A Revolução Praieira, ocorrida na província de Pernambuco de 1848 a 1850, foi um movimento separatista, misturado com disputas partidárias pelo poder e com a revolta popular contra as más condições de vida. O Brasil vivia o início do Segundo Reinado (o governo de dom Pedro II), depois do fim do período da Regência, e a Revolução Praieira recebeu influência das revoluções liberais que ocorreram em vários países da Europa em 1848. (O famoso Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, foi redigido nesse ano.) Foi um período que ficou conhecido no Ocidente como “Primavera dos Povos”.

Insatisfação em Pernambuco

A monarquia brasileira era duramente contestada pelas novas ideias liberais da época. Era muito grande a insatisfação com o governo imperial, pois todas as decisões tomadas no período regencial (de 1831 a 1840) tinham que ser submetidas ao imperador. Os brasileiros reivindicavam maior força frente aos comerciantes portugueses (que ainda dominavam a economia local) e a população pobre lutava por melhores condições de vida.

As lutas internas entre os partidos e os grupos políticos da época que disputavam o poder culminaram numa série de revoltas provinciais, e a última delas foi a Revolução Praieira, cujo nome homenageava o Partido da Praia, fundado pelos revolucionários.

Pernambuco era a província mais importante do Nordeste, graças aos engenhos de açúcar, todos propriedade de famílias poderosas e influentes na política brasileira. A família Cavalcanti, por exemplo, era dona de um terço dos engenhos. Uma frase da época simboliza bem a situação: “Quem não é Cavalcanti é cavalgado”.

O restante da população mostrava-se insatisfeito com essa concentração fundiária e com o poder político na mão de tão poucos. O comércio local era dominado por portugueses, o que também causava revolta entre os comerciantes brasileiros.

Dada essa situação de desgaste, o Partido da Praia foi criado para opor-se ao Partido Liberal e ao Partido Conservador, ambos dominados por duas famílias poderosas que viviam fazendo acordos políticos entre si. Devido a esses acordos, muitas vezes era difícil distinguir o Liberal do Conservador, como muitas vezes aconteceu na política brasileira.

Reivindicações

O Partido da Praia pregava a revolta porque o presidente da província, do Partido Conservador, distribuía os melhores cargos administrativos aos membros de seu partido e a uma pequena cúpula do Partido Liberal, deixando os demais de fora. Os contratos para realizar obras públicas também eram manipulados.

A Inglaterra, grande potência mundial da época, pressionava o Brasil a extinguir o tráfico de escravos, pois desejava expandir seus mercados e o escravagismo era um entrave ao avanço capitalista e industrial. O efeito dessa constante pressão inglesa gerou o aumento do preço do escravo e a sua escassez, dificultando a vida de muitos que dependiam dessa mão de obra. Porém as poderosas famílias dos partidos Liberal e Conservador não foram atingidas, pois compravam os negros por contrabando e a preços melhores. Já os proprietários rurais de menor posse pagavam preços exorbitantes. Tal situação também foi denunciada pelos rebeldes da Revolução Praieira, que mesmo sendo liberais, não defendiam a abolição.

Havia dois jornais: o Diário de Pernambuco (dos conservadores, também chamados de “gabirus”, uma espécie de rato, por serem acusados de ladrões pelos praieiros) e o Diário Novo (dos rebeldes praieiros). Todas as denúncias eram divulgadas na imprensa, mas quando as divergências tornaram-se mais violentas a guerra começou.

O conflito

Em 1844, o Partido da Praia cresceu mais, até chegar ao poder. Uma vez no governo local, seus líderes agiram como os antigos conservadores: demitiram todos os funcionários e nomearam seus aliados, gerando um verdadeiro caos administrativo.

Como os gastos na administração pública eram muito altos, o presidente da província de Pernambuco aumentou os impostos para arrecadar mais verbas, gerando a alta no preço dos alimentos. A situação gerou insatisfação nas camadas populares, que depredaram os estabelecimentos comerciais, que pertenciam a portugueses.

A luta entre gabirus e praieiros acirrou-se em 1847, quando os praieiros venceram as eleições para o Senado. No ano seguinte, o governo foi assumido por um presidente (como se chamava o cargo de governador na época) de ideias moderadas. Com isso, os praieiros foram afastados da administração, causando a revolta. As demissões dos praieiros os levaram a atacar Recife, dando início à luta armada. A rebelião se iniciou em Olinda, em 7 de novembro de 1848; nesse dia, os líderes praieiros lançaram o “Manifesto ao Mundo”.

Cerca de 1.500 combatentes praieiros lutaram contra as tropas do governo imperial, que interveio e pôs fim ao conflito. Mais de quinhentos revolucionários foram mortos, trezentos acabaram presos (vários foram anistiados posteriormente) e outros fugiram para o exterior. Assim terminou a última das grandes revoltas regionais brasileiras do tempo do Império.

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