Movimento armado de amplitude nacional que pôs fim à Primeira República (1889-1930) no Brasil, a Revolução de 1930 marcou a subida de Getúlio Vargas ao poder, com a deposição do presidente Washington Luís.

As eleições

O povo tinha pouca participação política na república velha. Não havia voto secreto. Os presidentes eram escolhidos por acordos entre as elites. Minas Gerais e São Paulo se alternavam na presidência. Era a política do “café com leite”: São Paulo produzia café, e Minas, leite. Esse sistema desagradava muitos setores da sociedade. Desde 1922, revoltas militares lideradas por jovens oficiais das forças armadas agitavam o país.

Na eleição de 1930, a vez de assumir o poder era do mineiro Antônio Carlos de Andrada, mas o presidente da república, Washington Luís, preferiu o paulista Júlio Prestes. Minas Gerais e Rio Grande do Sul lançaram então o gaúcho Getúlio Vargas como candidato de uma coligação de oposição, reunida sob a sigla da Aliança Liberal. O paraibano João Pessoa foi indicado para a vice-presidência. Todos os demais estados apoiaram a chapa oficial.

Caravanas da Aliança Liberal percorreram o país, empolgando a população. Mas a maioria do povo não votava. Realizadas a 1° de março de 1930, as eleições deram a vitória a Júlio Prestes. Suspeitas de fraude geraram muitos protestos.

A conspiração

Já antes do pleito, oposicionistas exaltados e militares rebeldes tramavam um movimento armado. A crise econômica gerada com a quebra da bolsa de valores de Nova York, em outubro de 1929, contribuiu para aumentar o descontentamento geral. Washington Luís, que só passaria o cargo a Júlio Prestes em novembro de 1930, não se mostrava disposto à reconciliação com os adversários. Um de seus alvos prediletos era o chefe de governo da Paraíba, João Pessoa, companheiro de chapa de Getúlio Vargas.

No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado em Recife. Ainda que Washington Luís não tivesse participação pessoal no atentado, passou a ser visto como mandante do crime. A conspiração contra o governo, que perdia força, renasceu com a morte de João Pessoa.

Preparativos finais

No mês de agosto, os preparativos ganharam impulso. Em Porto Alegre, Osvaldo Aranha assume a coordenação nacional do movimento. Os ex-presidentes da república Artur Bernardes e Epitácio Pessoa aderem à revolução, seguidos pelo chefe gaúcho Borges de Medeiros. Líderes militares como Juarez Távora, João Alberto e Góis Monteiro disseminam a revolta no seio das forças armadas. Finalmente, os presidentes (governadores) Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, e Olegário Maciel, de Minas Gerais, se comprometem oficialmente com o movimento. Depois de vários adiamentos, é marcada a data para a eclosão da revolução.

A luta armada

Os primeiros tiros foram disparados em Porto Alegre às 17h30 de sexta feira, 3 de outubro. Ao mesmo tempo, a luta começava em Minas Gerais. No Nordeste, os combates tiveram início na madrugada do dia 4. Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco logo caíram em poder dos revolucionários. No Sul, as forças rebeldes progrediram até a fronteira do Paraná com São Paulo quase sem oposição. Em Minas, as guarnições federais de Belo Horizonte, Três Corações e São João del-Rei ofereceram forte resistência. Em todos esses confrontos houve mortos e feridos, civis e militares.

A batalha decisiva, porém, deveria ocorrer na região de Itararé, na divisa de São Paulo com o Paraná, onde havia grande concentração de tropas de ambos os lados. Após algumas escaramuças, o comando revolucionário marcou uma grande ofensiva para o dia 25 de outubro. No dia 24, no entanto, considerando inútil a resistência, representantes da Marinha e do Exército depuseram o presidente da república. Uma junta composta pelo contra-almirante Isaías Noronha e pelos generais Tasso Fragoso e Mena Barreto assumiu o governo.

Vitória da revolução

Com Washington Luís a caminho do exílio, iniciaram-se as conversas entre os líderes da revolução e os militares. Estes, a princípio, relutavam em deixar o poder. Coube a Osvaldo Aranha negociar a transição. No dia 3 de novembro, Getúlio Vargas assumiu a presidência do governo provisório, abrindo uma nova página na história do Brasil.

A chamada “era Vargas” foi um período de restrição às liberdades fundamentais, mas também um salto para a modernidade. Entre os avanços decorrentes da Revolução de 1930 estão o voto secreto, as leis trabalhistas e o lançamento das bases do desenvolvimento econômico brasileiro a partir de então.

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