Malandro, sábio e sedutor, Pedro Malasartes é um personagem famoso nos contos populares brasileiros. Chegou ao país na bagagem de histórias trazidas pelos povos da península Ibérica (Portugal e Espanha). “Malasartes” vem do espanhol malas artes (literalmente, “artes más”), que significa “travessuras” ou, no limite, “malandragens”.

De origem humilde, o astuto herói popular é cheio de artimanhas. Consegue enganar todos os que cruzam o seu caminho. Sempre leva a melhor diante dos poderosos, avarentos, orgulhosos ou vaidosos. Em alguns contos, Malasartes aparece como um herói humilde que faz justiça. Em outros, é só um malandro que tenta sobreviver.

Uma de suas peripécias conhecidas está no conto A sopa de pedra. Várias versões diferentes existem dessa história. Numa delas, perambulando pelas cidades, Malasartes chega à casa de uma velha avarenta que não queria dar o que comer ao rapaz faminto. Ele, então, prega uma peça na senhora avarenta, ao anunciar que sabe preparar uma sopa muito saborosa, feita só com uma pedra.

Ancestral de Malasartes

O personagem Nasrudin, famoso nas histórias árabes, é um dos que possivelmente deram origem a Pedro Malasartes e a seus parentes que se espalharam pelo mundo. Com seu turbante, sua barba e seu burrico, Nasrudin é também conhecido como Goha, Srulek e Djeha.

Ninguém sabe direito a origem desse rapaz, meio maluco, meio gozador; Irã, Paquistão, Egito, Turquia e Síria, entre outros países, disputam a honra de ser o local de seu nascimento. Mas há estudiosos que acreditam que Nasrudin realmente existiu, por volta do século XIII, num vilarejo da Turquia, onde é conhecido como Nasreddin Hoca (em turco, hoca significa “mestre”).

Tolo, ingênuo, louco e sábio, Nasrudin apresenta várias facetas nas histórias. Mas ele sempre faz as pessoas pensarem (ou filosofarem) sobre regras que são criadas sem que ninguém saiba a razão ou sobre as convenções que são seguidas há tempos sem ser questionadas.

Anti-heróis

Em diversas culturas há personagens como Malasartes, que mostra que o pobre pode ser esperto e o rico, tolo. Na Espanha, é famoso o Pedro Urdemales (de urde males, literalmente, “planeja maldades”); em Portugal, é Pedro Malasartes; na Alemanha, existe Till Eulenspiegel; na Noruega, Peer Gynt é um herói conhecido.

Nos contos recolhidos pelos irmãos Grimm, há muitas peripécias de rapazes humildes, geralmente camponeses, que sabem tirar proveito de qualquer situação. Um alfaiate preguiçoso, por exemplo, consegue enganar uma princesa orgulhosa e acaba se casando com a moça. Em outra história, um astuto camponês passa a perna até no diabo.

Esses malandros centenários continuam inspirando personagens criados nas últimas décadas. No Brasil, exemplo disso é o matuto João Grilo, que nasceu no Auto da compadecida (1955), uma história escrita pelo paraibano Ariano Suassuna que virou uma interessante minissérie na televisão. Miserável, Grilo vive em Taperoá, no sertão da Paraíba, é insubordinado e desafia todos aqueles que estão no poder.

Malasartes, Nasrudin, João Grilo e outros são chamados de anti-heróis, repletos de falhas de caráter (preguiçosos, malandros, espertalhões). Eles são os protagonistas das histórias, mas não como aqueles heróis bonzinhos que agem corretamente, esbanjando virtudes como bondade e lealdade.

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