Uma das artistas mais conhecidas e importantes do movimento das artes no Brasil chamado modernismo, Tarsila do Amaral pintou paisagens rurais do país, cheias de manacás (arbusto de flores grandes e perfumadas). Também registrou figuras que marcaram sua infância interiorana e retratou criaturas do imaginário brasileiro, com cores e tons nacionais.

Nascida em 1897, na cidade de Capivari, no interior de São Paulo, a menina cresceu na Fazenda São Bernardo. Ali, sua infância se passou entre comer frutos no pé das árvores e mergulhar em riachos. Desde criança, gostava de desenhar e explorava azuis, amarelos e rosas, chamadas de “cores caipiras”, muito presentes em sua obra.

Era considerada uma moça muito bonita. De família tradicional paulista, foi alfabetizada em francês por uma professora belga, contratada por seu pai para educar os filhos — o que era comum entre pessoas ricas naquela época. Cresceu ouvindo a mãe tocando música clássica no piano e as empregadas da fazenda contando histórias de assombração.

Adolescente, Tarsila foi estudar na Europa. Com 16 anos, em Barcelona, pintou seu primeiro quadro, Sagrado Coração de Jesus. Na Espanha, tomou aulas de escultura e de pintura.

Modernistas

Estava com 34 anos quando se mudou para Paris, na França, com o objetivo de aprofundar os estudos. Lá, conheceu muitos pintores, poetas e músicos. Teve contato com movimentos artísticos de vanguarda, como o chamado impressionismo (que fazia uso de pinceladas soltas nas telas com a intenção de captar o movimento das coisas retratadas) e o cubismo (que apresentava as figuras de diferentes ângulos de visão ao mesmo tempo).

A artista estava na Europa quando aconteceu no Brasil a Semana de Arte Moderna, em 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. O evento foi organizado por artistas e escritores como Mário de Andrade, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Oswald de Andrade. Os modernistas, como eram chamados esses artistas, buscavam em suas obras uma nova identidade para a arte brasileira.

Foi na Europa que Tarsila fez o quadro A negra (1923), que tem influências dos pintores cubistas. A figura de lábios grossos e grandes seios retratada na tela foi inspirada nas mulheres negras que trabalhavam na fazenda de seu pai. Elas eram as amas que cuidavam das crianças.

Antropofagia

De volta ao Brasil, Tarsila logo se juntou ao grupo dos modernistas. Casou-se com o escritor Oswald de Andrade, um dos principais nomes no movimento.

Ao lado do marido e de um grupo de intelectuais, viajou pelo estado do Rio de Janeiro e pelas cidades históricas de Minas Gerais, lugares que geraram impacto em sua obra. O quadro A cuca (1924) foi pintado nesse período, tendo sido descrito por Tarsila como “um bicho esquisito, no meio do mato, com um sapo, um tatu e outro bicho inventado”.

Uma das fases mais importantes da obra de Tarsila é a chamada “antropofágica”. A tela Abaporu (1928) está na origem desse período. Originária do tupi-guarani, a palavra abaporu quer dizer “homem que come”. Tarsila deu o quadro de presente para Oswald de Andrade. Foi inspirado nessa pintura que o escritor modernista escreveu o seu Manifesto antropófago.

O manifesto era um texto que explicava as ideias do movimento modernista. A palavra “antropofagia” se refere ao costume dos índios antropófagos, que comiam inimigos para incorporar qualidades como a coragem e a sabedoria da pessoa devorada. Os artistas modernistas queriam deglutir (engolir, devorar) a cultura europeia, que tanto influenciava as artes brasileiras naquela época, e transformá-la em algo bem brasileiro.

Exemplos de obras da fase antropofágica de Tarsila são O lago (1928), O ovo (1928), Urutu (1928) e Antropofagia (1929), que é uma mistura das telas A negra e Abaporu.

Outra obra importante da pintora é Operários (1933), que marca seu mergulho em temas sociais urbanos.

Tarsila do Amaral morreu em São Paulo, no dia 17 de janeiro de 1973, com 83 anos.

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