literário com a obra Pedra do sono, em 1942, quando sua família se mudou para o Rio de Janeiro. Era um jovem de 22 anos e logo fez amizade com o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.

João Cabral despontou no cenário literário na época em que chamava a atenção um grupo batizado de “Geração de 45”, que destacou a poesia chamada de “neomodernista” (“neo” quer dizer “novo”). Desse grupo também faziam parte os poetas Péricles Eugênio da Silva Ramos, Ledo Ivo, José Paulo Paes, Thiago de Melo e Moacir Félix. Eles se opunham a algumas ideias do modernismo, estilo artístico e literário que ganhara mais impulso no Brasil a partir de 1922.

Os poetas da Geração de 45 contestavam o jeito de fazer poesia dos modernistas. Num período marcado pela Segunda Guerra Mundial, eles achavam que começava a perder sentido o uso constante dos versos livres e da ironia marcando a poesia.

Em 1945, João Cabral publicou seu livro O engenheiro, em edição custeada por seu amigo Augusto Frederico Schmidt.

Viagens e obras

Em 1946, João Cabral casou-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira e teve seu primeiro filho, Rodrigo. Um ano depois, foi transferido pelo Itamarati (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) para a cidade de Barcelona, na Espanha, como vice-cônsul. Lá acabou montando uma pequena tipografia, na qual imprimia obras de poetas espanhóis e brasileiros. Imprimiu também seu livro Psicologia da composição. E teve outros dois filhos: Inês e Luís. Em 1950 foi transferido para Londres e lá publicou O cão sem plumas. Em 1952 voltou ao Brasil e foi afastado do Itamarati, acusado de subversão. Enquanto o inquérito durou, trabalhou na redação do jornal A Vanguarda, no Rio. Em 1954 publicou O rio, obra que foi premiada. No mesmo ano, foi reintegrado ao Itamarati (o processo foi arquivado) e teve publicados também seus Poemas reunidos. Em 1955, nasceu sua filha Isabel e, no ano seguinte, João Cabral voltou com a família para Barcelona como cônsul-adjunto. Passou a residir em Sevilha, encarregado de pesquisas históricas no Arquivo das Índias.

Em 1958, foi transferido para Marselha, no sul da França. Dois anos depois publicou Quaderna. De lá foi para Madri, como primeiro-secretário da embaixada brasileira, e publicou Dois parlamentos. Depois mudou-se para Genebra, na Suíça, como conselheiro da delegação brasileira junto ao escritório da Organização das Nações Unidas nessa cidade. Era o ano de 1964 e nasceu seu quinto filho, João. Em 1966 mudou-se para Berna, também na Suíça, e publicou A educação pela pedra, também premiado.

Foi nesse ano que no Tuca (Teatro da Universidade Católica), em São Paulo, foi montado seu auto de Natal Morte e vida severina, musicado por Chico Buarque. Os versos sobre as agruras de Severino são um dos pontos altos da poesia social brasileira. Severino representa o nordestino que sofre e morre “de fome um pouco por dia”.

Na sequência, cumprindo as obrigações da vida diplomática, João Cabral morou ainda novamente em Barcelona, e depois em Assunção (no Paraguai), em Dacar (no Senegal), em Quito (no Equador), em Tegucigalpa (em Honduras) e na cidade do Porto (em Portugal). Ficou viúvo em 1986 e foi transferido de volta para o Rio de Janeiro. Casou-se novamente, com Marly de Oliveira, e, em 1990, aposentou-se como embaixador.

João Cabral foi membro da Academia Brasileira de Letras (ocupu a cadeira número 37) e colecionou muitos prêmios e títulos. Entre os importantes livros que publicou, devem-se citar ainda: Museu de tudo (1975), Agrestes (1985), Auto do frade (1986) e Sevilla andando (1989). Morreu no dia 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro. Uma doença degenerativa o tinha deixado cego.

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