Prudente José de Morais e Barros foi o primeiro presidente civil do Brasil. Foi eleito em 1894. Antes dele, o Brasil já tinha sido governado por outros dois presidentes, de formação militar, os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

O governo de Prudente de Morais foi marcado por disputas entre aqueles que apoiavam uma política que ajudasse os fazendeiros de café e os que queriam investimentos na industrialização do país. Outra disputa era entre os que queriam um governo centralizador e os que preferiam a descentralização, com maior autonomia para os estados.

Começo de carreira

Prudente de Morais nasceu na cidade de Itu, no interior de São Paulo, no dia 4 de outubro de 1841. Ficou órfão de pai ainda pequeno. Foi criado pela mãe e pelo padrasto até mudar-se para São Paulo para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Iniciou a carreira política em 1865, durante o Império, como vereador da cidade de Piracicaba, na qual passou a viver depois de terminar o curso de direito. Era republicano, abolicionista e federalista.

Com a proclamação da República, tornou-se o primeiro governador do estado de São Paulo. Ficou no cargo até outubro de 1890, quando renunciou a ele para assumir uma vaga no Senado, do qual chegou a ser vice-presidente. Foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1891, que escreveu a primeira Constituição do Brasil republicano.

Quando Prudente de Morais assumiu a Presidência da República, o Brasil enfrentava problemas diversos. Havia uma revolta no Rio Grande do Sul (a Revolta Federalista) e um clima de insatisfação entre os cafeicultores. Eles estavam muito descontentes com as dificuldades que vinham enfrentando com as constantes quedas do preço do café.

Naquela época, o café era o principal produto de exportação e tinha importância fundamental para a economia brasileira. No entanto, havia uma pressão de outros setores para que fossem incentivadas políticas de industrialização. Não bastasse isso, havia um clima de tensão entre o exécito e a oligarquia cafeicultora, porque os militares queriam um governo centralizado e os fazendeiros de café preferiam um governo descentralizado.

Prudente de Morais usou toda a sua habilidade e muita diplomacia para suavizar essas diferenças e fortalecer a economia atendendo aos diferentes setores — mas, principalmente, os cafeicultores. Procurou afastar os militares da política e fechou a Escola Militar, que enfrentava uma revolta, e o clube militar.

Vitórias em campo

Enquanto contornava a crise política e a insatisfação com a economia, Prudente de Morais pôs fim à Revolta Federalista. Em seguida, ficou doente e teve que ser temporariamente afastado. O governo do Brasil foi assumido por seu vice-presidente, Manuel Vitorino Pereira. Logo que assumiu, este teve de lidar com um grande problema: a Guerra de Canudos, no interior da Bahia.

Quando Prudente de Morais reassumiu o cargo, deu ordens para que se formasse um grande exército contra os revoltosos de Canudos e ganhou a batalha. Nessa época, ele sofreu um atentado e se fortaleceu politicamente. Decretou estado de sítio e passou a governar com muito mais poder. No estado de sítio, o presidente assume algumas das funções atribuídas constitucionalmente ao Legislativo e ao Judiciário. Ou seja, não depende de outras instâncias para aprovar o que quer fazer.

Muitos estudiosos consideram que a Guerra de Canudos foi um massacre contra os cerca de 15 mil sertanejos que haviam se reunido ao líder místico sertanejo Antônio Conselheiro, porque ela foi extremamente violenta.

A solução da questão de limites fronteiriços com a Argentina e da questão diplomática com os ingleses (que tinham tomado posse da ilha de Trindade), a negociação de um tratado com o Japão, para a vinda de imigrantes japoneses para o Brasil, e uma operação de consolidação da dívida externa com a Inglaterra foram realizações bem-sucedidas de seu governo.

Prudente de Morais morreu em Piracicaba, no dia 13 de dezembro de 1902.

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