Osvaldo Cruz foi um cientista brasileiro que teve papel fundamental no combate às epidemias de peste bubônica e febre amarela que ocorreram no Brasil, nos primeiros anos do século XX. Era médico sanitarista e foi o primeiro a se dedicar ao estudo das doenças tropicais, alcançando renome internacional por seu importante trabalho.

Juventude e estudos

Osvaldo Gonçalves Cruz nasceu no dia 5 de agosto de 1872, em São Luís do Paraitinga, no estado de São Paulo. Quando tinha 5 anos, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Com 15 anos entrou para a Faculdade de Medicina, e aos 20 anos estava formado. Um ano depois, em 1893, casou-se com uma amiga de infância: Emília da Fonseca.

Em 1896, foi aperfeiçoar os estudos na França. Em Paris, trabalhou no Instituto Pasteur (cujo nome homenageia o cientista Louis Pasteur, que criou a vacina contra a raiva). Lá, passou três anos fazendo pesquisas. Fez depois um estágio na Alemanha e voltou ao Brasil em 1899.

Peste bubônica em Santos

Quando voltou ao Rio de Janeiro, foi mandado pelo Instituto de Higiene para a cidade de Santos, no estado de São Paulo, onde grassava a peste bubônica. Centenas de pessoas agonizavam na cidade, vítimas da doença transmitida por ratos contaminados — que provavelmente tinham vindo nos porões de um navio com passageiros doentes que chegara do Oriente Médio.

O Brasil não tinha o soro necessário para tratar dos doentes e a importação levaria muito tempo. Osvaldo Cruz conseguiu convencer o governo a iniciar a produção do soro. Assim, foi criado no Rio de Janeiro o Instituto Sorológico Nacional, instalado na Fazenda Manguinhos, onde mais tarde o cientista fez construir o Instituto Manguinhos. As instalações eram muito precárias, improvisadas. A mesa de trabalho de Osvaldo Cruz era uma porta velha colocada sobre cavaletes. E foi ali que ele começou a trabalhar com uma equipe de ajudantes.

A caça ao rato

Para fazer o soro eram necessários ratos mortos. Teve início uma campanha em Santos, em que alguns corneteiros chamavam a atenção das pessoas para avisar que seriam pagos 300 réis por rato morto. A essa altura, a peste bubônica tinha chegado ao Rio de Janeiro. Com o soro produzido por Osvaldo Cruz e com o auxílio de Vital Brasil (que trabalhava com Adolfo Lutz no recém-inaugurado Instituto Butantã), em três meses a peste foi debelada.

Febre amarela

Entre 1903 e 1904, pouco se sabia sobre a febre amarela. O Rio de Janeiro enfrentava uma epidemia da doença, quando Osvaldo Cruz foi convidado pelo presidente Rodrigues Alves para dirigir a Saúde Pública. A febre amarela era a doença do verão, e a varíola, do inverno.

A proposta que ele fez para acabar com a febre amarela compreendia várias medidas: exterminar o mosquito transmissor (Stegomia fasciata), remover os focos, isolar os doentes e vacinar a população. Atualmente isso tudo é comum, mas naquele tempo não era. Ninguém acreditava que um mosquito pudesse transmitir uma doença (essa tese foi desenvolvida pelo médico cubano Carlos Juan Finlay), nem que ela pudesse ser vencida da forma como Osvaldo Cruz sugeria.

No início, a proposta de Osvaldo Cruz foi ridicularizada. A população tinha medo de ser contaminada pela vacina e muitas pessoas se negavam a tomá-la. O cientista tornou-a, então, obrigatória. A revolta popular intensificou-se, insuflada por questões políticas que alimentavam a ideia de que essa obrigatoriedade acabava com a liberdade de escolha.

A situação chegou a tal ponto de tensão que os agentes de saúde precisaram de ajuda policial para fazer seu trabalho. O povo foi às ruas protestar contra Osvaldo Cruz e seus métodos. Essa manifestação ficou conhecida como Revolta da Vacina. Outra versão do episódio conta que a revolta não foi contra a vacina em si, mas contra o fato de a polícia usar as medidas sanitárias como desculpa para invadir residências pobres e expulsar de lá pessoas consideradas indesejadas pela sociedade elitista, que queria ver os pobres, na maioria negros e mulatos, afastados do meio social em que viviam.

Vitórias

Osvaldo Cruz venceu a febre amarela em três anos, demonstrando sua competência. No primeiro semestre de 1903 haviam morrido 469 pessoas de febre amarela no Rio. No primeiro semestre de 1904, foram apenas 39 pessoas. Em 1906, não houve nenhuma morte causada pela doença.

O cientista também erradicou a varíola. Mas o governo foi obrigado a suspender a obrigatoriedade da vacina, tanto para a febre amarela como contra a varíola.

Com verba da Saúde Pública, o cientista conseguiu construir o edifício em estilo mourisco em que até hoje funciona o Instituto Manguinhos, que recebeu seu nome em 1908 e é respeitado internacionalmente. O projeto, do arquiteto português Luís Morais Júnior, foi feito a partir de desenhos com sugestões de Osvaldo Cruz.

Em 1907, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia em Berlim, na Alemanha, o trabalho de Osvaldo Cruz na área da saúde no Rio de Janeiro recebeu a medalha de ouro.

Com o fim da vacinação obrigatória, a varíola voltou a se manifestar na cidade em 1908 e fez mais de 9 mil vítimas. Nessa época, porém, as pessoas já tinham se conscientizado da importância da vacinação e o governo não teve dificuldades em vacinar a população.

Em 1909, Osvaldo Cruz foi enviado pelo governo para a Amazônia. Os trabalhadores que construíam a estrada de ferro Madeira–Mamoré, em plena floresta, estavam doentes de malária e de febre amarela. Quem colaborou com Osvaldo Cruz nesse trabalho foi Carlos Chagas, outro grande médico sanitarista e pesquisador brasileiro.

Em 1912, Osvaldo Cruz foi eleito para a cadeira número 5 da Academia Brasileira de Letras. Em 1914, recebeu a Legião de Honra da França, a comenda mais alta do país, porque seu trabalho tinha ajudado a salvar vidas nas colônias francesas da África.

Cansado e com problemas de saúde que se agravavam, Osvaldo Cruz resolveu mudar-se para o alto da serra, em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Foi cuidar de seu jardim e das flores, mas acabou se candidatando ao cargo de prefeito da cidade, nas primeiras eleições locais. E venceu. Era o ano de 1916. As primeiras medidas que tomou foram incompreendidas e rejeitadas pela elite local. Osvaldo Cruz decidiu renunciar. Morreu de insuficiência renal em 11 de fevereiro de 1917. Ele tinha apenas 44 anos.

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