Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é um herói brasileiro, mártir da Inconfidência Mineira e patrono cívico do Brasil.

Vida

Tiradentes nasceu em Pombal, um distrito de São João del Rei, em Minas Gerais, no ano de 1746. Era o quarto de sete filhos. Seus pais (Domingos da Silva Santos e Maria Antônia da Encarnação Xavier) eram pequenos fazendeiros, mas morreram cedo. Com 11 anos, Tiradentes ficou órfão. Foi educado por seu padrinho, que era cirurgião.

Tentou várias ocupações: foi mascate, tropeiro, sócio de uma botica em Vila Rica (atual Ouro Preto), onde fazia extrações de dentes e curativos, o que lhe rendeu o apelido depreciativo de Tiradentes. Trabalhou na área de mineração e, com os conhecimentos adquiridos nessa atividade, tornou-se técnico no reconhecimento de terrenos e na exploração de seus recursos. Nessa condição, prestou serviços ao governo no mapeamento do sertão brasileiro. Alistou-se em 1780 na tropa da capitania de Minas Gerais. Lá, trabalhava como comandante da patrulha de uma estrada chamada Caminho Novo. Essa estrada era a rota do ouro que ia de Minas Gerais ao porto do Rio de Janeiro e de lá para Portugal, então chamada Caminho Novo.

Na vida militar não passou do posto de alferes, não tendo obtido nenhuma promoção. Mas foi se conscientizando do contraste entre as riquezas extraídas da terra, das quais os portugueses tomavam posse, e a pobreza da população. Isso o revoltava.

Consciência política

Tiradentes perdeu o posto de comandante da patrulha do Caminho Novo e pediu licença de seu posto na cavalaria em 1787. Foi para o Rio de Janeiro, onde elaborou projetos para a canalização dos rios Andaraí e Maracanã, que não foram aceitos pelo governo.

Quando voltou para sua terra, em 1788, passou a pregar, em Vila Rica e arredores, a independência da capitania de Minas Gerais. Um novo governador da província vinha fazer a derrama — cobrança dos impostos atrasados (um quinto da produção, ou 20 por cento) —, e a população não tinha como pagar. Era muito dinheiro. A elite local estava insatisfeita, porque a cobrança dos impostos atrasados poderia ser feita de forma autoritária, sequestrando os bens dos devedores. A dívida acumulada em impostos atrasados somava 538 arrobas de ouro. Cada arroba equivale a 15 quilogramas.

Tiradentes juntou-se a um grupo de intelectuais e representantes da elite mineira que apregoava a emancipação brasileira: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, entre inúmeros outros, além de integrantes do clero, da milícia e da justiça, fazendeiros e comerciantes. Essas ideias foram fortalecidas pelas notícias da independência americana, ocorrida em 1776.

Inconfidência Mineira

Ficou combinado que os líderes da Inconfidência Mineira, o movimento separatista, sairiam às ruas de Vila Rica na noite anterior à data marcada para o início da derrama. Dariam vivas à república, fixando como objetivo do movimento a libertação de Portugal e o fim da monarquia. Três membros do grupo, no entanto, denunciaram o grupo às autoridades, no dia 15 de março de 1789: Joaquim Silvério dos Reis (coronel), Basílio de Brito Malheiro do Lago (tenente-coronel) e Inácio Correia de Pamplona (imigrante luso-açoriano). Eles trocaram o perdão de suas dívidas pessoais pela delação. A primeira medida do novo governante foi suspender a derrama, o que tirou a força do movimento conspiratório.

Tiradentes foi novamente para o Rio de Janeiro, só que, dessa vez, seguido por espiões. Escondeu-se em casas de amigos, mas foi pego no dia 10 de maio de 1789. Deu depoimento no dia 22 negando a conspiração. Porém, apontado como líder por outros membros do grupo e por delações escritas, acabou assumindo sozinho a responsabilidade pelo movimento, no dia 18 de janeiro de 1790. Foi condenado à forca. Outros foram condenados também à morte ou ao degredo na África. Todos pelo crime de lesa-majestade, que significa traição ao rei, à rainha ou ao poder real.

A rainha de Portugal, dona Maria I, comutou (trocou) a pena de morte dos outros acusados, transformando-as todas em degredo. Menos a de Tiradentes. Ele foi enforcado no Rio de Janeiro, no dia 21 de abril de 1792. Seu corpo foi cortado em pedaços. A cabeça foi exposta em praça pública em Vila Rica, em Minas Gerais, para servir de exemplo. Outros restos mortais foram espalhados nos principais pontos em que Tiradentes costumava pregar. Sua memória foi declarada infame, sua casa foi arrasada e depois o solo foi salgado, para evitar que ali nascesse qualquer planta.

A independência do Brasil aconteceu em 1822, mas só em 1867 Tiradentes foi homenageado com um monumento erguido em Vila Rica em sua memória. O dia de sua morte, 21 de abril, foi transformado num dos mais importantes feriados nacionais.

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