Joaquim Nabuco (1849-1910), escritor, abolicionista e embaixador, foi um grande homem público do Segundo Reinado (1840-1889), que foi o período de governo do imperador dom Pedro II.

Os grandes cafeicultores defendiam a continuidade da escravidão, mas a pressão da Inglaterra pela abolição era muito forte. Aquele país desejava ampliar o mercado de consumo de seus produtos, e para isso era importante haver mão-de-obra assalariada, com poder de compra. A escravidão passou a ser questionada por muitos, pois não era mais vista como algo rentável ao Brasil, tendo em vista as mudanças político-econômicas do século XIX. Foi nesse cenário conturbado que Nabuco lutou pela abolição definitiva da escravidão.

Infância e juventude

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu em 19 de agosto de 1849, na cidade de Recife, em Pernambuco. Filho de um senador do Partido Liberal, foi criado pela madrinha até os 8 anos num engenho, onde teve os primeiros contatos com os negros. Após a morte da madrinha, mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II.

Com apenas 16 anos, entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Durante o curso conheceu o poeta Castro Alves, mas concluiu o curso em Recife. Aos 20, ainda estudante, defendeu um escravo em pleno tribunal do júri, e desde então sua luta pela abolição não parou mais.

Os grandes fazendeiros e donos de escravos, muito poderosos e influentes, o tinham como arqui-inimigo, o que dificultou sua entrada na política. Ainda assim, ele começou a escrever artigos abolicionistas para diversos periódicos. Nessa época travou amizade com o grande escritor Machado de Assis, por quem tinha muita admiração.

O abolicionista

Em 1878 abriu-se uma brecha para Nabuco na política, pois o Partido Liberal, no qual seu pai era muito influente, voltou ao poder. Eleito deputado da Câmara, ele lutou pela eleição direta, pela participação dos não católicos no Parlamento e pela abolição total da escravidão sem indenizações aos donos de escravos. Sua campanha abolicionista foi abrangente: Nabuco criou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, pela qual escreveu um manifesto; fundou o jornal O Abolicionista; viajou ao exterior para divulgar sua causa e buscar apoio a ela; e candidatou-se novamente ao parlamento, mas sem sucesso.

Frustrado por não ter conseguido eleger-se, Joaquim Nabuco exilou-se voluntariamente em Londres de 1882 a 1884. Na capital inglesa, escreveu O abolicionismo, obra que também expunha suas ideias de reforma agrária no país. De volta ao Brasil e novamente deputado, escreveu muitos livretos abolicionistas, chegando a apresentar uma proposta antiescravagista em Londres, na conferência da Associação de Direito Internacional. Em visita ao papa Leão XIII, este chegou a lhe prometer uma encíclica (carta aos membros da Igreja) em favor da abolição.

O liberal monarquista

Apesar de suas ideias progressistas, Joaquim Nabuco era monarquista convicto. Temia pela desintegração territorial do Brasil caso a monarquia ruísse — o que ocorrera com a América espanhola, que havia se desmembrado em 18 repúblicas.

As ideias republicanas cresciam a cada dia. Para defender a monarquia no país, em 1885 o deputado Nabuco apresentou um projeto de monarquia federativa, que defendia a descentralização do poder para dar mais autonomia às províncias. Essa estratégia visava a atender os anseios republicanos sem abrir mão da monarquia.

As viagens ao exterior influenciaram muito suas ideias políticas. Ele admirava o sistema presidencialista dos Estados Unidos e a monarquia parlamentar inglesa.

Com o fim da escravidão, em 1888, Nabuco recebeu o título de visconde, mas recusou-se a aceitar a homenagem do governo imperial. Com a proclamação da República, passou a dedicar-se inteiramente à vida de escritor. Foi eleito primeiro-secretário perpétuo da Academia Brasileira de Letras.

O diplomata

Antes de 1905, o Brasil ainda não tinha embaixadas (representações fixas) nos outros países. O país enviava funcionários em missões ao exterior, chamadas de legações, para discutir questões diplomáticas. Aos 27 anos, Joaquim Nabuco iniciara a carreira diplomática na legação de Washington como adido e, dois anos mais tarde, exercera a mesma função em Londres.

Após a queda da monarquia, a convite do presidente Campos Sales, Joaquim Nabuco atuou como advogado do Brasil nas questões fronteiriças com a Guiana Inglesa, contrariando seus aliados políticos, ainda fiéis à monarquia.

Em 1905, indicado pelo barão do Rio Branco, assumiu a primeira embaixada aberta pelo Brasil no exterior, em Washington, nos Estados Unidos, onde atuou até a morte. Em 1906, presidiu a Terceira Conferência Pan-Americana, no Rio de Janeiro. Joaquim Nabuco morreu aos 61 anos, em Washington.

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