José do Patrocínio foi um escritor, jornalista, abolicionista e republicano. Ele enfrentou grandes dificuldades devido à sua origem social — filho de uma escrava alforriada e de um padre —, e atuou ativamente pela abolição definitiva da escravidão e pelo fim do Império no Brasil (1840-1889) .

Infância e juventude

José Carlos do Patrocínio nasceu em 9 de outubro de 1853, em Campos dos Goitacases, no Rio de Janeiro. Mulato, filho de um cônego com uma escrava, teve seu nome escolhido como homenagem a Nossa Senhora do Patrocínio. Seu pai não reconheceu a paternidade, mas o levou para sua fazenda. Desde pequeno, o menino assistia aos castigos severos impostos aos escravos.

Quando tinha 14 anos, pediu permissão ao pai para morar no Rio de Janeiro, onde trabalhou como servente de pedreiro na instituição de caridade Santa Casa de Misericórdia. Com 18 anos, escreveu um poema para o jornal A República, iniciando sua luta contra a monarquia e a escravidão. Aos 21, formou-se em farmácia, porém nunca atuou na área.

Com a formatura, deixou de morar com os colegas e foi acolhido na casa da mãe de um colega, em São Cristóvão. Ela era casada com um capitão, chamado Emiliano Rosa Sena. O capitão Sena aceitou-o como hóspede, desde que desse aulas particulares para seus filhos. Foi assim que conheceu Bibi, uma das filhas do casal, e se apaixonou pela moça, casando-se com ela anos depois, em 1881. Participava, também, do Clube Republicano, um grupo de discussões que se reunia na casa em que vivia e que tinha o objetivo de derrubar a monarquia.

Atuação jornalística

Em 1875, José do Patrocínio fundou Os Ferrões, uma publicação satírica e polêmica, e anos mais tarde foi redator do jornal Gazeta de Notícias, onde iniciou sua campanha pró-abolição da escravatura, ao lado de Joaquim Nabuco e outros. Nesse período, também colaborou com matérias para a revista O besouro. Em 1881, ano de seu casamento, comprou o jornal Gazeta da Tarde com dinheiro emprestado do sogro. Engajou o periódico exclusivamente na luta pela abolição: não só escrevia artigos ferrenhos sobre o tema como também ajudava muitos negros a fugir ou a comprar a alforria (liberdade). Em 1883, fundou a Confederação Abolicionista, que reunia todos os clubes abolicionistas do país, e redigiu e assinou um manifesto em prol de sua causa.

Em viagem à Europa, divulgou a causa da abolição da escravatura no Brasil. Em 1886, foi eleito vereador da Câmara do Rio de Janeiro. Em 1888, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim à escravidão, ficou do lado dela, defendendo o chamado “isabelismo”, uma espécie de veneração à princesa.

Nos primeiros anos de República, Patrocínio lançou um manifesto em seu novo jornal, A Cidade do Rio, contra o militar Floriano Peixoto, o que lhe rendeu o fechamento do jornal e o confinamento no Amazonas. De volta ao Rio de Janeiro, apoiou a Revolta da Armada contra Floriano Peixoto (que se tornara presidente), sendo perseguido novamente. Durante o governo de Prudente de Morais, terceiro presidente do Brasil, reabriu o jornal e não se colocou mais em confronto com a situação política do país.

Escritor

José do Patrocínio foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Escreveu Mota Coqueiro (1887), contra a pena de morte; Os retirantes (1879), em que retratou a seca nordestina após uma viagem de trabalho ao Ceará; e Pedro espanhol (1884), um romance.

O inventor

O abolicionista também tinha um enorme interesse pelas novidades tecnológicas de sua época. Após sua estada em Paris, em 1892, trouxe ao Brasil o primeiro automóvel a gasolina do país. Passou, então, a trabalhar em muitas engenhocas. Inventou uma espécie de balão dirigível (aeróstato), que chamou de Santa Cruz, destruído posteriormente por uma terrível tempestade no galpão em que o guardava. Morreu em 30 de janeiro de 1905, enquanto escrevia um artigo em homenagem aos russos que se revoltavam contra o governo de seu czar, ou imperador.

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