O Saara Ocidental, antes conhecido como Saara Espanhol, é hoje um território que cobre uma extensa área desértica de 252.120 km2, na costa atlântica do noroeste da África. Sua população é de 489.000 (estimativa de 2007). É composto das regiões geográficas de Rio de Ouro, que ocupa os dois terços meridionais da região (entre o cabo Blanco e o cabo Bojador), e Saguia el-Hamra, que ocupa o terço norte. Faz fronteira com o Marrocos ao norte, com a Argélia a nordeste e com a Mauritânia a leste e a sul. Está sob o domínio do Marrocos, à espera da realização de um referendo (votação) estabelecido pelas Nações Unidas (ONU) para decidir sobre sua independência.

Geografia e economia

Praticamente todo o território do Saara Ocidental é desértico. A cidade principal é La’youn, a antiga capital colonial. O território tem minério de ferro e enormes depósitos de fosfato. Há pouca atividade agrícola na região. São criados camelos, cabras e ovelhas, e peixes secos são exportados para as ilhas Canárias.

História

Desenhos neolíticos (da Idade da Pedra Polida) gravados em rochas levam a crer que a região tenha sido ocupada por grupos de caçadores e pastores, com alguns agricultores em pontos favorecidos, antes do processo gradual de desertificação que começou por volta de 2500 a.C. No século IV a.C., havia comércio entre o Saara Ocidental e a Europa, atravessando o Mediterrâneo; os fenícios navegaram pela costa oeste da África nesse período. Os romanos também tiveram algum contato com os povos saarianos. Na época medieval, essa parte do Saara foi ocupada por povos berberes, que mais tarde, por volta do ano 1000 d.C., foram dominados por beduínos muçulmanos de língua árabe.

Em 1346 os portugueses descobriram uma baía, que identificaram erroneamente com um rio e denominaram Rio de Ouro. A região foi pouco explorada até a chegada de mercadores escoceses e espanhóis, em meados do século XIX. Em 1884, a Sociedade Espanhola de Africanistas e Colonizadores foi à baia do Rio de Ouro e firmou tratados com os povos costeiros. Mais tarde, o governo espanhol declarou que a zona costeira era seu protetorado. Os espanhóis foram impedidos de penetrar mais longe no território porque os franceses dominavam a Mauritânia.

Em 1957, o território foi reivindicado pelo Marrocos, que havia conquistado sua independência no ano anterior. Tropas espanholas conseguiram repelir as incursões militares marroquinas no território, e em 1958 a Espanha uniu formalmente Rio de Ouro e Saguia el-Hamra, formando uma colônia chamada Saara Espanhol. Mas a situação complicou-se com a reivindicação de posse da província feita em 1960 pela Mauritânia, que se tornara independente pouco tempo antes. Em 1963, foram descobertos enormes depósitos de fosfato na parte norte do Saara Espanhol, o que fez da área um prêmio potencialmente valioso, em termos econômicos, para qualquer país que pudesse firmar-se em seu controle. O fosfato é a matéria prima para as indústrias de produtos químicos e de fertilizantes.

Despertar da nacionalidade

Décadas de transformações sociais e econômicas provocadas pela seca, a desertificação e o impacto das descobertas de fosfato resultaram no aumento da consciência social e do sentimento anticolonial. A insurgência guerrilheira dos habitantes nativos do Saara Espanhol, que são os nômades saaráuis, surgiu no início dos anos 1970, com o nome de Frente Popular de Libertação de Saguia el-Hamra e Rio de Ouro (ou Frente Polisário).

A insurgência levou a Espanha a declarar, em 1975, que se retiraria da área. Confrontada com a pressão constante de Marrocos e da Mauritânia, a Espanha concordou com a partilha do território entre os dois países, apesar de o Tribunal Internacional de Justiça ter decidido o direito dos saaráuis à independência. O Marrocos ficou com os dois terços do norte do território e, com isso, obteve o controle dos fosfatos; a Mauritânia ficou com o terço sul. Combates esporádicos irromperam entre a Frente Polisário e as forças marroquinas.

Em 1976, a Frente Polisário declarou um governo no exílio (baseado na Argélia) do país, ao qual chamou de República Saariana Democrática Árabe, e continuou a atacar postos militares mauritanianos e marroquinos no Saara Ocidental. Esse governo foi reconhecido por cerca de setenta países.

A Mauritânia retirou-se da disputa e fechou um acordo de paz com a Frente Polisário em 1979, mas o Marrocos reagiu anexando a parte da Mauritânia no Saara Ocidental. Uma proposta de paz formulada pelas Nações Unidas (ONU) em 1988 previu a realização de um referendo entre os saaráuis nativos da região para decidir se queriam um Saara Ocidental independente ou se o território se tornaria oficialmente parte do Marrocos. A proposta de paz foi aceita por ambas as partes, que em 1991 acordaram um cessar-fogo. Contudo, enquanto uma força administrativa e de paz da ONU chegava ao Saara Ocidental para preparar a realização do referendo, o Marrocos transferiu dezenas de milhares de “colonos” para o território e insistiu em que tivessem seu direito de voto validado, o que tornou o resultado incerto.

Depois disso, a Frente Polisário levou sua campanha adiante, não obstante os muitos reveses. Entre os obstáculos que sofreu estiveram deserções de membros da organização e a redução do apoio que recebia da Argélia, porque esse país foi obrigado a concentrar-se em seus próprios problemas internos. Em 2001, dezenas de milhares de habitantes do Saara Ocidental, incluindo muitos soldados da Frente Polisário, se transferiram para campos de refugiados semipermanentes na Argélia.

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