Sepé Tiaraju foi um chefe indígena dos Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai (território hoje integrado ao estado do Rio Grande do Sul) que virou herói para seu povo. Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, pelo qual Portugal cederia a Colônia do Sacramento (fundada pelos portugueses onde hoje é o Uruguai) à Espanha em troca da região dos Sete Povos. Para concretizar o acordo, os povos guaranis deveriam abandonar as sete aldeias da margem oriental do rio Uruguai.

Induzidos pelos jesuítas, os índios não aceitaram o tratado, e pegaram em armas para defender suas terras. Teve início, assim, a Guerra Guaranítica, que opôs os nativos a tropas espanholas e portuguesas.

O chefe indígena Sepé Tiaraju, líder das forças missioneiras, tinha sido alferes do exército espanhol. Estava habituado ao convívio com os europeus. Seu nome cristão era José. Ele sabia ler e escrever, possuía treinamento militar e exercia grande influência sobre os comandados.

Os guaranis foram conseguindo muitas vitórias, mas no final de 1755 a maré da guerra começou a mudar. A 7 de fevereiro de 1756, após uma série de derrotas, cerca de 1.500 guaranis foram dizimados na batalha de Caiboaté (nas proximidades da cidade gaúcha de São Gabriel). Sepé Tiaraju morreu em combate. A partir desse momento, história e lenda se confundem. O capitão indígena se tornou herói popular. Sua obstinada resistência foi sintetizada numa frase que, provavelmente, ele nunca pronunciou: “Esta terra tem dono”.

Como o corpo do bravo guerreiro não foi encontrado no campo de batalha, espalhou-se a crença de que ele subira aos céus. Surgiu, assim, a veneração a São Sepé, um santo não reconhecido pela Igreja Católica, mas que dá nome a um município do Rio Grande do Sul.

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