Portinari é considerado o mais importante pintor brasileiro. Foi também desenhista, gravador e poeta. Ele deixou mais de 5 mil obras e, sempre que alguém quer falar sobre um artista que destaca bem o caráter brasileiro em sua pintura, lembra-se logo de Portinari, que colocou o povo e a natureza brasileira nas suas telas.

Como viveu o artista

Seu nome completo era Cândido Torquato Portinari. Ele nasceu em uma fazenda de café em Brodósqui (ou Brodowski), no interior do estado de São Paulo, no dia 30 de dezembro de 1903, e ali passou sua infância. Seus pais eram os imigrantes italianos Battista Portinari e Dominga Torquato. Em 1918, quando tinha 15 anos, tornou-se ajudante de um grupo de artistas italianos que restauravam igrejas perto de Brodósqui.

No mesmo ano, resolveu ir para o Rio de Janeiro, que era a capital do país, e começou a frequentar a Escola Nacional de Belas-Artes. Em 1922, com 19 anos, começou a participar de exposições. Em 1926 e 1927 concorreu ao prêmio da escola, mas seus quadros modernistas não agradaram aos julgadores. Em 1928, para convencer o júri, resolveu fazer um quadro tradicional e acadêmico, e foi com ele que conquistou o Prêmio de Viagem.

Assim, pôde partir para Paris e aperfeiçoar a sua formação artística. Foi na França que conheceu a companheira de toda a vida, a uruguaia Maria Martinelli. Em 1931, voltou ao Brasil, cheio de novas ideias e cores, e abriu caminhos para a nova arte brasileira.

Portinari passou a pintar o povo do país, sua cultura e outros temas do Brasil com o que tinha incorporado das vanguardas europeias (como o cubismo de Picasso, por exemplo).

Assim, Portinari fez nas artes plásticas o que outros modernistas brasileiros fizeram na música (Heitor Villa-Lobos) ou na literatura (Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade — três grandes poetas que, embora tivessem o mesmo sobrenome, não eram parentes). Com sua obra, o pintor uniu o universal, a melhor arte de nosso planeta, às particularidades do Brasil. Portinari morreu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro de 1962.

Obras

Foi a infância na fazenda que construiu as raízes da imensa obra de Portinari. Seu quadro Café, premiado em 1935, em Nova York, continha suas lembranças da fazenda em que havia nascido. Em 1936, ele criou seu primeiro mural, uma pintura de grandes dimensões, para o Monumento Rodoviário, na Rodovia Presidente Dutra. No mesmo ano, começou a pintar o mural para a sede do Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, trabalho terminado em 1944.

Em 1939, Portinari expôs três grandes painéis na Feira Mundial de Nova York. No ano seguinte, a Universidade de Chicago publicou o livro Portinari: sua vida e sua arte, organizado pelo artista Rockwell Kent. Então, o pintor brasileiro expôs em Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, que comprou o seu quadro Morro, visão de uma favela no Rio.

Inspirado pela obra-prima Guernica, de Picasso (1937), Portinari criou três enormes afrescos para a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington, em 1942. No ano seguinte, pintou mais oito painéis, a Série bíblica. Em 1944, criou a série Retirantes e mais dois murais, São Francisco e Via Sacra.

Política e exílio

Portinari candidatou-se a deputado (1945) e a senador (1947) pelo Partido Comunista Brasileiro, mas não foi eleito. Nesse período ele pintou a série Meninos de Brodósqui e expôs em Paris, onde recebeu a Legião de Honra (1946), a mais alta condecoração da França. Em 1948, Portinari se exilou no Uruguai (os comunistas eram perseguidos na época, no Brasil) e começou a pintar murais com temas históricos, como A primeira missa no Brasil (1948) e Tiradentes (1949), premiado em Varsóvia, na Polônia.

Com a anistia, em 1951, Portinari voltou ao Brasil e expôs na Primeira Bienal de Artes de São Paulo, que marcou a aceitação do modernismo por um público brasileiro mais amplo. Nessa época a arte acadêmica deixava de ser dominante no Brasil, e Portinari alcançou a consagração que merecia.

No mural A chegada da família real portuguesa à Bahia (1952), Portinari inspirou-se também nas formas e nos temas renascentistas.

De tanto pintar, Portinari foi intoxicado pelo chumbo das tintas, o que minou sua saúde, em especial a partir de 1954. Mas ele criou ainda novas obras-primas, colocadas na entrada da sede das Nações Unidas, em Nova York: os murais Guerra e Paz (1954-1956), dois painéis de 14 metros por 10 metros cada um.

Portinari foi eleito o melhor pintor do ano pelo Conselho Internacional de Belas-Artes, de Nova York, em 1955. No ano seguinte, trabalhou na série Dom Quixote. Em 1958, começou a se aprofundar nos estudos de literatura (seus Poemas foram publicados em 1964), participou da Primeira Bienal do México e representou o Brasil na exposição 50 anos de arte moderna, em Bruxelas.

Convidado a expor duzentas telas em Milão, o pintor, infatigável como sempre, mergulhou no trabalho. Mas, doente, não conseguiu o que pretendia. Morreu no dia 6 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro.

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