Os Mutantes são um grupo brasileiro de rock, formado em 1966, na cidade de São Paulo. Seus fundadores e principais integrantes foram Arnaldo Dias Baptista (nascido em 1948), que começou no baixo e depois assumiu o piano e os teclados; seu irmão Sérgio Dias Baptista (nascido em 1951), guitarrista e violonista; e Rita Lee Jones (nascida em 1947), que tocava flauta, harpa e percussão.

Embora os irmãos Baptista fosse ótimos instrumentistas, a banda começou com grande ênfase nos vocais já que todos eram bons cantores.

História

Os Mutantes estrearam em outubro de 1966, num programa de televisão. No ano seguinte, chamados pelo maestro Rogério Duprat, participaram da apresentação da música “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, no III Festival de MPB da TV Record, em São Paulo. Em 1968, o grupo participou do disco Tropicália ou Panis et circensis, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa e Nara Leão, além dos poetas Capinan e Torquato Neto. Com arranjos musicais de Duprat, é o disco-manifesto do movimento artístico chamado tropicalismo.

No mesmo ano, eles gravaram seu primeiro disco LP, Os Mutantes, com arranjos de Duprat e a participação de Jorge Ben (em “A minha menina”, de autoria de Ben). Inovador, o disco apresentava gravações de músicas de Caetano e Gil, como a hoje clássica “Panis et circenses”, e composições próprias. O som apresentava muita irreverência e criatividade, típicas do tropicalismo, além da influência marcante dos Beatles.

Em 1969, com o baterista Ronaldo Dias Leme, o Dinho, integrado à formação da banda, os Mutantes lançaram o disco Mutantes, com mais músicas dos seus integrantes (como “Dom Quixote”, “Caminhante noturno”, “Rita Lee”) e duas parcerias com Tom Zé, além da criativa versão para “Banho de lua”. Ao longo de 1968 e 1969, concorreram em vários festivais de música, nacionais e internacionais, classificando-se entre os finalistas. As músicas dos dois primeiros discos refletem o clima dos festivais.

Em 1970, gravaram A Divina Comédia ou Ando meio desligado e se aproximaram do rock mais puro, começando a se dissociar do tropicalismo. Esse disco trouxe músicas como “Ando meio desligado” e “Desculpe, babe”, além de contar com a participação do baixista Liminha (Arnolpho Lima Filho), que então entrou para a banda.

Em 1971, o LP Jardim elétrico abriu as portas para novas influências, misturando rock com soul e funk com música latina. Destaque para o sucesso “Top top” e para “It’s very nice pra chuchu”, “Virgínia” e “El Justiciero”. Em 1972, a banda gravou Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets, que seguiu a trilha do anterior. É desse disco a clássica “Balada do louco”, assim como a vibrante “Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o rock and roll”.

No mesmo ano, Rita Lee deixou a banda, numa polêmica que se arrasta até os dias atuais (ela se demitiu ou foi demitida?). O último registro do grupo com Rita é Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida (1972), mais uma amostra do estilo repleto de humor e de experimentalismo da banda, expostos em canções como a faixa-título e “Tiroleite”. Mas, em vez de creditar o álbum à banda como um todo, a gravadora lançou-o como o primeiro disco solo da cantora, que iniciou ali uma carreira de grande sucesso.

A partir de então, sob a liderança de Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, o grupo escolheu tocar o estilo chamado rock progressivo e gravou O A e o Z (1973), que não foi lançado na época, porque a gravadora considerou que não tinha apelo comercial. Em seguida, conflitos e problemas pessoais levaram à saída de Arnaldo. Dinho foi o próximo a ir embora. Em 1974, Sérgio e Liminha gravaram com outros músicos Tudo foi feito pelo sol, disco marcante do rock progressivo nacional. Antes ainda do lançamento do disco, Liminha deixou a banda. Sérgio levou os Mutantes adiante, mas a química não era a mesma. Em 1977 saiu o último disco, Mutantes ao vivo, e Sérgio decidiu pôr fim à banda no ano seguinte.

Carreiras solo

Arnaldo Baptista e Sérgio Dias gravaram alguns discos solo sem grande repercussão popular, embora Lóki, de Arnaldo, seja reverenciado até hoje por fãs e críticos. Já Rita Lee obteve, ainda na década de 1970, enorme sucesso com músicas como “Lança perfume”, sendo coroada a rainha do rock nacional.

Reunião

Os Mutantes voltaram a ser notícia nos anos 1990, com o lançamento de seus discos em CD. Além disso, saiu finalmente o disco O A e o Z, além do ainda inédito Tecnicolor, gravado em 1970, em Paris, na França. A importância do grupo foi reconhecida internacionalmente, por músicos famosos como Kurt Cobain e Sean Lennon.

Em 2006, os organizadores de uma mostra em Londres dedicada ao tropicalismo convidaram a banda para uma apresentação no evento. Foi então que Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Dinho resolveram se reunir e reativar os Mutantes, trabalhando com músicos de apoio. Liminha e Rita Lee preferiram ficar de fora, e a cantora foi substituída por Zélia Duncan. No mesmo ano, a banda lançou Mutantes ao vivo no Barbican Theatre, nome de um CD e de um DVD do espetáculo em Londres.

Nos dois anos seguintes, o grupo realizou turnês bem-sucedidas pela Europa e Estados Unidos. Em 2008, Paulo Henrique Fontenelle realizou Lóki, um documentário sobre Arnaldo Baptista. Em 2009, os Mutantes gravaram, sob a liderança de Sérgio, o disco Haih or Amortecedor, com músicas em parceria com Tom Zé. Antes disso, Arnaldo Baptista e Zélia Duncan saíram da banda.

Importância

Com influências que mesclam Beatles, rock psicodélico e progressivo, música brasileira e erudita, além do uso de distorções, efeitos sonoros e muita irreverência, os Mutantes tiveram papel essencial no tropicalismo, movimento cultural dos anos 1960, e no desenvolvimento do rock no Brasil. Influenciam até hoje vários artistas brasileiros e internacionais.

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