A Sabinada foi uma rebelião ocorrida na Bahia entre 1837 e 1838, na época da Regência (1831-1840). O nome é uma homenagem ao líder do movimento, o médico e jornalista Francisco Sabino.

A revolta foi marcada pelas ideias da Revolução Francesa (em 1789), que se propagaram no Ocidente durante o processo de transição do Antigo Regime (monarquia absolutista) para a modernidade e a formação dos estados nacionais democráticos e republicanos.

No Brasil, a independência (em 1822) não havia trazido a tão sonhada autonomia das regiões. Pelo contrário: o centralismo autoritário e a arcaica estrutura político-econômica herdada do Brasil colônia prevaleceram. Aconteceram diversas revoltas provinciais, como a Sabinada, que refletiram a insatisfação geral.

Antecedentes

Com o estabelecimento da família real portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821), o poder político no Brasil, antes disperso pelas capitanias ou províncias, passou a ser todo concentrado na capital. Vários fatores contribuiram à crise, entre eles: o aumento de movimentos emancipadores e a pressão da Grã-Bretanha para que o Brasil acabasse com o tráfico de escravos. Para o país europeu, a escravidão era um empecilho ao desenvolvimento do sistema capitalista, já que dificultava a criação de um mercado consumidor. Essa situação — de um lado a luta dos brasileiros contra o poder português, de outro a insistência em manter a escravidão — acabou provocando uma série de conflitos de ideias que viriam a culminar logo em seguida, nos conflitos do período regencial.

Na Bahia, outras revoltas, anteriores à Sabinada, revelaram o desgaste das antigas estruturas coloniais portuguesas: a Conjuração Baiana (1798), as lutas pela independência na Bahia (1822-1823), a Federação do Guanais (1832) e a Revolta dos Malês (1835).

O conflito

Dom Pedro I renunciou ao cargo de imperador em 1831, por causa do episódio da Noite das Garrafadas, que opôs violentamente portugueses e brasileiros. O governo foi então assumido por regentes provisórios, pois o filho e sucessor do imperador, dom Pedro II, não tinha idade suficiente para assumir o trono.

A Bahia e o Brasil como um todo passavam por uma época terrível: havia os que apoiavam a monarquia e o imperador (na maioria portugueses) e os que lutavam pela república e pelo federalismo no Brasil. Foi na brecha aberta com a abdicação (renúncia) do imperador que ocorreram as revoltas baianas.

Influenciados pela Revolução Farroupilha (iniciada em 1835), do Rio Grande do Sul, e pelos ideais da Revolução Francesa, os rebeldes da Sabinada, muitos deles intelectuais, propagaram seus ideais libertários nos jornais da época e nas reuniões dos “clubes” revolucionários.

Em 1837, apoiados principalmente pela classe média (oficiais militares, profissionais liberais, pequenos comerciantes) insatisfeita com o recrutamento militar obrigatório, os sabinos proclamaram uma república na província baiana, separando-se do governo central do Rio de Janeiro.

As autoridades imperiais fugiram de Salvador e os sabinos tentaram fazer o movimento se alastrar. No entanto, no interior da Bahia, a situação foi diferente: a aristocracia rural ajudou o imperador a sufocar violentamente a rebelião.

Em Salvador, uma vez no poder, os sabinos passaram a agir com autoridade, deixando faltar alimentos para a população ao mesmo tempo em que aumentavam os salários de seus dirigentes. Além disso, havia dissidências internas entre os rebeldes. Alguns deles, monarquistas, desejavam a separação da Bahia em relação ao resto do Brasil apenas até o imperador atingir a maioridade.

O governo revolucionário durou somente quatro meses. A severa reação imperial, com a ajuda dos antigos aristocratas portugueses, incendiou Salvador, com muitos rebeldes sendo queimados vivos. Depois de três dias de combate, em 1838, foram mortos 1.258 sabinos, e outros 2.989 foram aprisionados. Era o fim da Sabinada.

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