Um dos mais importantes escritores brasileiros, Jorge Amado foi o autor brasileiro mais conhecido no exterior durante décadas. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Era casado com a escritora Zélia Gattai (1916-2008).

Muitos de seus romances foram adaptados para o cinema, a televisão e o teatro. Estão entre eles Gabriela, cravo e canela, que foi adaptado como filme de cinema e como novela de televisão, ambos de muito sucesso; Dona Flor e seus dois maridos, que se tornou um dos filmes mais vistos no Brasil; e Capitães da areia, que, além de filme, ganhou adaptação para história em quadrinhos.

O autor também escreveu histórias para crianças: em 1948, O gato malhado e a andorinha sinhá (ilustrado pelo artista Carybé) e, em 1984, A bola e o goleiro.

Infância e adolescência

Jorge Amado nasceu em Itabuna, no estado da Bahia, no dia 10 de agosto de 1912. Passou parte da infância estudando em internatos. Fugiu do primeiro deles em 1924. Percorreu durante dois anos o sertão baiano, até chegar a Itaporanga, em Sergipe, onde morava seu avô José Amado.

Quando tinha 16 anos, fundou com amigos a Academia dos Rebeldes, para defender “uma arte moderna, sem ser modernista”. No ano seguinte, publicou seu primeiro texto em jornal. Formou-se em direito, mas nunca exerceu a profissão de advogado.

Engajamento social

Em 1930 mudou-se para o Rio de Janeiro e dois anos depois, aos 23, fez sua estreia como escritor, com O país do Carnaval. Publicado em francês, esse livro tornou-se sucesso internacional.

A partir de então, escreveu inúmeras obras, sempre com muita regularidade. São dessa primeira fase os romances Jubiabá (1935), Mar morto (1936), Capitães da areia (1937), Terras do sem-fim (1942), São Jorge dos Ilhéus (1944) e Seara vermelha (1946), entre muitos outros. Essas obras mostram a vida de crianças abandonadas, de operários e de negros, os conflitos pela posse de terra na região das plantações de cacau e as injustiças da sociedade.

Prisão e exílio

Em 1932, Jorge Amado filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que era ilegal. A partir daí, sofreu forte perseguição política. Em 1937, seus livros foram queimados em praça pública, em Salvador. Em 1942, exilou-se no Uruguai e na Argentina. Nessa época, escreveu O cavaleiro da esperança, biografia de Luís Carlos Prestes (líder do PCB), publicada em Buenos Aires em espanhol e proibida no Brasil. Ao voltar da Argentina, teve de ficar em prisão domiciliar.

Em 1945, quando o PCB estava legalizado, Jorge Amado foi eleito deputado por essa legenda política. Dois anos depois, o partido foi novamente considerado ilegal. O escritor teve de sair do Brasil e passou dois anos viajando pela Europa e pela Ásia. Quando voltou foi preso, e escreveu a trilogia (obra composta de três romances) Os subterrâneos da liberdade (1952), quando estava na prisão.

Nova fase literária

Em 1958, Gabriela, cravo e canela inaugurou uma nova fase literária na obra de Jorge Amado. Nela se destaca o humor, com ênfase em temas como a miscigenação e a cultura negra da Bahia, sem deixar de lado a crítica social. Em seguida publicou Os velhos marinheiros (1961), obra da qual faz parte a novela “A morte e a morte de Quincas Berro-d’Água”, que tem uma história muito engraçada e é considerada uma de suas obras-primas. Destacam-se, nesse período, Os pastores da noite (1964), Dona Flor e seus dois maridos (1966) e Tenda dos milagres (1969). A partir de 1983, Jorge Amado e Zélia Gattai, autora de Anarquistas graças a Deus (1979), passaram a viver metade do ano em Paris, onde ele se dedicava exclusivamente a escrever. Jorge Amado morreu em Salvador a 6 de agosto de 2001.

Homenagens

Jorge Amado ganhou diversos prêmios importantes. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Sua vida e sua obra foram tema de desfiles de escolas de samba (a Vai-Vai foi campeã do Carnaval de São Paulo em 1988 com enredo inspirado nele). Praças e largos do bairro do Pelourinho, em Salvador, têm nomes de personagens imortalizados por seus livros.

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