Criador da Turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o paulista José Bento Monteiro Lobato foi advogado, fazendeiro, diplomata, editor de livros, escritor e tradutor. É considerado o mais importante autor brasileiro de literatura infantil.

Como viveu o escritor

Juca, como era chamado quando criança, nasceu no dia 18 de abril de 1882, em Taubaté, no vale do Paraíba, no interior de São Paulo. Passou a infância na fazenda da família, brincando de criar boizinhos de chuchu e às voltas com caçadas na mata, como seu personagem Pedrinho.

Fez o curso de direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, para cumprir a vontade do avô. Na verdade, o que ele queria era estudar na Escola de Belas-Artes. Trabalhou como promotor de justiça até que herdou uma propriedade de seu avô e tornou-se fazendeiro. Interessava-se pela vida no campo, pelos trabalhadores humildes que viviam no interior do país. Foi por isso também considerado um autor regionalista.

Monteiro Lobato foi um homem avançado para seu tempo, embora tenha sido um crítico rígido da Semana de Arte Moderna de 1922, que considerou fruto de estrangeirismo. Foi também um empreendedor. Criou a Monteiro Lobato e Cia., talvez a primeira editora brasileira, em 1918. Ela faliu em 1925. Foi para Nova York em 1927 como adido comercial do Brasil, e retornou dois anos depois. Em 1945, criou a Editora Brasiliense. Engajado em questões políticas, fez campanha pelo petróleo no Brasil e se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. Foi um homem polêmico. Morreu no dia 5 de julho de 1948, com 66 anos.

Personagens e livros

Em 1920, escreveu A menina do narizinho arrebitado, que, após alguns anos e muitas mudanças (alterações de trechos e inclusões de capítulos, por exemplo), ganhou o título de Reinações de Narizinho (1931). Foi uma grande novidade. Até então, as obras de literatura infantil eram cheias de ensinamentos e escritos de um modo difícil para as crianças. O de Lobato era cheio de travessuras e gostoso de ler.

Lobato queria lançar livros sem “literatice” (mistura de literatura e chatice), onde as crianças pudessem “morar”. O autor dizia que garimpava “palavras singelas”, num estilo cristalino como “água no pote”, ao escrever para crianças.

Além de Narizinho, criou personagens como Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia, o Visconde de Sabugosa e Emília, entre outros. Eles participam de diversas aventuras em livros como O saci (1921), Viagem ao céu (1932), Caçadas de Pedrinho (1933), Emília no país da gramática (1934), Memórias da Emília (1936), Histórias de tia Nastácia (1941), O poço do Visconde (1937), A reforma da natureza (1941) e A chave do tamanho (1942).

Nesses e em outros livros, Lobato misturava realidade e fantasia. O autor mostrava seu inconformismo diante do mundo, criticava valores sociais ou políticos e o conservadorismo dos padrões das escolas.

Lobato ainda recontou fábulas, contos de fadas e as sagas de Dom Quixote e de Alice. Personagens famosos como Cinderela, Peter Pan e Branca de Neve visitaram o sítio. O último livro que escreveu para crianças foi Os doze trabalhos de Hércules (1944).

Antes até de ficar famoso entre as crianças, publicou livros para adultos, como Urupês (1918), Cidades mortas (1919), Ideias de Jeca (1919) e Negrinha (1920).

Reinações de Lobato

Lobato escrevia para crianças como se estivesse batendo papo com o leitor. É por isso que os estudiosos dizem que sua obra é marcada pela oralidade e por uma linguagem coloquial. Ele também inventou muitas palavras e revalorizou outras já existentes. “Reinações” significa “aventuras”, por exemplo. Emília sabe conjugar o verbo “asneirar” (dizer asneiras, bobagens), e “borboletograma” era um recado escrito nas asas de uma borboleta.

A voz do escritor

Tagarela, curiosa e egoísta, a boneca Emília foi ao longo de toda a obra tornando-se a personagem principal do universo criado por Lobato. Alguns estudiosos dizem que ela representa a espontaneidade da criança. Emília inverte a ordem das coisas, não engole qualquer resposta, faz birra quando contrariada. É sempre crítica, irônica e inventiva.

Emília foi feita pela Tia Nastácia, com retalhos de uma saia velha e recheio de macela, para presentear Narizinho, apelido de Lúcia, neta de Dona Benta. Como toda boneca, nasceu muda. Foi o Doutor Caramujo quem curou a mudez da boneca com uma pílula falante. Emília desembestou a falar no mesmo instante e exclamou: “Estou com um horrível gosto de sapo na boca!”

“A Emília é infernal”, definiu Lobato certa vez. “Quando estou batendo o teclado, ela posta-se ao lado da máquina e quem diz que eu digo o que eu penso?” A boneca era o alter-ego do escritor, isto é, dizia o que ele pensava e ironizava tudo o que achava absurdo.

Translate this page

Choose a language from the menu above to view a computer-translated version of this page. Please note: Text within images is not translated, some features may not work properly after translation, and the translation may not accurately convey the intended meaning. Britannica does not review the converted text.

After translating an article, all tools except font up/font down will be disabled. To re-enable the tools or to convert back to English, click "view original" on the Google Translate toolbar.