Uidá, ou Ouidah em francês, é uma cidade da República do Benin, junto ao golfo da Guiné, na costa da África ocidental. Tem forte presença brasileira.

História e economia

Nos séculos XVIII e XIX, Uidá foi o principal porto do Reino de Abomé, que centralizava o comércio de escravos e de óleo de palma. Esse comércio era disputado por portugueses, franceses, britânicos, americanos, dinamarqueses e holandeses. Muitos africanos escravizados eram levados da Nigéria e de outras regiões da África para o mercado de Uidá. E muitos desses escravos foram transportados para as colônias europeias na América.

No ano de 1902, Uidá passou a ser controlada pelos franceses, tendo conquistado sua independência, junto com todo o Benin, apenas em 1961.

Ainda é possível encontrar em Uidá antigos fortes, uma catedral e um templo da religião abomé. Uma importante crença praticada na cidade atualmente é o vodu, um culto popular que mistura crenças africanas e católicas.

Os principais produtos cultivados em Uidá são o coco, o café e a palma. A cidade se liga a Cotonou, o maior porto e centro comercial do Benin, por meio de estradas e ferrovias.

Influência brasileira

No século XVIII, os portugueses construíram o Forte de São João Batista da Ajuda em Uidá, com o objetivo de atender à demanda de escravos no Brasil. O forte servia de base para os comerciantes de escravos da capitania da Bahia, mas acabou se tornando o ponto de retorno de muitos negros brasileiros para a região.

Com o fim da escravidão no Brasil, ainda no século XIX, muitos descendentes de escravos brasileiros se dirigiram ao Benin, principalmente a Uidá, de onde seus antepassados haviam saído como mercadorias. Eles ficaram conhecidos como agudás, nome ioruba para designar os africanos que possuíam sobrenome de origem portuguesa.

Os agudás chegavam ao Benin levando muito do conhecimento europeu que havia influenciado seus antepassados e eram considerados como pertencentes a uma casta superior. Com esse conhecimento, os brasileiros do Benin conquistaram cargos próximos aos dos europeus, além do direito de frequentar as escolas francesas, destacando-se, assim, da população local.

A presença de brasileiros na região foi muito forte, e eles serviram de intermediários entre a cultura local e a europeia, fazendo de Uidá um grande centro intelectual no Benin. Além disso, traços da cultura brasileira influenciaram vários aspectos da cultura local, como a culinária e as manifestações populares. Um exemplo é a festa de Nosso Senhor do Bonfim, também comemorada no país.

Os agudás representam 5 por cento da população do Benin. A maioria dos agudás é composta de católicos; alguns deles são muçulmanos. A população de Uidá é de 37.647 habitantes (estimativa de 2002).

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