Movimento pelos Direitos Civis é o nome que se dá à luta dos negros norte-americanos por esses direitos, especialmente nas décadas de 1950 e 1960. Direitos civis são os direitos dos cidadãos de um país. Nos Estados Unidos, os direitos civis de muitos negros foram negados em sua totalidade por quase cem anos após o fim da escravidão.

Antes da Guerra de Secessão (guerra civil entre o norte e o sul dos Estados Unidos), quase todos os negros norte-americanos eram escravos. Escravos não tinham nenhum direito civil. Entre 1865 (ano em que a guerra acabou) e 1870, as emendas de números 13, 14 e 15 da Constituição acabaram com a escravidão e deram cidadania e direito de voto aos ex-escravos.

Esses direitos, contudo, foram frequentemente ignorados, especialmente no sul do país. Para evitar que os negros pobres votassem, alguns estados passaram a cobrar uma taxa, ou a exigir que o eleitor passasse em um teste difícil antes de votar. Grupos violentos como a Ku Klux Klan ameaçavam os negros, tentando desencorajá-los de chegar às urnas. Governos do sul aprovaram leis para manter os negros separados, ou segregados, dos brancos. Em muitos lugares, por exemplo, crianças negras não podiam estudar nas mesmas escolas que as crianças brancas.

Alguns negros resistiram a esse tratamento injusto desde o início, porém foi apenas no século XX que surgiu um movimento organizado. O líder mais importante nesses primeiros anos foi W.E.B. Du Bois. Em 1909, ele e outros ativistas formaram a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, sigla do nome em inglês). A NAACP usava os recursos da lei para lutar pelos direitos civis para os negros.

Acontecimentos da década de 1950

O Movimento pelos Direitos Civis conseguiu sua primeira vitória importante em 1954, no caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, no estado do Kansas. Os advogados da NAACP, liderados por Thurgood Marshall, defenderam o caso diante da Suprema Corte dos Estados Unidos. A Suprema Corte julgou que escolas separadas para brancos e negros eram desiguais e, portanto, violavam a Constituição.

Em 1° de dezembro de 1955, em Montgomery, no estado do Alabama, uma mulher negra chamada Rosa Parks foi presa depois de se recusar a dar seu assento em um ônibus para uma pessoa branca. Os negros protestaram contra a prisão dela boicotando o sistema de ônibus, ou seja, se recusando a usar esse transporte coletivo. Em 1956, a Suprema Corte decidiu que a segregação no transporte público era inconstitucional. Um dos líderes do boicote foi um jovem pastor chamado Martin Luther King, Jr. No final da década de 1950, King organizou a Conferência da Liderança Sul-Cristã (SCLC, sigla do nome em inglês), um grupo dedicado a atividade pacíficas pelos direitos civis.

Muitas pessoas brancas resistiram às mudanças, especialmente nos estados do sul. Em 1957, em Little Rock, no Arkansas, nove alunos negros se matricularam em uma escola só para brancos, para cursar o High School (equivalente ao Ensino Médio brasileiro). Essa opção dos alunos negros era amparada pela lei, após a decisão da Suprema Corte no caso de Topeka. No entanto, uma multidão de pessoas brancas se reuniu em frente à escola para protestar, ameaçando os jovens e agredindo-os tanto física quanto verbalmente. A ordem só foi restabelecida quando o presidente Dwight D. Eisenhower enviou soldados para proteger os estudantes negros e garantir a entrada deles na escola.

Acontecimentos da década de 1960

Em 1960, o Movimento pelos Direitos Civis começou a usar uma nova forma de protesto. Os participantes sentavam-se no chão do lugar em que sabiam que não seriam servidos, como uma lanchonete segregacionista, e se recusavam a sair. Embora fossem frequentemente reprimidos ou presos, eles permaneciam em atitude pacífica, o que criava simpatia pela sua causa. Um grupo chamado Comitê Não Violento de Coordenação Estudantil organizou muitos protestos desse tipo.

Em 1961, um grupo chamado Congresso da Igualdade Racial começou a patrocinar as “Viagens da Liberdade” pelos estados do sul. Negros e brancos viajavam juntos para ter certeza de que os ônibus e as estações não segregavam as pessoas pela cor da pele. Alguns ativistas foram espancados ou presos. No Alabama, um ônibus foi explodido com uma bomba.

Em agosto de 1963, cerca de 250 mil pessoas se reuniram em Washington, a capital dos Estados Unidos, para pressionar o Congresso a aprovar uma lei dos direitos civis. Martin Luther King, Jr. fez ali um poderoso discurso, que ficou famoso pela frase “Eu tenho um sonho”. O evento ficou conhecido como a Marcha sobre Washington.

O Movimento pelos Direitos Civis conseguiu suas maiores vitórias com a aprovação de novas leis em 1964 e 1965. O Ato dos Direitos Civis de 1964 proibiu a discriminação em locais públicos, nas contratações e nos programas de governo. Também aboliu alguns obstáculos relacionados à votação. O Ato dos Direitos de Voto, de 1965, acabou com outras restrições ao voto e permitiu um grande aumento no número de eleitores negros.

Além do Movimento pelos Direitos Civis

Os progressos feitos pelo movimento eram lentos, e parcelas da população negra estavam insatisfeitas. A frustração levou a tumultos em várias cidades entre 1965 e 1967. Alguns negros formaram grupos dispostos a usar violência para conseguir justiça racial. Malcom X foi um dos primeiros líderes desse movimento, chamado Black Power (Poder Negro). Em 1968, King foi assassinado em Memphis, no estado do Tennessee. Seu assassinato encerrou o Movimento pelos Direitos Civis como um esforço unificado.

Nos anos seguintes, contudo, muitos líderes dos direitos civis continuaram a trabalhar pela igualdade racial nas instâncias políticas. O número de negros funcionários públicos cresceu muito. Líderes negros tentaram ajudar os outros negros apoiando programas de ação afirmativa. Esses programas visavam a consertar os erros do passado, assegurando oportunidades econômicas e educacionais para negros, mulheres e outros grupos discriminados.

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